Real Madrid x Atlético de Madrid: 5 motivos para ficar de olho na final

Real Madrid
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Da importância de Casemiro como cabeça de área do Real Madrid aos contra-ataques certeiros do Atlético, aqui são cinco tópicos para ficar de olho na final da UEFA Champions League em Milão.

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O cabeça de área

Muitas coisas mudaram para Casemiro desde que Zinedine Zidane assumiu o comando do Real Madrid. Talvez a decisão com maior impacto fosse trazer Casemiro para o time titular, que acabou desequilibrando no meio-campo ‘merengue’. Casemiro não é nenhum craque, mas é um primeiro volante muito preciso. O jogador revelado no São Paulo é o melhor volante defensivo da equipe, com média de 3,3 desarmes por jogo, o brasileiro evoluiu muito desde o começo de sua carreira. Quando você está jogando numa equipe com Gabi, Koke, Augusto Fernández e Saúl Ñíguez no meio-campo, você definitivamente precisa de uma força extra no meio-campo, e Casemiro é sem dúvida o homem certo para esse trabalho. Apesar do camisa 14 ainda precisar ser muito apoiado por Toni Kroos e Luka Modric, o meio-campo do Real Madrid vai estar várias vezes em menor número contra um Atlético tão agressivo.

O Real Madrid pode neutralizar os contra-ataques do Atlético?

O gol solitário na vitória por 1-0 do Atlético contra o Real Madrid no campeonato espanhol em fevereiro, veio quando Filipe Luís lançou a bola nas costas dos zagueiros em espaço livre na esquerda, como ao que Antoine Griezmann partiu em direção ao gol depois de um volume de jogo absurdo do Atlético no meio-campo. Esta é uma característica de jogo de Simeone. Apesar de sua reputação como especialista defensivo, o Atlético arma duas linhas para ficar a frente tanto de zagueiros adversários, quanto de meio-campo, e muitas vezes com precisão impecável. A fim de minimizar qualquer problema na súmula, os Colchoneros devem ser disciplinados no acompanhamento destas linhas, particularmente Filipe Luís e Juanfran. Com Gareth Bale e Cristiano Ronaldo muitas vezes menos capazes de defender, muita responsabilidade cairá sobre Casemiro e o resto do meio-campo.

Madrid deve combater rapidamente quando o Atlético jogar para a frente

Há dois lados de cada moeda e o Real Madrid também pode usar o atacante moderno – aquele que ataca e volta para marcar – em sua vantagem. Para fazer isso, Los Blancos vão precisar fazer pressão na defesa do Atlético e estar prontos e dispostos a um contra-ataque. Com a velocidade do trio BBC e de Kroos e Modric, na capacidade de jogar sem pressão eles têm as ferramentas perfeitas para se dar bem, como vem demonstrando com sucesso em grandes jogos sobre as poucas temporadas passadas. A capacidade do Madrid para quebrar qualquer zaga pode ser sua melhor chance de gol, mas devem fazê-lo rapidamente, antes que o lado do Simeone possa neutralizar sua muralha defensiva sob o Real. Como todos sabem, uma vez que estão em posição defensiva, é quase impossível quebrar a fortaleza defensiva montada por Simeone.

A importância do plantel

Em uma final, cada detalhe importa e lances são muito mais do que um mero detalhe. Eles são absolutamente cruciais para Atlético e Real Madrid, a julgar pelas estatísticas da temporada. As duas equipes da capital marcaram 18 gols coletivos durante a temporada de La Liga. Isso significa que 16% dos gols do Real Madrid vieram de lances coletivos, enquanto a percentagem do Atlético é ainda maior: o conjunto de peças representa uma extraordinária 28% de seus gols. Diego Godín é a principal referência para Los Colchoneros, mas o Real Madrid também deve manter o controle de José Giménez, que está entre os melhores cabeceadores atuando na Espanha. Lembram-se de Lisboa há dois anos atrás? Fãs do Real Madrid certamente lembram-se do empate final de Sergio Ramos – e todo mundo sabe que o capitão do Real é bom um cabeceador – mas a arma secreta do Madrid seria Gareth Bale, que marcou 47% de seus gols dessa maneira.

Maior capacidade de Simeone para mudar o jogo durante os 90 minutos

A perda recente do Atlético para o Levante na liga espanhola, que os fizeram jogar fora qualquer esperança de conquistar o título, ilustrou a importância de ter Diego Simeone no comando do banco de reservas. O argentino foi suspenso nos três últimos jogos na liga, após o incidente de lançar a bola em campo, ainda quando o jogo contra o Málaga estava rolando. Sua presença foi muito sentida durante uma performance irreconhecível contra o pior time da primeira divisão da Espanha. Com seu ‘estilo Libertadores’ gesticulando e gritando incessantemente a beira do gramado, às vezes ele pode parecer um 12º jogador em campo, um ponto de referência adicional para seus jogadores durante uma partida. Zidane tem um estilo muito diferente, e sua inexperiência pode mostrar ainda mais se ele for acionado para mexer no time em uma situação de perigo para o Real Madrid, com um ajuste na estratégia ou uma substituição. Simeone, com sua perspicácia tática comprovada e seu entendimento de como obter uma reação de seus jogadores, tem vantagem clara neste fator.



Jornalista em formação pela Universidade Anhembi Morumbi, aficionado por futebol e que, segundo fontes, escolheu o jornalismo após a final do Campeonato Paulista de 1999. No torcedores.com, busca retratar o futebol europeu na visão de um antigo morador da Inglaterra, mas nunca deixando a essência do futebol tupiniquim de lado.