Opinião: São Paulo foi guerreiro, mas contra fatos não há argumentos

Crédito da foto: Twitter Oficial do São Paulo

Desta vez não faltou raça, dedicação, alma, respeito por uma das camisas mais pesadas do mundo. O que faltou ao São Paulo na noite de ontem em Medellín, é algo que sobra em seu adversário, o Atlético Nacional: qualidade técnica. Mas o torcedor são paulino tem motivos para se orgulhar, pode ter certeza.

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A Libertadores chegou ao fim para o São Paulo na noite passada: nova derrota para o Atlético Nacional, por 2 a 1. Houve uma série de fatores que justificam essa derrota Tricolor, e por isso, vou falar de cada uma delas separadamente:

O Atlético Nacional é o melhor time da América do Sul: esse é o primeiro e o mais importante de todos os fatores. Não estou dizendo que o time colombiano já ganhou a Copa Libertadores, pois nem sempre o melhor time é quem levanta a taça. Mas não tem nenhuma equipe no continente com um futebol tão técnico quanto os Verdolagas. Qualquer outro time, teria a mesma dificuldade diante da equipe de Medellín (se ilude quem acha que outro clube brasileiro se saíria melhor que o São Paulo). Uma equipe que tem planejamento (não se iludiu com a melhor campanha e se reforçou durante a pausa), tem um esquema de jogo bem definido (que começou a alguns anos atrás com Osório, e mantido por Ruelda), e jogadores de ótima técnica. Foi superior ao São paulo nos dois jogos, independente dos erros da arbitragem, fez a sua parte. E mesmo que não houvesse os erros, e o Tricolor com Ganso, Kelvin e Maicon em campo, ainda assim, o Atlético seria mais time;

A famosa arbitragem tendenciosa da Conmebol: não foi a primeira vez, e infelizmente, não será a última em que a Conmebol escalará árbitros de qualidade duvidosa para apitar jogos decisivos que envolvam clubes brasileiros. Quem acha que é “mimimi”, veja quem apitou o primeiro jogo e quem vai apitar o jogo de hoje da outra semifinal da Libertadores, entre Boca Juniors e Del Valle. É uma confederação tão ultrapassada quanto a CBF, e espero que a tal Liga dos Clubes das Américas dê certo. É preciso dar um basta nessa história de que tudo pode acontecer na Libertadores. Erros de arbitragem acontecem, em todos os campeonatos do mundo, mas o que acontece nos campos sul americanos, é anormal. A expulsão de Maicon interferiu no resultado dos dois jogos. O pênalti não marcado no Hudson no final do primeiro tempo ontem, poderia ter mudado a perspectiva da partida. E por fim, o juiz estava com tanta vontade de expulsar alguém do São Paulo, que além de ter dado cartão para o Hudson na primeira falta do jogo, saiu distribuindo cartão vermelho após o segundo gol do Atlético, sem nem saber para quem estava mostrando;

O festival de erros são paulinos: foram muitos. A diretoria não se reforçou quando podia. Teve mais de quarenta dias para reforçar a equipe, e nada fez. O Atlético Nacional, que era o time de melhor campanha, contratou cinco jogadores para as semifinais. Borja, que fez os quatro gols que eliminaram o Tricolor, foi um deles. Por conta desse erro, o São Paulo ficou sem opções para substituir os lesionados Ganso e Kelvin. Maicon foi expulso, e seu substituto, Lugano, está longe de ser um reserva ideal (sim, ele falhou no lance do primeiro gol do Nacional, assim como Centurion e Bruno). Nas laterais, Bruno e Mena são fracos, e seus reservas são ainda piores. Depender de Centurion, é algo triste para qualquer torcedor. Resumindo: o elenco é mediano (quase fraco), tem boas peças em alguns setores, e nas demais posições não tem ninguém. Culpa de quem contrata, de quem montou esse elenco. Podemos incluir nesta lista o erro infantil de Maicon no lance em que foi expulso, que junto com o erro de leitura de jogo de Bauza, que deixou o time com apenas um zagueiro em campo, custaram uma derrota no jogo do Morumbi. E não podemos ignorar a falha em preparar outros jogadores para possíveis eventualidades, afinal, por mais jovem que seja, Luíz Araujo poderia ter substituído Kelvin nos dois jogos, se tivesse sido preparado durante o Campeonato Brasileiro.

Enfim, essa é a minha visão sobre a eliminação. mesmo com tudo isso dito acima, poderia ter sido diferente. Mas não foi, e no fim, não foi tão ruim: o São Paulo mostrou que pode ir muito mais longe do que muitos pensam. Se jogar com essa disposição durante o Brasileirão e principalmente, na Copa do Brasil, é muito provável que na próxima Libertadores, o Tricolor estará presente (aliás, se jogar da forma como jogou na competição sul americana na Copa do Brasil, ouso dizer que é um dos favoritos ao título). E finalmente, vi um time que sente derrota. Ano passado, lembro que li um texto do Menon, onde ele dizia que o São Paulo era um time sem alma, sentia a derrota da mesma forma que uma pessoa sente quando perde um ônibus: logo mais outro vem. Desta vez foi diferente. E boa parte do responsável por isso, se chama Edgardo Bauza. Ele comete seus erros sim, mas vamos ser sinceros: ele não tem um elenco de qualidade. Fez milagre. Digno do clube da fé.