Opinião: Eliminação do São Paulo evidencia falta de força política da CBF

Crédito da foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Mais uma vez o futebol brasileiro vê um representante seu ser eliminado de uma competição internacional e caminharmos para um “momento de reflexão” (coloquei entre aspas, pois em se tratando de futebol brasileiro estamos tendo vários deles desde 2014, quando apanhamos de 7 a 1 da Alemanha e nada foi feito) por conta desta eliminação.

Junta-se nesta receita de bolo times que não tem jogado o suficiente, crise financeira do país, já que não consegue fazer frente ao mercado europeu e asiático, mas ainda temos um componente fundamental. Nosso futebol está órfão de representação junto as entidades superiores.

Já tratei deste assunto outras vezes, mas cabe novamente analisar isso. Em primeiro lugar, o São Paulo perdeu na bola. O Atlético Nacional (COL) em 180 minutos (os dois jogos somados) teve muito mais bola e foi merecedor da vaga. Só que a arbitragem de ontem, em particular, estava muito esquisita. O pênalti que deveria ter sido dado ao Tricolor e que foi legítimo, foi sonegado na cara dura e no segundo tempo, o pênalti a favor do Atlético Nacional foi também legítimo, só que após a consignação do gol tivemos duas expulsões que mostravam não apenas o desequilíbrio psicológico do time, mas sim do árbitro, que mostrou cartão para atleta que sequer tinha participado do lance, entre outras bizarrices.

Aí chego onde quero. Se o “nosso glorioso” presidente da CBF, Marco Polo Del Nero fizesse seu dever (trabalhar pelo bem do nosso futebol, aqui e no exterior) o resultado talvez fosse diferente. Uma visita de cortesia na sede da Conmebol, em Assunção, uma conversa com o presidente da entidade, poderia render a escolha de um árbitro melhor gabaritado. Porém, cadê Del Nero? Desde maio de 2015 ele passa longe de aeroportos que levem para o exterior, por medo de ser preso e extraditado para os Estados Unidos por conta das investigações de corrupção na FIFA. Para ter um dirigente assim, omisso, é melhor que ele se afaste e dê espaço para quem tenha disposição de trabalhar pelo nosso futebol.

Contudo, o apego dele ao cargo é tanto, que ele segue na CBF com o jeito de que só sai dali morto, e com isso, nosso futebol em nível internacional que se lasque. Caímos em duas Copas América, várias Libertadores e Sul-Americana, além de estarmos mal classificados nas Eliminatórias da Copa 2018, somando a baixa qualidade de nosso futebol com falta de força de bastidor. Duvido que se tivéssemos melhor força lances como o gol de mão do Peru, ou o penal não dado em cima de Hudson seriam sumariamente ignorados.