Opinião: Hora de reavaliar o projeto Grêmio 2016

FOTO: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação

Eliminado de maneira vexatória da Libertadores, o Grêmio precisa de uma reavaliação profunda e ações pontuais para que o planejamento até o final do ano tenha algum sucesso e o torcedor finalmente comemore um título. 

Todo e qualquer projeto profissional possui metas a curto, médio e longo prazo – sendo esse último geralmente a parte final, a conquista do objetivo maior. Para atingir esse objetivo final, cada fase do projeto deve estar rigorosamente alinhada em uma sequência que se permita paulatinamente construir as bases necessárias dessa grande conquista. E fundamentalmente à tudo isso, estão as reavaliações ao longo do processo.

Pois bem, chegou a hora do Grêmio reavaliar o seu projeto de futebol em 2016. 

Considerando que o planejamento do ano tricolor foi dividido em duas partes (primeiro e segundo semestres), chegamos ao final, claramente de maneira antecipada, do primeiro ciclo. O grande objetivo era sem dúvida vencer a Libertadores da América. Sendo que as metas a curto e médio prazo eram: manter a base de 2015, contratar bem e fazer uma boa pré-temporada; conquistar a incipiente Primeira Liga para tirar o peso dos anos sem caneco; e no mínimo estar na final do Campeonato Gaúcho para barrar o hexacampeonato do rival.

Nesse sentido, reavaliando as metas desse primeiro semestre, o Grêmio fracassou em quase todas – porém nas determinantes para o torcedor.

Quando foi mantida a base de 2015 todos aplaudiram de pé os esforços da direção gremista. Cumprida essa meta inicial, na reavaliação interna, os dirigentes provavelmente sabiam que essa “conquista” traria como consequência, um aumento de expectativa junto ao torcedor; de que finalmente o clube iria quebrar o jejum de títulos.

A equação é simples: aumento da expectativa = aumento da responsabilidade = aumento da frustração do torcedor.

Mas aí aconteceu um efeito cascata de insucessos no planejamento tricolor.

Primeiro, não há como negar que as contratações foram insuficientes e equivocadas; e que a não vacinação dos atletas causou problemas de sequência na equipe. Segundo, dentro de campo, o Grêmio de 2015 só reapareceu no final de março. Depois, já fora da Primeira Liga e o fatídico Gre-Nal de Bolanõs, manteve-se o discurso de prioridade para o Gauchão em meio à Libertadores. Ao final, o excesso de jogos sobrecarregou o calendário tricolor, causou lesões e, depois de fazer uma partida de excessão em Quito, foi eliminado pelo Juventude no estadual.

Sem cumprir com as metas de curto prazo, o Grêmio apresentava uma bipolaridade típica de um “projeto” que estava mau alinhavado e necessitava uma rápida reavaliação interna. Era preciso virar a chave para não ser eliminado precocemente na Libertadores – o maior objetivo do primeiro semestre.

Porém ontem, depois de mais uma vez ser amplamente dominado por um Rosario Central bem organizado taticamente, forte tecnicamente e que priorizou a Libertadores, o Grêmio deu adeus a competição de forma melancólica: com um grupo de jogadores visivelmente abalado, um treinador sem soluções táticas e um torcedor completamente frustrado.

Assim o projeto do Grêmio para 2016 chega na metade do ano em frangalhos. E como em qualquer projeto profissional é a hora dos dirigentes se fecharem numa sala com a comissão técnica e fazer uma reavaliação profunda dos equívocos cometidos até agora.

Somente assim, de forma planejada, com ações pontuais implementadas à curtíssimo prazo, o projeto de futebol do Grêmio em 2016 irá engrenar e ao final do ano o torcedor (quem sabe) possa comemorar algum sucesso do tricolor.



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.