Opinião: o que Aguirre precisa fazer para melhorar o Atlético-MG?

Crédito da foto: Bruno Cantini/CAM

O técnico uruguaio do Atlético, Diego Aguirre, chegou com grande expectativa ao clube. Acabara de eliminar o próprio Atlético pela Libertadores enquanto treinador do Internacional de Porto Alegre e trazia consigo o famoso rodízio de jogadores, muito comum na Europa mas que ainda não emplacara por aqui. Embasado pela boa campanha pelo Inter, cá está.

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Cinco meses após desembarcar na Cidade do Galo, Aguirre está longe de ser unanimidade. Ao contrário, já escuta ao pé do ouvido os primeiros clamores para a substituição do posto de treinador. Tudo isso porque os atleticanos tem a certeza de que a equipe pode render muito mais do que vem apresentando.

Mas tal melhoria viria tão somente com a troca de treinadores? Aguirre ainda tem condições de evoluir o futebol do Galo? Como? Sim. Sim. Ai demora! Mais do que gírias do futebolês o uruguaio precisa aplicar conceitos. Vamos lá:

Treino é treino: os jogadores do Atlético são bons tecnicamente. O time roda bem a bola, troca bons passes e os setores – ataque, meio campo e defesa – são harmônicos mas não entre si. Falta compactação no estilo de jogo. Nota-se distância grande entre os setores. Cabe ressaltar que dentro de campo os atletas usam muito mais o talento e a leitura de jogo do que jogadas ensaiadas ou exaustivamente treinadas.

Jogo é jogo: falta, apesar de cinco meses de trabalho, um esquema tático e um time titular. Padrão de jogo é um desejo distante. Até o presidente Daniel Nepomuceno já cobrou uma equipe titular. Cada jogo é um esquema. A cada jogo uma escalação diferente. Ainda que se descontem as baixas médicas. Não significa dizer que tanto time quanto esquema devam ser engessados, mas é fundamental que se tenha uma base bem montada.

Feijão com arroz: Aguirre é muito contestado pelas opções que faz. Seja na escalação ou nas substituições. Improvisa jogadores enquanto tem a disposição opções da mesma função, mexe mal na equipe, ao passo que suas medidas não surtem efeito, reflexo da falta e treinamento. Demonstra desconhecer o elenco ou deficiência na leitura de suas opções.

Retranqueiro: de todas as equipes da América do Sul, com futebol reconhecidamente defensivo, o Brasil é o país que mais destoa dessa característica. Nosso futebol é agressivo, pra frente, criativo. Aguirre é um técnico extremamente sul-americano: um gol de diferença é goleada. Independente do momento em que faça o gol, se no primeiro minuto ou no último, o uruguaio arma a famosa “boca de bode”. Aí são intermináveis minutos de pressão e sufoco. Falta coragem pra buscar o gol da tranquilidade e isso acaba por tolir as qualidades da equipe.

Ganhar o Mineiro: a conquista do estadual garantirá a Aguirre maior tranquilidade para trabalhar e continuar com suas experiências. O esquema de rodízio que deseja implantar demanda tempo para que todos os jogadores estejam no mesmo (bom) nível técnico. É tarefa difícil, mas o treinador está convicto de que essa será a melhor escolha para o Galo.

A vitória contra o Racing mostrou a qualidade do elenco. Mostrou também que a torcida está certa em cobrar mais tanto do técnico quanto dos jogadores. E isso não passa apenas por querer um time estável e equilibrado em jogos importantes. Deve-se buscar equilíbrio em alto nível principalmente para a disputa de um campeonato de regularidades como o Brasileirão que já bate a porta. Tá, tem a tal da prioridade. Mas vai explicar isso pra torcida, vai!!!