Opinião: primeira carta de São Paulo aos incrédulos

Crédito da foto: Twitter Oficial do São Paulo

Boa parte da torcida são paulina perdeu a fé: a derrota por 2 a 0 para o Atlético Nacional deixou as coisas para o São Paulo, no minimo, complicadas. Mas revendo a história do clube, por quê não acreditar na classificação? Afinal de contas, o Tricolor não se tornou o clube da fé, a toa.

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A derrota para o Atlético Nacional foi dolorida, eu sei. Assim como foi a derrota para o Strongest, no Pacaembu. Em ambas, ficamos desacreditados. Quem iria esperar que uma equipe que perdeu em casa para um adversário que não vencia fora da Bolívia a mais de trinta anos, iria chegar às semifinais de uma Libertadores? Pois é, e aqui estamos nós.

Sim, você, torcedor incrédulo, provavelmente afirmará que agora é diferente. E realmente é, mas todas as vezes que é preciso contornar uma adversidade, é um momento diferente. São momentos únicos, desafiadores. E é justamente nesses momentos, em que é necessário mostrar força, superação. É preciso mais do que em qualquer outra circunstância, ter fé. E o que é essa tal fé?

Fé significa confiança, credibilidade, crença. Acima de tudo, é crer em algo do qual não se necessita de evidência, de veracidade. Por isso, entendo o quanto é difícil para você, torcedor descrente, ter confiança em um time que abusa em falhar neste conceito. Credibilidade depois de toda bagunça que foi no ano passado? É, não é fácil. Crença, em um clube que falhou em quase todas as decisões das quais participou nos últimos anos? Pois é, é por conta de tudo isso que se chama, fé.

Para nós, nunca foi fácil. Desde a época do São Paulo da Floresta, passando pela refundação em 1935, ao primeiro milagre de fato, que nos rendeu o título de Clube da Fé. Disseram que só ganharíamos um título paulista, no dia em que a moeda caísse em pé. Não só ganhamos aquele (1943), como temos muito mais. Queríamos um estádio, construímos um dos maiores do mundo. Enquanto alguns sonhavam em ser o maior campeão estadual, queríamos ser campeões nacionais. Sonhamos com a conquista da América. Não nos contentamos apenas com isso e dominamos por três vezes o mundo. Isso é fé.

Apesar de todas as glórias, jamais havíamos conquistados três vezes uma competição de forma consecutiva. Nunca, um clube brasileiro havia sido tricampeão nacional consecutivamente. E não foi fácil quebrar essa barreira, ainda mais quando se leva em consideração que tínhamos apenas um por cento de chance de realizar esse feito. Isso é fé.

Por isso, amanhã, às 21h45 em Medellín, será a hora de dar mais um salto de fé. É tudo que lhe peço, torcedor. Falaram que não deveríamos nos classificar para a Libertadores deste ano, porque seria vergonhoso. O quanto é vergonhoso chegar as semifinais da maior competição sul americana de clubes? Quantos queriam viver essa vergonha? Quantos de fato podem chegar onde chegamos? E quantos podem, por mais remota que possa parecer essa chance, dizer que pode brigar pelo título mais importante do continente neste ano?

Só nós, incrédulos tricolores, só nós. É assim que tem sido: um teste de fé, seguido por outro teste. Desde o fim daquela partida no Serra Dourada, no dia 06 de dezembro do ano passado contra o Goiás pela 38ª rodada do Brasileirão, contrariando a maioria que já dava como certa a classificação do Internacional na Libertadores 2016.

Acredite, não somos o clube da fé sem motivos!