Opinião: Decidindo fazer o simples

Foto/Divulgação: Fluminense

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Para justificar as justificáveis perdas de seus destaques no ano passado, a diretoria do Sport resolveu ir além de seu campo de visão sempre tradicional e resolveu ousar. Em comum acordo com o técnico Falcão, nomes fora de órbita do que até a própria torcida imaginava foram sendo trazidos ao clube. Os elogios foram vários, e não se resumia apenas a torcida do leão. A cada anúncio feito, torcedores de times de São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas, Santa Catarina, desdenhavam suas próprias diretorias para elogiar a do Sport. “A visão da diretoria do Sport é excepcional.” – Era o que mais se lia até fevereiro.

Na verdade, poucos jogadores anunciados pelo rubro-negro da Ilha eram conhecidos do público geral –, que acostumado a uma mesmice crassa dos cartolas se envolve facilmente com o que se apresenta como “novo”.

Com o elenco feito e as competições caminhando, as torcidas alheias que se desdenhavam de uma certa “inveja” esqueceram. Mas a do Sport não, como óbvio. Continuou a acompanhar o clube em seus desafios.  Do outro lado da cidade, viu de perto seu rival com jogadores queimados e sem mínimo nome no mercado nacional ser campeão das duas competições importantes do semestre.

O atacante do Valência e Seleção Sub-23 era o pior do estado e o dispensado da Ponte Preta o melhor. O lateral direito da seleção olímpica que interessava até a Udinese era pavoroso, mas o vovô que havia sido dispensado com justiça do próprio Sport um ano antes, dava conta do recado do outro lado.

As cobranças e o resultado cravado de que o clube havia sem querer errado vieram á tona da forma mais dolorida possível. No Brasileirão a esculhambação técnica do time se seguiu (e segue até hoje), e a esperança voltou a ser mais uma vez ir ao mercado e trazer jogadores.

Estes demoraram a vir, aumentando a esperança da torcida por nomes sonantes. Uma ilusão para um clube do nordeste e com receita desfarelada em relação a outros 12 rivais, por mero motivo geográfico. Os jogadores não chegavam, e além do rival do outro lado da cidade, outros clubes de patamar semelhante começaram naturalmente também a chamar a atenção.

Com jogadores para lá de questionáveis em um ponto de vista teórico, assusta-se como são sólidos, firmes, ás vezes organizados até demais, e o Sport o oposto a tudo isso. Tecnicamente pavoroso, e com as peças tão bem quistas já sem espaço no elenco, de tanto que decepcionaram.

Faltando apenas três rodadas para o fim do primeiro turno, a promessa de que a demora por contratações se devia ao fato estarem mais uma vez atrás de “jogadores diferentes” foi totalmente dizimada aos anúncios até então feitos. Nomes fora do trânsito do treinador e com uma proximidade de mercado enorme foram oficializados. Mostrando claramente que a ideia foi deixada de lado no meio do caminho, e se resumir em se vulgarizar ao simples e convencional virou a ideia.

“Se os outros do mesmo porte estão fazendo e estão em situação melhor, por que inventar?” Cortaria o cabelo hoje se um pensamento parecido ao deste não tenha surgido de forma firme em alguma reunião entre os (in) competentes cartolas do clube.

Ronaldo Alves, Rogério, Mansur, Paulo Roberto, Apodi. Não se passa tanto tempo para se contratar estes jogadores como a diretoria do Sport conseguiu passar. São nomes que seriam metralhados no começo do ano pela torcida e pelos próprios cartolas, mas hoje viraram as soluções. Preenchem e preencherão algumas lacunas graves do elenco, mas em nada contribuirão para uma mudança de rumo ao que já se é atual: brigar apenas para não cair.

O momento foi que os fizeram virem ao clube, e a torcida os aceitarem, inclusive até se empolgando timidamente com alguns deles. A diretoria aderiu ao simples e fechou em semana o que havia tido dificuldade em meses. Foi na contramão de seu próprio discurso e trouxe jogadores com o perfil rigorosamente igual ao que dizia está evitando para justificar a demora.

São nomes que seriam metralhados no começo do ano pela torcida, mas são nomes que talvez fizesse o clube ter maior sucesso na atual temporada até aqui. Por motivos que apenas o futebol pode explicar.

Destrinchando:

Ronaldo Alves: Zagueiro destaque do Náutico no acesso de 2011 e com brasileirão regular no ano seguinte. Conseguiu ter chance no Internacional, clube no qual tinha contrato, mas decepcionou. No Criciúma, outra vez capengou e não foi bem. Se mudou para o Avai, sem destaque e pouco números de jogos, até então Voltar ao Náutico. Na Serie B do ano passado mostrou pouca coisa que o fizesse ser diferente em relação ao baixo nível da Segundona. No também fraco Campeonato Pernambucano, porém, conseguiu se sobressair. Surpreendentemente, como zagueiro, se tornou o artilheiro da competição. Com especulação até o ligando ao Corinthians, acabou parando no Sport que se afogava rodada pós rodada com uma defesa fragilizada, que contava frequentemente  com falhas do fraco Matheus Ferraz e chegou até a ter Oswaldo, zagueiro criado na base leonina que não jogaria nem em seu time de usina.

Mansur: Lateral esquerdo criticado no Vitória e posteriormente no Atlético Mineiro. Na época de base, atraia interesse de gigantes europeus, mas não se confirmou até agora entre os profissionais. Sofrendo com lesões, tem sequência assustadora em número de jogos e chegou claramente numa via de que a única coisa que pode fazer é surpreender.

Rogério: Uma surpreendente boa passagem no São Paulo que talvez o faça como nome mais coerente trago pelo clube na lista. Também acumula tempos de momentos bons e ruins pelo Náutico, ruim pelo Botafogo e sem destaque no futebol árabe. No Vitória, porém, correspondeu e vem dando sequência ao bom momento na carreira. Pelo menos até aqui.

Apodi: Um paralelo de emoções. Jogador com passagens elogiadas em alguns clubes, e muito criticadas em outros. O que há de recente é o destaque que o jogador teve no Brasileirão do ano passado. O que o credencia. Ainda mais porque a lateral direita é um dos raros setores do time que não é uma grande necessidade emergencial.

Paulo Roberto: Talvez a mais injustificável das contratações feitas pelo Sport. Dando os últimos suspiros por um meio campista que chegasse para ser titular (algo inclusive admitido pelos cartolas), o nome de Paulo Roberto apareceu para extasiar as esperanças de ter um futebol melhor na frente da área rubro-negra. Sendo vendido falsamente como “destaque do Figueirense” no ano passado, Paulo Roberto mostrou queda técnica no segundo turno do Brasileiro depois de voltar de uma lesão e confirmou o péssimo momento no Bahia. Minado pela torcida em Salvador, foi dispensado e se viu caindo para cima tendo a repentina chance de aparecer jogando a Serie A por um clube que jura dizer ter ambições.

O atacante colombiano Luis Carlos Ruiz do Atlético Nacional também foi contratado, mas desmerece considerações por uma admissível falta de conhecimento particular sobre o atleta.