PAPO TÁTICO: Como o Real superou o Atlético e conquistou “La Undécima”

Crédito da foto: Reprodução / Facebook / Real Madrid C. F.

Não foi nada fácil. Aliás, conquistar uma Liga dos Campeões nunca foi uma tarefa fácil. E o Real Madrid sabe muito bem disso. Os merengues suaram muito para superar o valente Atlético de Madrid depois de 120 minutos de futebol e uma disputa de pênaltis para ficar com “La Undécima”. Méritos do trabalho de Zinedine Zidane que, apesar de ter mexido mal durante o tempo normal, soube como rearrumar a sua equipe e tirar o melhor de jogadores durante o tempo extra. Casemiro, Sergio Ramos, Marcelo, Toni Kroos e Gareth Bale foram verdadeiros monstros nessa decisão. Assim como foram Gabi, Carrasco, Filipe Luís, Godín, Juanfran, o técnico Diego Simeone e todo o elenco colchonero nessa tarde em Milão. A Liga dos Campeões da UEFA 2015/16 está em ótimas mãos.

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Quando as duas equipes adentraram o gramado do San Siro, em Milão, muitos esperavam uma decisão ainda mais emocionante do que a de dois anos atrás, quando o Real Madrid superou o Atlético por quatro a um em Lisboa, depois de empate no tempo normal. Muitos relembravam o gol salvador do zagueiro Sergio Ramos nos acréscimos da etapa final, quando os colchoneros já se preparavam comemorar o título inédito. No entanto, o que vimos em Milão foi uma partida bastante nervosa e com muitas faltas (algumas até bem ríspidas) e cartões amarelos (oito no total). Tivemos sim bom futebol e belas jogadas, como as realizadas por Gareth Bale e Toni Kroos no lado esquerdo do ataque do Real Madrid. Mas o começo da partida não foi dos mais animados. As duas equipes pareciam estar se estudando nesses primeiros minutos.

O panorama mudou com o gol de Sergio Ramos (em posição irregular) aos quatorze minutos da primeira etapa. O Atlético de Madrid, armado no seu usual 4-4-2 e com o francês Antoine Griezmann buscando mais o lado esquerdo do que o costume, não conseguia furar o eficiente bloqueio defensivo do seu adversário, apesar dos gritos e orientações de Diego Simeone. Já o Real Madrid seguia armado no usual 4-1-4-1 com Casemiro jogando como um veterano na frente da zaga e qualificando a saída de bola merengue. Mais à frente, Bale e Benzema faziam boas tramas, apesar da atuação discreta de Cristiano Ronaldo. Mesmo com a mãozinha do árbitro inglês Mark Clattenburg, os merengues fizeram por merecer a vitória parcial.

Com Griezmann buscando mais o lado esquerdo, o Atlético não conseguiu superar o bloqueio defensivo do Real, que abriu o placar com um gol irregular de Sergio Ramos aos quatorze minutos do primeiro tempo. Destaque para as boas atuações de Casemiro, Toni Kroos e Gareth Bale.
Com Griezmann buscando mais o lado esquerdo, o Atlético não conseguiu superar o bloqueio defensivo do Real, que abriu o placar com um gol irregular de Sergio Ramos. Destaque para as boas atuações de Casemiro, Toni Kroos e Gareth Bale.

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Com a desvantagem no placar, mais do que natural que Simeone fosse mexer na equipe. Logo depois do intervalo, o belga Carrasco entrou na vaga de Fernández. O camisa 21 foi ocupar o lado esquerdo do ataque com Saúl Ñiguez e Koke formando uma trinca de volantes com o incansável Gabi. Espelhando o esquema tático do adversário (e às vezes jogando num 4-3-3 clássico) o Atletico teve a chance do empate logo no primeiro minuto da etapa final, com Pepe fazendo pênalti (duvidoso) em cima de Fernando Torres. Quis o destino que Griezmann, o melhor jogador da equipe colchonera, acertasse o travessão. Faltava sorte ao Atlético. E ela sobrava no Real. No entanto, mesmo com o pênalti desperdiçado, os comandados de Simeone não desanimaram e seguiam tentando o gol de empate.

A maré começou a ficar do Atlético quando o bom lateral Carvajal precisou ser substituído pelo brasileiro Danilo e quando Zidane, de maneira precipitada na visão deste que vos escreve, sacou o francês Benzema (que vinha fazendo boa partida) para a entrada do também atacante Lucas Vázquez. O Real demorou a se encontrar e sofreu o gol de empate em dupla falha de marcação brasileira: Marcelo não acompanhou Juanfran pela esquerda e este cruzou rasteiro para Carrasco (sob os olhares de Danilo) escorar para as redes e igualar o marcador. Logo depois, do gol, Zidane tentou dar sangue novo à sua equipe com Isco na vaga de Toni Kroos. Apesar da pressão do Atlético, o marcador não mudou até o apito final.

Carrasco entrou no lugar de Fernández e o Atlético se rearrumou no mesmo 4-1-4-1 do Real. Do outro lado, Zidane errava a mão nas substituições e via sua equipe passar sufoco nos minutos finais do tempo normal em Milão.
Carrasco entrou no lugar de Fernández e o Atlético se rearrumou no mesmo 4-1-4-1 do Real. Do outro lado, Zidane errava a mão nas substituições e via sua equipe passar sufoco nos minutos finais do tempo normal em Milão.

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Antes da bola rolar no tempo extra, Zidane teve tempo para reorganizar a sua equipe e repetir a atuação da primeira etapa. Com Modric e Isco um pouco mais avançados, Lucas Vázquez e Cristiano Ronaldo voltando pelos lados e Gareth Bale jogando mais centralizado e aproveitando os contra-ataques, o Real conseguiu encurralar novamente o Atlético e criou boas chances de marcar o segundo gol. Mas o Atlético também ameaçava: Koke e Griezmann assustaram Navas em bons lances interceptados pela defesa merengue. Vendo sua equipe cansada, Simeone voltou com o 4-4-2 com Carrasco voltando pela esquerda e forçando em cima de Marcelo e com Saúl Ñiguez vigiando Marcelo pelo outro lado.

O brasileiro Filipe Luís (muito bem na partida) sentiu o cansaço e acabou sendo substituído pelo zagueiro Lucas Hernández já no segundo tempo da prorrogação. Mas era o Real quem conseguia criar as melhores chances de gol que seguia encurralando o Atlético no seu campo, apesar da exaustão de Bale, Modric e Cristiano Ronaldo. Precisando fechar o meio-campo, Simeone mandou o ganês Thomas Partey para o jogo (no lugar de um extenuado Koke) com a missão de auxiliar na marcação pelo setor. Apesar do bom futebol jogado na prorrogação, nenhuma das equipes conseguiu balançar as redes. Para desespero de uns (e felicidades de outros mais sádicos) o título da Liga dos Campeões seria decidido na disputa por penalidades.

Zidane conseguiu arrumar a equipe do Real Madrid na prorrogação com Modric e Isco mais próximo do trio ofensivo. Já o Atlético esbarrava no próprio cansaço e na atuação magistral de Casemiro, o comandante do meio-campo merengue.
Zidane conseguiu arrumar a equipe do Real Madrid na prorrogação com Modric e Isco mais próximo do trio ofensivo. Já o Atlético esbarrava no próprio cansaço e na atuação magistral de Casemiro, o comandante do meio-campo merengue.

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Quis o destino que Cristiano Ronaldo (que não teve boa atuação no tempo normal e na prorrogação) convertesse o pênalti que deu o décimo-primeiro título da Liga dos Campeões para o Real Madrid após o lateral Juanfran mandar a sua cobrança na trave. No final das contas, o time comandado por Zinedine Zidane acabou sendo mais eficiente nos detalhes e mais feliz na marca de cal do que os comandados de Diego Simeone. Vale destacar aqui as atuações de Casemiro (um monstro no meio-campo merengue), Toni Kroos e Gareth Bale e Gabi (outro monstro), Saúl Ñiguez, Carrasco e Godín pelo lado colchonero. O título ficou com o Real. Mas não seria nenhuma injustiça se a “orelhuda” fosse parar nas mãos do Atlético. Mas justiça nunca foi o forte do velho e rude esporte bretão.

“La Undécima” coroa o trabalho iniciado por Zidane há cinco meses, quando este substituiu Rafa Benítez no meio de uma grande crise dentro do Real Madrid. O francês teve calma e encontrou a formação ideal, contornando os problemas internos e a insatisfação de alguns atletas com a reserva (caso de James Rodríguez). Os merengues tiveram a melhor defesa da competição (apenas seis gols sofridos) e ampliaram a sua hegemonia no continente. Do outro lado, apesar da dor e da tristeza pelo segundo vice diante dos maiores rivais, Simeone merece aplausos e o reconhecimento pelo belíssimo trabalho realizado no Atlético. Sem dúvida alguma, “El Cholo” já escreveu seu nome na história dos colchoneros.

Como dissemos mais acima, a Liga dos Campeões 2015/16 está em ótimas mãos. O Real Madrid de Zidane, Cristiano Ronaldo, Bale, Benzema, Kroos, Modric, Sergio Ramos e de Casemiro (olho nele, Dunga!) fez por merecê-la. Pela décima-primeira vez…



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.