Opinião: Um são-paulino em “estado terminal”

Sao Paulo
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Acompanho futebol desde 1983, ano em que o São Paulo, infelizmente, acabou perdendo o título paulista para o Corinthians, que vivia o auge da democracia corintiana. É importante ressaltar que naquela época o time são-paulino era forte como o time de Sócrates, e perdeu por circunstancias que fazem parte do esporte.

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Pude ver equipes fortes no meu Tricolor, e pude vê-lo conquistar três títulos paulistas, em 85, 87 e 89, além de um título do Brasileiro em 86. Tivemos algumas derrotas, é verdade, mas vale dizer que quando vinham, o time do não era ‘surrado’ em campo.

Eu me lembro que o São Paulo era tido como modelo administrativo, onde se dizia que os antigos diretores lavavam a roupa suja internamente e nada se vazava publicamente. Em 90, após a participação ruim no Campeonato Paulista, chegava ao clube Telê Santana, que, com total respaldo, começou a montar o elenco que seria bicampeão Sul-americano e Mundial. Além disso, ele começou a melhorar ainda mais a estrutura do clube. Naquele ano, o Tricolor chegou às finais do Brasileirão contra o Corinthians, de Neto e Nelsinho Batista. Infelizmente, o time, que chegou como favorito, acabou perdendo o título. Mas, como eu já disse, as derrotas fazem parte do jogo. E o elenco prometia para o ano seguinte.

Em 91, o tricolor paulista conquistou os títulos do Campeonato Brasileiro e do Paulistão sob a batuta do treinador. Mais uma vez, a equipe era citada como modelo administrativo. Em 92 e 93, ainda vieram as conquistas da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes, e isso comprova o quanto o meu Tricolor foi um clube que soube ser bem administrado.

Infelizmente, a conquista do tricampeonato, em 94, não veio por conta de uma má arbitragem na final contra os argentinos do Vélez Sársfield. Após esse período, os títulos não vieram, pois Corinthians e Palmeiras se fortaleceram. Ainda assim, o time revelou bons jogadores nas suas categorias de base. Em 96, um dos olheiros descobriu o jovem França, um dos melhores atacantes que eu vi jogar.

Veio a conquista do Paulista de 98, contra o forte Corinthians de Luxemburgo, e o de 2000, contra o Santos de Giba. Também tivemos a tríplice coroa em 2005 e o Tri-Brasileiro em 2006 ,2007 e 2008. A partir de 2010, o meu Tricolor parou no tempo e foi sendo ultrapassado pelos rivais do estado. Montando elencos fracos tecnicamente, passou a ser surrado em campo em todos os clássicos regionais. A única coisa em que o São Paulo esteve muito bem servido foi de ótimos treinadores, como Muricy Ramalho, Paulo Cesar Carpegiani, Ney Franco, Paulo Autuori, Juan Carlos Osório, e agora o argentino Edgardo Bauza. Entretanto, a fragilidade dos elencos impediu que os treinadores brigassem na parte de cima das tabelas.

A decadência na gestão tricolor foi tanta que na contratação de Osório a direção prometeu um elenco vencedor e uma ótima estrutura nas categorias de base. No entanto, não foi nada disso que o colombiano encontrou quando assumiu o time. O CT de Cotia, por exemplo, não revela praticamente ninguém. Ainda assim, Osório tirou leite de pedra e classificou o time para a Libertadores.

Neste ano, Bauza está tendo dificuldades com o time, mas temos que ser realistas. Mais uma vez, o elenco são-paulino é limitado e muito pobre tecnicamente. Assim como está acontecendo com o argentino, foi muito difícil para os últimos treinadores trabalhar com os elencos montados pelas diretorias do clube. Há anos, o São Paulo carece de um elenco à altura de suas tradições. O tricolor está seguindo a mesma receita que Corinthians e Palmeiras seguiram quando foram rebaixados. Haverá um determinado momento em que os treinadores não conseguirão mais fazer milagre, e o time corre o risco de protagonizar o pior vexame de sua história. Hoje, por exemplo, sem a menor sombra de dúvida o São Paulo é a quarta força do estado.

E assim segue este apaixonado são-paulino, um torcedor em “estado terminal”.