Opinião: Cuiabá – Destinos nada bons de quem está sem rumo

Crédito da foto: Facebook oficial/Cuiabá Esporte Clube

Não, não é nada sobre o nosso Pantanal. Quem não está nada bem é o time da capital mato-grossense, o Cuiabá Esporte Clube. Amarga a pior de suas cinco participações na série C nesta década.

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Você que não acompanha muito de perto o futebol mato-grossense, deve saber que o Cuiabá “é” um “time de série C” e que alçou destaque nacional ao ganhar de forma incrível a Copa Verde em 2015 e mais recentemente empatando com um gol do goleiro Henal contra o América-RN nos acréscimos. Entretanto, o Dourado vive uma das piores fases – senão a pior – desde o seu retorno ao profissionalismo em 2009.

O torcedor cuiabanista, que acompanha e sofre com a situação do time, pode perguntar: “Esse texto é pra xingar o Cuiabá?” Não, é pra termos noção do quão grave é essa situação para essa entidade e o prejuízo pro próprio futebol estadual. Nas linhas a seguir, você saberá o porquê.

Série C 2016. Acabou para o Cuiabá neste último domingo (17) o turno. São 10 times em cada chave, logo, 9 jogos. O resultado? 5 derrotas, 3 empates e uma vitória. Isso mesmo, UMA. São seis pontos.

Primeiro jogo – contra o Remo, empate em casa: pênalti perdido. Quer saber mais sobre essa primeira partida? Clique aqui.
Segundo jogo – contra o Botafogo-PB, derrota fora: fraqueza da zaga. Por mera dedicação, Henal não deixou que o placar fosse maior que 1 a 0.
Terceiro jogo – contra o Confiança em casa: vitória maiúscula por 3 a 0 diante de um time apático. Infelizmente, um ponto fora da curva.
Quarto jogo – contra o Fortaleza fora, Daniel Sobralense marcou os dois gols da partida. O Leão do Pici dominou a partida O TEMPO TODO. A apatia estava do lado do Dourado dessa vez. Excesso de confiança da rodada anterior? Talvez.
Quinto jogo – contra o Salgueiro em casa num empate sem gols. Talvez o jogo do Cuiabá mais aguerrido desta fase. Faltou treino nas finalizações, tanto de cruzamentos quanto de bola parada.
Sexto jogo – contra o ASA, perdendo pelo placar mínimo fora. Inspirou-se mais (influência do jogo anterior?) e foi pra cima, estava melhor, mas não conseguiu marcar. Um deslize no final do 2º tempo fez com que Jailton marcasse para os arapiraquenses.
Sétimo jogo – contra o América de Natal e empatando de forma mítica, como dito antes. Com essa e outras vezes, Henal tem se mostrado como o fiel da balança do Cuiabá. Mas apenas ele não consegue mudar esse status ruim do time. Vemos que ele não permitiu que o Dourado afundasse de vez na competição.
Oitavo jogo – contra o ABC fora. O então técnico Flávio Araújo insiste em escalação similar e perde por 2 a 1. Os dois gols de Jones Carioca revelam uma falta de marcação a certo(s) jogador(es) adversário(s) crônica. É evidente e tem sido verificado durante todo o ano no Dourado. E infelizmente nada foi feito.
Nono jogo – contra o River em casa. Com a derrota pelo placar mínimo, o Cuiabá afunda de vez e segura a lanterna do Campeonato. O técnico Eduardo Henrique em sua estreia, pisa em ovos e mantém oito dos 11 jogadores da partida anterior. Para tal análise derradeira, um parágrafo à parte:

O Cuiabá não apresenta nenhum início de reformulação aparente com o novo professor e faz com que o adversário vá pra cima buscar seus três pontos, mesmo em domínios mato-grossenses. É nítida a dominação de um time quando a maior parte dos 90 minutos jogados se desenvolve no seu campo de ataque. E foi assim que o River estava. Mesmo faltando-lhe técnica, eram evidentes a vontade e a tática. Havia sempre um homem a mais na linha de defesa, SEMPRE. Isso lhe garantia menos trabalho pra seu goleiro e menos chance de gol para os donos da casa. Nas disputas de bola, os cuiabanistas em geral (escolha um: Geovani, Gilson, Tiago…) estavam com o freio de mão puxado e em boa parte das vezes não estavam de igual para um time que pegou no mínimo dois trechos de avião e passou sufoco ao jogar às três da tarde no tempo seco de Mato Grosso sem estarem acostumados. Sem falar no Tiago Amaral, que perdeu o pênalti. Justamente “o cara”, apontado como um artilheiro que resolveria os problemas do ataque do time.

A situação está nada fácil para o Cuiabá: a mídia noticia o desespero com esse jogo, a péssima campanha deste ano também como a pior dos últimos tempos, a torcida xingou o time depois da derrota contra o River, a equipe técnica sabe que é uma situação delicada, os jogadores sentem vergonha do que está acontecendo, o técnico Eduardo Henrique falou de “ansiedade” do plantel e que os jogadores não executaram o que foi planejado nos treinos e… Peraí…

Como assim, professor? O senhor é que tem fazer o planejado funcionar em campo! A cobrança de uma equipe num jogo vem do professor! Ou não? Os jogadores fazem o que querem?

Você que tem boa memória deve se lembrar do “prejuízo pro próprio futebol estadual” que eu falei no início deste texto. Pois bem, caso o Cuiabá seja rebaixado este ano para a série D, em 2017 serão três times (juntamente com Sinop e Araguaia) do estado. Menos público, mais competição, e portanto, menor chance probabilidade de ascensão à série C 2018. A melhora do futebol mato-grossense fica cada vez mais complicada desse jeito. Será preciso mais uma década para Mato Grosso ter mais presença e trazer mais público aos estádios?

O negócio é trabalhar, trabalhar, trabalhar e tentar salvar o time. O returno da série C 2016 começa para o Cuiabá na próxima segunda-feira (25) às 18h15 (horário de MT) no Estádio Mangueirão contra o Remo. A partida terá transmissão pelo canal fechado EI MAXX, da rede Esporte Interativo. O time paraense está em 5º no grupo A com 13 pontos e o Cuiabá com 6.