Alberto Dualib abre o jogo em entrevista: “Chorei cinco vezes” sobre rebaixamento

Foto: Reprodução/Facebook

O ex-presidente do Corinthians abriu o jogo em entrevista ao site da ‘ESPN’. Com uma idade bem avançada, Dualib, 96 anos, relembrou diversos fatos que marcaram sua passagem como mandatário de um dos maiores clubes do Brasil. Ele é o presidente mais vitorioso desde a fundação do clube, em 1910.

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Parcerias polêmicas com MSI e o empresário Kia Joorabchian, primeira vez de Tite no Corinthians, arbitragem do campeonato brasileiro de 2005, acusações de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, esta são algumas das lembranças que Dualib colecionou em passagem pelo Parque São Jorge. Mas a conversa não tratou apenas de futebol, foram comentados assuntos relacionados á política nacional e o andamento da Operação Lava Jato.

Perguntando se ainda acompanha o futebol, ele foi enfático: “Eu não perco nenhum jogo. Assisto todos”.

Recordou a primeira passagem de Tite pelo Corinthians, e ressalta que Tite não ‘era conhecido’.

“Da primeira vez fui eu, ele não era nem conhecido. Na época a gente não conhecia o trabalho dele. Ninguém conhecia”, comentou. Dualib disse que o técnico ‘foi uma aposta’ e são amigos até hoje.

Diversas polêmicas foram colecionadas e entre elas, a conturbada saída de Tite em função da forte ‘oposição’ do empresário Kia e a MSI. Segundo treinador, na época, Kia queria intervir e escalar os jogadores. Dualib comentou e ainda lembrou que saiu em defesa de Tite, mas MSI e KIA era quem dirigia a equipe e não tinha muito o que fazer.

“Exatamente, o Kia brigou com ele. Foi no vestiário, não lembro bem, parece que perdemos um jogo e ele foi questionar no vestiário. Procurei defender o Tite, mas na época o vestiário pertencia a eles – MSI -, eram eles quem dirigiam o futebol. A MSI era responsável por tudo no futebol, do mesmo jeito que pagava tudo.”

Seguindo a linha sobre MSI, ele ainda respondeu que foi um ótimo negócio e não se arrepende do negócio: “Ganhamos títulos”. Porém, o ex-presidente disse que o final da parceria foi um desastre, porque ‘Kia entrava em tudo, queria mexer em tudo’ e depois disso não viu mais o empresário e nem quer.

Alberto Dualib presidiu o time durante 15 anos, e o sonho de consumo de todo corintiano era um estádio próprio. Dualib diz que tentou diversas às vezes, mas opiniões diferentes sobre onde seria construído não tirou a questão do papel.

“No fim, entrei com a planta para fazer lá no próprio bairro de Itaquera, contrariando a propria prefeitura, que disse que não podia fazer nada lá, por causa da Petrobras.”

Sobre a ligação com Andrés Sanchez, ele disse não ter mágoas e estão sempre conversando. Para quem não lembra, foi Andrés que liderou o movimento para renúncia de Dualib no Corinthians, após 15 anos.

“Isso faz parte da política de um clube. E depois, eu já estava há 15 anos lá. Senti que era a hora de sair. O pessoal que estava comigo não me deixava sair.”

Indagado se injetou dinheiro do próprio bolso enquanto era presidente, ele disse: “Sim, senhor. R$ 12 milhões. e não recebi nada de volta”.

Quem foi o melhor time que você viu jogar? Essa pergunta não deixou dúvidas e ele foi direto: “Corinthians de 98, 99 e 2000”. Na época, o time contava com Dinei, Marcelinho Carioca, Vampeta, Edilson Capetinha entre outros.  A hora mais aguardada da entrevista foi sobre a polêmica da conquista do campeonato brasileiro de 2005, campeonato esse que até hoje é relembrado pela máfia do apito. Perguntado, ele disse que o título foi ‘mais ou menos’ roubado e recorda conversa rápida com Fernando Carvalho, presidente do Internacional na época.

“Foram aqueles 11 jogos. Jogos que perdemos e depois ganhamos. E eu falei para o cara do Internacional: ‘Caramba, eu tirei o título da sua boca’ “.

O rebaixamento foi pior momento em toda história de Corinthians e Dualib não deixou passar em branco, pois alguns ainda o culpo pelo trágico acontecimento em 2007.

“Não, pois estive três vezes em perigo de rebaixamento, e nunca caí. Nunca deixei. Assumia o futebol, acompanhava e fazia preleção, fazia de tudo para ganhar o jogo. Senão ia ser um desastre. Nunca caímos comigo. Quem caiu, caiu na mão do Andrés Sanchez.”

“Eu chorei. Chorei cinco vezes ainda. Chorei. Chorei, estou te falando. Chorei porque caiu para a segunda divisão, e eu nunca deixei cair.”

Não ficou apenas no campo do futebol, a Operação Lava Jato – Caso de corrupção na Petrobrás com empreiteiras – também foi tema da entrevista, mas Dualib disse que ‘não acompanha’. E antes de finalizar, deu seu palpite para o clássico contra o Palmeiras: “2 a 1”.

 

 

 



Apaixonado por futebol, amante da Fórmula 1, comentarista político quando necessário e peladeiro sempre.