Opinião: Brasileirão, previsões imprevisíveis

Foto: Divulgação Site da CBF

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Prever o imprevisível. É o que é fazer qualquer tipo de previsão estando apenas na terceira rodada do Brasileirão. Ainda assim, no reconhecido imediatismo do futebol brasileiro, determinados clubes passam por vociferação interna e externa, por parte de seus torcedores.

Analisando o que se tem em mãos, ou seja, essas mesmas ditas três rodadas, já cabe um embrionário paralelo. O lado bom, e o lado ruim da coisa. No meio disso, também existe o lado incerto, que não é indiferente, mas que não chega a feder e nem também cheirar bem.

Começando pelo primeiro, não há como não citar os dois grandes de Porto Alegre. O Grêmio se apresenta do jeito que terminou o ano passado; Seguro, ajustado, sincronizado e com um aparente destino de conseguir no mínimo vaga para a libertadores. Já o Internacional, que não conseguiu essa mesma vaga por uma posição no ano passado, confirma o bom momento derivado do título estadual, e figura entre os principais da tabela nesse início de campeonato. Se o momento é bom nos resultados, não se pode dizer o mesmo do futebol jogado pelo colorado. Efeito de seu treinador -, que agradando ou não costuma conseguir o que quer.

Em São Paulo, o Palmeiras parece enfim confirmar o bom elenco que tem com resultados e imposição. Perdeu para a Ponte, mas já soma duas vitórias, início excelente se comparado com antigas (mas recentes) edições. No Rio, o Fluminense agrada, Levir Culpi faz trabalho melhor que Eduardo Baptista e deverá ter o elenco fortalecido com a natural chegada dos reforços falados na Laranjeiras.

Fugindo dos grandes centros e indo aos injustamente desfavorecidos de cotas ao menos comparáveis ao “pelotão 12”, não tem como ignorar o quão boa é a equipe da Chapecoense. Daquelas bonita de se ver; sem brilho individual, mas extremamente bem treinada, ofensiva, equilibrada e que parece sempre fazer o certinho. Guto Ferreira no ano passado começou assim na Ponte Preta, e teve uma lapsa queda de rendimento. Á ver se o filme se repetirá no verdão do oeste, ou não. Em Recife, depois de boa campanha do Sport no ano passado, quem agora brilha é o Santa Cruz, como um pintor, que faz o desenho da sua vida depois de vários rabiscos com um grafite. O técnico Milton Mendes não perdeu desde que chegou a Pernambuco, mais que um marca de invencibilidade, estes números sacramentaram “apenas” duas taças das mesmas duas copas que o tricolor teve no primeiro semestre.

Na parte situacional negra neste começo, o Cruzeiro arranca no pelotão de uma frente nem um pouco desejada. O portuga ainda está conhecendo o elenco, que foi montado com grande expectativa mas que até agora só falha. O América Mineiro, vizinho da raposa, parecia bem demais com a conquista do título estadual, mas ver a realidade do teoricamente pobre elenco bater a porta na Serie A. Também campeão em seu estado, além de vice regional, o Atlético Paranaense iniciou o brasileiro de uma forma bem distante do que o seu torcedor fanático esperava. São duas derrotas, sendo destas uma goleada sofrida, e um empate, jogando dentro de casa. Contudo, o  time de Autuori tem boas peças e mostra um nível de desemprenho bem maior que o seu posto na classificação da tabela atual.

No Rio, os rivais Botafogo e Flamengo preocupam suas torcidas de modo diferente. Um tem elenco fraco mas consegue maior estabilidade, e outro tem bons nomes, mas se mostra extremamente deficiente e dessintonizado. O Brasileirão será longo para ambos, caso a abertura da janela internacional não faça o efeito que as respectivas torcidas aguardam.

Por fim, Sport e Figueirense lutam constantemente para ver quem joga o pior futebol. O rubro-negro pernambucano tem um ataque inoperante, com assustadores dois gols marcados nas últimas sete partidas. Já o Figueira mostra na prática o que o papel já fala com os atletas que possui em seu plantel. A situação só não é pior que a do Sport, pois a folha salarial do alvinegro de Santa Catarina é bem menor que a do leão. Nos dois casos, reforçar será preciso.

Acentuando os não sujos mas também não tão limpinhos, Corinthians e Atlético Mineiro são os que mais deixam incerteza em seus torcedores. O timão agradeceu aos céus um empate em casa contra um Grêmio a desperdiçar várias chances, perdeu para o Vitória em Salvador, e enfim, atuou bem contra uma inoperante Ponte Preta. Difícil saber para que lado o atual campeão brasileiro penderá no restante da competição. Já o galo, ainda caducado pela eliminação na Libertadores, tenta respirar na temporada com o início da era Marcelo Oliveira, técnico recém-chegado ao clube. Com um empate, uma derrota e uma vitória, um new fator ainda maior que uma mudança no comando parece ser preciso.

O Coritiba, diferente do ano passado, parece ter um time bem seguro. Nada que empolgue, mas também nada que deixe a torcida ferozmente preocupada com um possível rebaixamento. Estreou vencendo em casa, e fez jogos regulares contra Santos e São Paulo. Estes que também não dão a cara para nada. O peixe oscila naturalmente pela pouca idade da maioria de seus jogadores, e o tricolor paulista só se mostrará de uma forma definitiva para ruim ou para bom quando tiver sua situação definida na Libertadores.

Na Ponte Preta, o dilema é saber qual a cara do time no brasileirão. Consistente em casa contra o Palmeiras, frágil e invisível fora contra o Corinthians. perante o Figueirense, em Floripa, teve chances de vencer, mas aceitou o ponto fora, simbolizando como deverá ser o time no campeonato -, interessado apenas em fazer o dever de casa mínimo para não sofrer susto de queda. Enquanto o Vitória, por sua vez, se mistura em momentos que vão além de rodadas. A equipe sofre por oscilações dentro dos seus próprios jogos, vai do céu ao inferno em minutos, e se configura entre sorrisos e lamentos contínuos. Foi assim contra o Santa, quando começou melhor mas terminou goleado, e contra o Corinthians, onde começou pior, mas venceu de modo empolgante. No independência, contra o América, mais uma vez variou no domínio da partida e saiu com um justo empate. Resta saber o que o rubro-negro baiano vai mostrar no seguimento das rodadas, e se Vagner Mancini dará equilíbrio ao time. Se conseguir, minimizará em muito o risco de queda.