Continência de atletas brasileiros nas Olimpíadas causa debate

Getty Images

O gesto em sentido no pódio, que está sendo percebido por milhares de pessoas e até criticado pela mídia, é a principal causa de um debate. Porque esses atletas estão prestando continência?

Deparamos com isso na prata conquistada por Felipe Wu, no tiro esportivo. Até então natural, mas consequentemente apareceram outros atletas prestando continência no pódio e ao som do hino nacional.

Para as Olimpíadas do Rio, dos 465 atletas que compõem a delegação do Brasil, 165 atletas em 27 modalidades são militares. Eles fazem parte do Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) do Ministério da Defesa, que auxilia o atleta com uma remuneração de R$ 3.200 por mês e a condição de terceiro sargento, além do bolsa atleta que recebem e patrocínios. Esse programa é uma parceria tanto do Ministério da Defesa quanto do Esporte, para atletas de alto rendimento que se alistam no processo militar.

Além disso, os atletas tem obrigações militares como atender as convocações feitas pelas Forças Armadas para as disputas de competições classificadas como relevantes para os militares e apresentar relatórios sobre as atividades esportivas.

Segundo as Forças Armadas, o atleta não é obrigado a prestar continência quando estiver no pódio e ele é dispensado de exercer funções administrativas ou militares.

A prática foi liberada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) por uma certa dívida, por causa do Exército estar apoiando a Rio 2016. Mas irritou em partes os patrocínios, por ser uma jogada de marketing do Ministério da Defesa, que é irregular em Olimpíadas.

A dupla campeã no Vôlei de Praia, Alison e Bruno, é da equipe militar e ambos prestaram continência após a vitória e ao som do hino. “Eu e o Bruno somos terceiros sargentos da Marinha. Eu sou milico. Então, presto continência, o COI aceitando ou não”, disse Alison ao UOL.

Além desses casos, outros atletas da “equipe militar” também repetiram o feito: Arthur Nory, bronze no individual na Ginástica Artística, Rafael Silva, o “baby”, bronze no Judô, Arthur Zanetti, prata nas argola, o desconhecido, Thiago Braz, ouro no salto com vara, Martine e Kahene, ouro na vela, Poliana Okimoto, bronze na Maratona Aquática, Agatha e Bárbara, prata no vôlei de praia, e Mayra Aguiar, bronze no Judô.

O baiano Robson Conceição, ouro no boxe, isse que ficou afastado por um tempo da Confederação Brasileira de Boxe e que teve apoio na Marinha.

O programa tinha uma meta de dez pódios, independentemente do esporte. O ministro Raul Jungmann diz que “a meta se tornou realidade. Após a Rio 2016, o foco será os Jogos Militares, na China em 2019 e a Olimpíadas em Tóquio 2020”.



Jornalista em formação pela FAPCOM. Setorista da Chapecoense no Torcedores.com. Fã de automobilismo