Charles Chibana aposta em família como diferencial para ter medalha olímpica no judô

Divulgação/Site oficial Charles Chibana

Aos 26 anos, Charles Chibana vai realizar o sonho: disputar, pela primeira vez, os Jogos Olímpicos. O paulistano estará no Rio de Janeiro como um dos representantes do Brasil no judô, na categoria dos meio-leves (66kg). E, apesar de toda a pressão envolvida por lutar “em casa”, é de casa que Chibana tira a força para chegar longe no Rio de Janeiro.

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“Acredito que a família pode ser o meu diferencial, sim. Tendo o apoio da família, é sempre bom. Dentro de casa todo mundo em casa me apoia. Meus primos que também treinam, meu primo que joga beisebol no Canadá… A família inteira gosta de esporte e vai apoiar todos, em qualquer circunstância. A família inteira apoia. É a base de tudo”, disse o judoca em entrevista ao Torcedores.com.

E a família Chibana conhece bem o judô. Charles é o caçula de três irmãos, todos homens, que praticaram o esporte. “Não tinha alívio, a porrada sempre comeu”, relembrou, aos risos. Os primos, a mesma coisa. “Basicamente todo mundo da minha família fez judô. Meu pai é professor e meu avô disse para meu pai colocar eu e meus irmãos no judô por causa da disciplina”, explicou o atleta. “Ultimamente, em reunião de família, o que rola é só olimpíada, olimpíada. Todo mundo vive o mesmo sonho.”

O curioso é que praticamente toda a família Chibana vive junta, em um prédio na Vila Carrão, zona leste de São Paulo. Palco para rivalidades? Nada disso.

“Um sempre ajudou o outro. Moramos juntos em um prédio, só a família. E eu e meus primos sempre tivemos tratamento de irmãos. A gente considera os primos todos como irmãos. Esse laço é muito forte. Um sempre apoiou o outro, no esporte e na profissão”, disse.

Foco

Jovem e em plena forma física, é de se imaginar que conciliar a vida “normal” com a de atleta olímpica não seja tarefa fácil. As tentações são muitas, sobretudo à noite. E o judoca admite: é difícil mesmo.

“Tem de abrir mão de muita coisa. É bem complicado, mas o resultado final supre tudo isso. Acredito que todo mundo tem o sonho de chegar em uma olimpíada, ser medalhista olímpico. E abrir mão dessas coisas, no final, não faz a gente se arrepender. E depois que passa a gente aproveita”, contou Chibana.

“Mas comigo é bem tranquilo. Praticamente, meus amigos todos são do meio do judô, minha família… Então a galera entende bastante, sabe das coisas. Em casa, quando tem aniversário de alguém, sempre manda mensagem perguntando e apoiam que às vezes não dá para sair e às vezes não tem nem força para levantar da cama.”

Questionado se já pensou, alguma vez, em desistir da vida de atleta em tempo integral, Charles Chibana chega a pensar. Mas logo dá a resposta, firme: “Tem época que cansa, né, fazer sempre a mesma coisa. Mas a gente pensa lá na frente. A gente almeja a medalha olímpica. A gente descansa a cabeça e vai em frente.”

O foco é tanto que ele evita, até mesmo, projetar o futuro e pensar no que fará quando se aposentar da vida de atleta profissional.

“Agora só penso em 2016, penso em ser medalhista olímpico. Só penso no agora. Depois disso eu vejo o que faço da vida. Agora só vivo 2016 intensamente”, afirmou.

E no Rio?

Apesar de, atualmente, ocupar o 19º lugar no ranking mundial da categoria até 66kg, Chibana já foi o número 1 da divisão. Em 2016, foram dois títulos expressivos: o ouro no Campeonato Pan-Americano disputado em Havana (Cuba) e o bronze no Aberto Europeu de Oberwart, na Áustria. No ano passado, o atleta foi campeão no Jogos Pan-Americanos disputados em Toronto, no Canadá.

Entre 2013 e 2014, porém, Chibana viveu o auge. Em 2013, ele ganhou o ouro no Grand Slam de Moscou (Rússia), no Sul-Americano de Buenos Aires (Argentina), nos Pan-Americanos Open de El Salvador e Montevidéu (Uruguai). Além disso, ele foi prata no Grand Slam de Tóquio (Japão) e no Pan-Americano Open de Buenos Aires (Argentina).

Em 2014, ele voltou a ganhar um Grand Slam, desta vez em Tyumen, na Rússia. Ele também foi ouro no Pan-Americano de Guayaquil, no Equador, e bronze no Grand Prix da Turquia.

Essas credenciais fazem com que Chibana seja considerado um dos favoritos na chave até 66kg dos Jogos Olímpicos.

“Procuro fazer meu trabalho. Conheço todos os adversários, eles me conhecem, já cheguei a ser o número 1 do ranking… Não tem zebra, todos têm condições para ganhar. O bem mais preparado e errar menos vai levar a melhor e ser campeão. Espero não errar muito e sair vitoriosa”, disse.

Sem pressão

Lutar em casa é bom e ruim, segundo Chibana. De um lado, há o apoio da torcida brasileira; de outro, a cobrança por resultados. Para lidar bem com a ansiedade e a pressão, o judoca concilia, com os treinamentos, sessões de trabalho psicológico.

“A gente tem acompanhamento com psicólogos. São inúmeros exercícios que fazemos, tanto na parte de ansiedade, saber lidar com a pressão, blindagem… E no final, ajuda na hora da luta. Vamos disputar a primeira olimpíada e uns ficam mais nervosos”, afirmou.

Os exercícios, segundo ele, são de concentração, mentalização e respiração. Tudo isso para ficar mais tranquilo na hora de pisar no tatame.

Além disso, a carga é pesada. Chibana treina seis vezes por semana no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo. São dois períodos de trabalho: pela manhã, musculação; à noite, treino de luta e técnicas.

Ele só para no domingo, quando fica com a família e assiste a seriados. No momento, o judoca está acompanhando a série “Homeland”.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.