Após vencer câncer e fratura no pescoço, Jillion Potter almeja vaga nas Olimpíadas do Rio

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É impossível não notar uma característica marcante ao olhar fotos de Jillion: seu largo sorriso. E ela tem motivos. A Prop americana, ou pilar, nos termos “aportuguesados”, travou uma batalha contra um tumor e conseguiu vence-la em 2015. No entanto, esse foi apenas mais um dos problemas que enfrentou.

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Em 2011, durante um lance em uma partida da seleção americana contra a seleção do Canadá, Potter fraturou o pescoço em um lance que poderia ter encerrado a carreira da jogadora.

Mas após se recuperar, Jillion descobriu o câncer em 2014, e buscou forças na família para se recuperar. Durante os setes meses divididos em quimioterapia e radioterapia, a jogadora ainda buscava se exercitar, na companhia de sua esposa, Carol, para vencer a luta. Jillion perdeu cerca de 10 quilos, que não foram suficientes para desanimá-la.

“Perdi cerca de 10 quilos. Na verdade, eu administrei isso muito bem. O que me impressionou foi o quão rápido os meus músculos se desintegraram. Eu fui do treinamento olímpico para talvez levantar peso uma ou duas vezes na semana quando era capaz. Mas, basicamente, não importava o que acontecesse, eu sempre tentei fazer alguma coisa”, disse Jillion.

Ela contou que até brigava com os médicos quando algo a impedia de fazer os leves exercícios que podia à época. “Houve dias em que eu nem saía da minha casa, mas 90%, 95% do tempo eu estava tentando me manter ativa. Eu não sei o que (os médicos) pensavam disso. Eles não deixavam eu fazer nada enquanto fazia a aplicação da quimioterapia, mas depois eu fazia qualquer coisa. Eles apenas deixavam eu fazer isso. Se me dessem um acesso venoso ruim, eu reclamava e pedia um que desse para eu andar ou usar a bicicleta.”

Quem a acompanhava durante as caminhadas do lado de fora do hospital era Carol, considerada por Jullion fundamental em seu processo de recuperação. “Eu sempre digo que a pessoa número 1 que me botava para frente era minha esposa Carol. Ela foi simplesmente tão forte. Ela realmente me incentivou. Obviamente, minhas companheiras e a comunidade do rugby também. Foi bem incrível ver o apoio ao redor do mundo”, disse.

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E Potter não brinca ao falar do apoio ao redor do mundo. Muitas mulheres de seleções dos outros países, inclusive do Brasil, gravaram vídeos desejando força e excelente recuperação a ela, que, como mesma disse, foi uma ajuda para vencer o desafio.

Considerando os dois desafios que enfrentou, Jullion se considera muito mais forte agora, principalmente na parte psicológica.

“Eu diria que, psicologicamente, estou mais forte. Tive um grande momento que muda sua perspectiva. Como uma atleta de alto rendimento, é fácil se perder e se estressar em ficar melhor e melhor. Você perde a vida de vista. Você ama o esporte, ama a comunidade. Você pode facilmente perder de vista, se divertir, aproveitar o jogo. Mas você nunca sabe quando será seu ultimo jogo, por muitas razões. Você tem que simplesmente aproveitar o momento”, concluiu.

Jullion é forte candidata a uma das vagas da seleção americana de rugby para as competições do Rio 2016. Os Estados Unidos estão no grupo A do torneio, que também tem Fiji, Colômbia e Austrália. Entretanto, Jullion se considera uma vencedora, disputando ou não os jogos olímpicos.

“Se eu entrar no time olímpico, será uma oportunidade incrível. Mas, com ou sem o Rio, estou muito feliz com a jornada que eu tive. Estar no Rio seria uma realização incrível. Durante o tratamento, você tem que achar pontos positivos a cada dia. Você não pode ficar olhando para a montanha e pensar “ei, eu estava lá e agora eu caí tão longe”. Chegar ao fundo te dá muita claridade, e você é capaz de ver muita beleza na vida apenas por estar ali. Eu fui capaz de fazer isso, e acho que minha paixão pelo rugby me deu a motivação para voltar e conseguir”, disse a atleta.

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Estudante de jornalismo no Uni-BH, futura jornalista esportiva e estagiária do jornal Hoje Em Dia. Torcedora do Maior de Minas.