Torcedoras do São Bernardo falam sobre paixão pelo Tigre e cobram apoio da diretoria

Crédito da Foto: Impact Produções e Promoções

Desde que foi pela primeira vez ao estádio em 2010, Débora Cortinove nunca mais abandonou as arquibancadas do Primeiro de Maio. Torcedora fanática do São Bernardo, ela já participou da principal torcida do time, a Guerreiros do Tigre. Hoje, sem ligação com nenhuma organizada, Débora faz parte de um grande número de mulheres que têm como rotina a participação frequente nos estádios de futebol.

 

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Hoje, aos 21 anos, Débora coleciona histórias sobre o Tigre e tem o time tatuado em sua pele.

Se por uma lado, a paixão pelo clube a fez conhecer seu noivo, nas arquibancadas do Primeirão, por outro, ela acabou tendo diversos problemas com sua família, que não aceitava o seu fanatismo pelo time.

“O São Bernardo mudou minha vida. Sai de casa aos 17 por causa do time. Passei até necessidades e cheguei a morar de favor. Cresci e me tornei uma mulher dentro dos estádios. Todas as dificuldades e alegrias que passei foram suficientes para me tornar uma mulher forte, capaz de fazer tudo o que eu quero”, desabafou.

Entre tantos momentos que Débora recordou com carinho, o título da série A-2 em 2012, foi um dos mais especiais, pois para ela, o fato de o time começar a competição desacreditado, valorizou ainda mais o acesso à elite do Paulistão.

Segundo a torcedora, alguns jogadores que passam por times considerados pequenos não valorizam o clube da maneira ideal, enquanto outros, que não se importam com o tamanho do time, acabam conquistando de vez a torcida. Daniel Pereira é um exemplo citado pela torcedora, de quem tem amor ao clube.

Débora revelou que o time feminino do São Bernardo faz muita falta para a cidade e pediu que a diretoria volte a investir logo na modalidade.

“Tantas equipes femininas em São Paulo estão tão bem. Veja o exemplo do São José e das Sereias da Vila. O futebol feminino da cidade nunca foi levado a sério. As mulheres não têm suporte e não são reconhecidas como os homens”, falou.

Outra cobrança da torcedora é a valorização e proximidade da diretoria com as mulheres que frequentam o estádio.

Na semana da mulher, o clube lançou uma promoção para as torcedoras pagarem meia entrada no jogo. Recentemente, foi criada uma linha de camisas para as mulheres, mas Débora disse que nenhuma dessas informações chegaram até os torcedores.

“O primeiro passo para eles prestigiarem as mulheres é a volta da equipe feminina. Outra atitude é incentivar pra valer a presença da torcedora aurinegra nos jogos. Faz muito tempo que o futebol deixou de ser apenas para homens. Hoje em dia se vê mulheres, senhoras, famílias, uma grande diversidade nas arquibancadas, mas parece que a diretoria não enxerga isso”, completou.

Além da Débora, outras torcedoras do São Bernardo também cobram maior incentivo da diretoria para as mulheres que acompanham futebol.

Giovanna Carrasco, de 20 anos, acompanha o time do coração há seis anos e acredita que as mulheres não precisam de um tratamento diferenciado dentro do clube e sim igualitário.

“Hoje a mulher está no estádio não apenas para acompanhar o namorado ou marido, mas sim por amor ao clube. Isso mostra que o futebol é do povo, sem distinção de gênero. As diretorias dos clubes precisam valorizar e mostrar para todos que têm muitas mulheres nos estádios”, disse.

A convite de um amigo, foi com seu pai pela primeira vez ao Primeiro de Maio, em um dia que segundo ela, foi amor à primeira vista pelo São Bernardo.

A emoção sentida na primeira partida, fez a jovem torcedora perceber que aquele era o seu mundo. Não pretendia mais abandonar o clube e mesmo com sua família ficando insegura em deixá-la ir sozinha aos jogos, passou a acompanhar o Tigre em partidas dentro e fora de casa.

“Fiz do São Bernardo a minha vida. Após aquele primeiro jogo no estádio, eu não me vejo mais sem o Tigre. Meu amor vai desde os pequenos detalhes como uma decoração no quarto, até o fato de deixar de ir à festas com amigos ou família, para não perder um jogo”, contou Giovanna, apelidada pelos amigos de Bernô.

Com emoção, Giovanna lembrou da partida que o São Bernardo fez em Curitiba em 2013, contra o Paraná, em que ela pôde de perto ver o Tigre vencer os donos da casa de virada, com gol de Bady. O jogador inclusive é um dos preferidos da torcedora, que também admira Raul, Zé Forte e o volante Marino.

Cada pessoa que passa a acompanhar de perto um time de futebol, se identifica por algum motivo. Um jogador, um título ou lances bonitos.

Emanuelle do Amaral se recorda que desde os sete anos de idade começou a visitar o Primeiro de Maio. Passados dez anos, a torcedora aurinegra se lembra bem do que impulsionou sua paixão pelo São Bernardo.

“O ritmo envolvente, a energia que a torcida transmitia e o apoio ao time durante 90 minutos, em uma grande festa na arquibancada, foi meu primeiro contato marcante com o clube, o que me fez apaixonar”, relatou.

Como suas companheiras de torcida, Emanuelle também espera mais ações da diretoria para as mulheres e torce para que se torne natural a presença feminina nos estádios.

“Sempre vejo a cara de admiração e incredulidade de algumas pessoas na arquibancada, ao verem as meninas da torcida cantando ou tocando, vejo que é uma surpresa para muitos, mas no geral a expressão é de aprovação”, revelou.

Emanuelle enalteceu a trajetória do goleiro Daniel no clube, pela consideração que ele demonstra por toda a torcida. Após cada partida, o jogador faz questão de agradecer a todos os torcedores presentes.

Com orgulho a torcedora falou sobre a temporada mais vitoriosa desde a fundação do clube.

“Aquela partida contra o Água Santa foi muito especial. Brigávamos no começo do ano para não cair e no final garantimos a tão sonhada vaga na Série D. Ver torcida e time partilhando a emoção no final do jogo é inexplicável”, declarou.

Envolvida diretamente com a torcida Guerreiros do Tigre, onde é diretoria, Emanulle explicou que tudo o que viveu dentro do clube desde a sua infância, contribuiu diretamente com o seu desenvolvimento.

“Aqui amadureci como pessoa. Vivi momentos bons e adversos e conheci inúmeras pessoas, que me ajudaram a ser quem eu sou, mesmo ainda tão jovem. O futebol é uma escola incrível”, desabafou.

 

Crédito da Foto: Arquivo Pessoal
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Crédito da Foto: Arquivo Pessoal
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