Opinião: Grêmio tem um fantasma e uma estrela

Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

A bola aérea voltou a assombrar o Grêmio, mesmo com a estrela Geromel em campo. As poucas derrotas e os empates com gols do tricolor no Brasileirão, evidenciam um padrão que lhe está impedindo de buscar o líder do campeonato. 

O fantasma tricolor

Roger Machado, me desculpe, mas “desconcentração” e “falha” todos nós sabemos que fazem parte desse fantasma chamado bola aérea na defesa tricolor. Até as teclas do computador já estão cansadas de escrever sobre isso. Lá atrás, depois do empate por 3 a 3 com a Chapecoense nos recostamos no divã para analisar essa situação, que havia sido identificada como falta de “posicionamento, concentração e atitude”.

Ou seja, mais do mesmo.

Como Aquiles em Tróia, Roger poderá deixar de ser o grande herói tricolor na batalha contra o jejum de títulos por causa de um “calcanhar” desprotegido. A bola aérea defensiva é uma assombração que merece toda e irrestrita atenção do treinador. 

Colocar um jogador ali na frente do batedor de escanteio não é uma solução, pois Diego Souza no primeiro gol do Sport cabeceou entre os dois zagueiros. Talvez a mudança para um sistema de marcação individual na bola parada ajude. Entretanto, eu ainda acredito que é hora de inovar e buscar um assistente técnico, um especialista em sistema defensivo, para auxiliar Roger.

Geromel tem muita estrela

O zagueiro gremista voltou desembocado e estava afundando junto com a defesa tricolor. Mas no contra-veneno ele foi lá na defesa adversária e com muito oportunismo marcou os dois gols do Grêmio. Mostrou mais uma vez que tem estrela.

Entretanto, os gols de Geromel não foram o suficiente para garantir o empate ou até mesmo buscar a virada.

Uma equipe que perde ou empata fazendo muito gols, não pode ser considerada ineficiente no ataque. O sucesso do sistema ofensivo deve estar atrelado a eficiência defensiva em não levar gols.

Então, de nada adiante ter a estrela de Geromel no ataque ou mostrar poder de indignação para reagir diante da dificuldade, se tudo isso se apaga devido aos erros na bola aérea defensiva.

O “padrão derrota”

Convenhamos, o Grêmio perde pouco e por isso está no topo da tabela. Porém quando o tricolor perde ou até mesmo quando empata com gols, a metralhadora de críticas gira em torno dos mesmos pontos: o fantasma da bola parada, um possível erro de arbitragem, Roger reativo nas substituições e, claro, a “ineficiência” do ataque.

Esse “padrão derrota” é parte de um efeito cascata que geralmente começa depois de uma insuficiência técnica, seguido da falta de solução tática, que ao final evidencia uma imaturidade coletiva. 

Tivesse Luan feito o gol no primeiro minuto de jogo, depois da bela jogada individual de Giuliano; ou se a gana de Marcelo Oliveira em recuperar a bola não resultasse em pênalti; ou se a defesa milagrosa de Marcelo Grohe acontecesse anteriormente aos quatro gols; a insuficiência técnica da equipe seria relevada, as críticas aos jogadores iriam diminuir e Roger não seria cobrado por mantê-los na equipe.

O efeito dominó continua…

Com os seus cascudos em má jornada, Roger necessita buscar uma solução tática no banco de reservas. Tivesse Douglas feito o gol de cabeça no cruzamento de Pedro Rocha, a mão do treinador apareceria e o fato dele ainda ser um treinador reativo nas substituições se esvaziaria.

Mas todas essas hipóteses não ocorreram e mais uma vez, o Grêmio volta para casa sentido-se “melhor” que o adversário. Psicologicamente falando, o tricolor pode ser considerado uma equipe na adolescência: sua “auto-suficiência” o leva a ter uma ótima campanha fora de casa, pois encara qualquer adversário com a petulância de que o seu padrão de jogo é quem vai determinar o ritmo da partida.

Essa imaturidade em acreditar, lá no inconsciente, que está pronto para buscar o título brasileiro, é o que está impedindo o tricolor de se aproximar do líder do campeonato.



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.