Etíope medalhista de prata na Maratona faz gesto contra governo e teme volta ao país

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Etíope Feyisa Lilesa protestou contra o governo no final da prova, em que conquistou a medalha de prata e teme voltar ao país e sofrer represálias.

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Mais um ato de manifestação política ocorreu durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. Dessa vez, o etíope Feyisa Lilesa medalhista de prata na Maratona neste domingo (21), fez um gesto com os braços erguidos e cruzados na frente do rosto contra o governo do país, que restringiu a Internet no país recentemente, além da mortes de mais de 80 pessoas que protestavam contra os abusos que acontecem no país.

Cerca de 400 pessoas foram mortas desde novembro de 2015 em enfrentamentos com tropas do governo contra um plano urbanístico que visam ampliar a capital etíope Adis-Abeba.

Em entrevista, o maratonista declarou “seu apoio aos protestos no país” e que ainda não decidiu se volta. O gesto do atleta ocorreu no Sambódromo da Marquês de Sapucaí e também no pódio quando recebeu a medalha de prata, conquistada na Maratona, quando a bandeira da Etiópia foi alçada.

O atleta teme represálias após o gesto político que fez, assim como ocorreu recentemente com outros militantes que são oposição do governo na Etiópia. O maratonista cogita mudança para outro país. Durante a entrevista, o atleta falou que o governo do país pode “matá-lo, prendê-lo ou segurá-lo no aeroporto.

“Se eu voltar para a Etiópia, eles (o governo) podem me matar. Se eu não morrer, talvez me prendam. Se não me prenderem, vão me impedir de entrar na Etiópia. Tomei uma decisão. Talvez vá morar em outro país”, disse Lilesa segundo o jornal Sydney Morning Herald.

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 ficaram marcados pelas manifestações políticas, inclusive contra o atual presidente interino do Brasil, Michel Temer. O COI é contrário às manifestações durante a competição, mas ainda não se pronunciou sobre o que ocorreu com o atleta etíope nesse domingo, mas o maratonista corre risco de ser punido.