PAPO TÁTICO: Santos ou Audax? Quem será o campeão paulista de 2016?

Crédito da foto: Ivan Storti / Santos FC

Santos e Audax Osasco fazem amanhã, na Vila Belmiro, o jogo que decide o campeão paulista do ano de 2016. A final (uma das mais improváveis para muita gente) reúne a experiente equipe comandada por Dorival Júnior, Ricardo Oliveira, Gabriel e Lucas Lima (todos convocados para a Copa América Centenário) e o surpreendente time comandado por Fernando Diniz e os ótimos Tchê Tchê, Mike, Sidão e Camacho. De um lado temos um escrete já rodado e mesclado por experiência e juventude. E do outro temos uma equipe que se reinventa a cada jogo, adepta do toque de bola e complemente avessa aos chutões e ao pragmatismo. Além do título paulista de 2016, veremos amanhã, na Vila Famosa, um belo duelo tático de duas escolas que privilegiam o futebol bem jogado. Melhor pra nós.

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A julgar pelo que eu e você vimos no jogo de ida da decisão lá em Osasco, na semana passada, a tendência é que vejamos as duas equipes buscando o gol a todo instante. Vale destacar aqui a campanha das duas equipes na competição até o momento. Santos e Audax disputaram dezoito partidas cada um. O Peixe tem um retrospecto um pouco melhor: foram dez vitórias, sete empates e apenas uma derrota, com 32 gols marcados e 17 sofridos. Já o chamado “Barcelona de Osasco” tem oito vitórias, cinco empates e cinco derrotas, com 31 gols marcados e 25 sofridos. Só essa primeira análise dos números, já dá pra perceber que o Santos tem uma equipe mais equilibrada defensivamente falando do que o Audax.

Mas se existe uma “superioridade”, ela para por aí. O Audax provou mais de uma vez que merece respeito dos adversários e que não chegou na final do Paulistão por mera obra do acaso. O esquema montado por Fernando Diniz (que já declarou que tem no Flamengo de 1981 e no Barcelona de 2011 as suas grandes inspirações) alia velocidade e toque de bola, variando facilmente de um 4-2-3-1 para uma espécie de 3-1-4-2 durante as partidas, destacando o bom futebol de Camacho na saída de bola, Yuri na proteção da zaga e de Tchê Tchê, ora como lateral, ora como volante. A ligação direta está praticamente proibida. O que conta de verdade são as triangulações a aproximação dos setores e a velocidade no ataque.

Já o Santos de Dorival Júnior aposta no bom e velho 4-2-3-1 que libera Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabriel para o ataque, mas mantendo sempre o equilíbrio defensivo com Renato e Thiago Maia na proteção da defesa e com os avanços de Victor Ferraz e Zeca pelas laterais. Vale destacar aqui a presença de Victor Bueno no meio-campo santista. O jogador (embora seja criticado pela torcida) faz o contraponto defensivo no meio-campo, avançando pelos lados e trocando de posição com Gabigol e auxiliando Zeca na marcação pelo lado esquerdo. No primeiro jogo da finalíssima, o camisa dezoito foi fundamental para explorar as descidas de Tchê Tchê e Mike pela direita. E no meio-campo, Lucas Lima assume o papel de maestro da equipe.

Times que entraram em campo no primeiro jogo da decisão do Paulista, em Osasco. Enquanto o Santos manteve o 4-2-3-1 com Lucas Lima na armação das jogadas, o Audax seguiu com seu estilo e forçando pelo lado direito com Tchê Tchê e Mike. O empate até que foi justo. Campinho feito no Tactical Pad.

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É bem verdade que o Santos tem problemas. A começar pelo seu maestro e principal articulador de jogadas, Lucas Lima. O camisa 20 sofreu uma lesão no tornozelo no primeiro jogo da final do Paulistão e é dúvida para a partida decisiva na Vila Belmiro. Caso não tenha condições de jogo, a tendência é que Dorival Júnior opte pela entrada de Ronaldo Mendes (autor do gol do empate no domingo passado). O desenho tático não muda, mas a equipe santista perde em qualidade na saída de bola e muda um pouco o seu estilo, atuando de maneira mais vertical e menos cadenciada. Além disso, a marcação pelos lados do campo nem sempre é eficiente, principalmente pela esquerda, onde Zeca tem sérias dificuldades por ali.

E o Audax, embora encante pelo estilo de jogo leve e de toques rápidos, também tem seus problemas. Não foram poucas as vezes em que o avanço dos jogadores de meio-campo abriu uma cratera na frente da defesa. As melhores chances do Santos na partida disputada em Osasco aconteceram quando a equipe explorou essa deficiência. Yuri, Camacho, Bruno Paulo e Tchê Tchê nem sempre recompõe o sistema defensivo com a velocidade necessária e os clarões aparecem. Além disso, o bom zagueiro André Castro está fora da partida decisiva e deve dar lugar ao experiente Francis, volante que já passou por Atlético-MG e vários outros clubes do interior de São Paulo. O esquema tático básico não deve mudar.

Como toda decisão, é muito complicado apostar num vencedor. O Santos terá a força da sua torcida e a marca da invencibilidade no seu estádio: já são vinte e sete jogos sem saber o que é uma derrota em casa. E o Audax, mesmo entrando como “franco atirador”, tem condições de surpreender como aconteceu no jogo contra o Corinthians, pelas semifinais da competição, atuando em Itaquera. O Peixe, na humilde opinião deste que vos escreve, sai na frente pela experiência da sua equipe. Por outro lado, os “Audaxiosos” merecem respeito pela campanha na competição e pela convicção no seu estilo de jogo.

Quem será o campeão paulista de 2016? O Santos ou o Audax? Façam as suas apostas…



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.