Opinião: “Gigante” Givanildo Oliveira reina cada vez mais no futebol

Crédito da foto: Reprodução/Youtube

Minas Gerais é verde e branco. Aos 36 minutos do 2º tempo, Danilo marcou e com o empate, o América-MG sagrou-se Campeão Mineiro de 2016. Vários nomes do Coelho mereceriam destaque. João Ricardo, Leandro Guerreiro, Bryan, Victor Rangel, enfim, porém, o mais importante de todos eles não calça chuteiras, mas sapatos, no lugar do calção e da camiseta, a calça e a camisa social. 

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Na beira do campo, ele atende por Givanildo José de Oliveira, ou somente Giva. Pernambucano da cidade de Olinda. Iniciou a sua carreira como atleta profissional em 1969, pelo Santa Cruz. Nas duas passagens pela “cobra coral”, conquistou por 7 vezes o regional. Poucos sabem, mas o volante esteve na campanha do Corinthians em 1977, onde sagrou-se Campeão Paulista, sendo inclusive, um dos grandes destaques do elenco.

Sem contar outros títulos por Sport e Fluminense, além de partidas pela Seleção Brasileira.

Seu jeito simples e discreto o acompanhou também na responsabilidade de treinador. Givanildo fez história principalmente no norte-nordeste do Brasil. Dentre tantos, em 2002, comandou a vitoriosa campanha do Paysandu na Copa dos Campeões, que possibilitou o Papão da Curuzu, disputar a Libertadores da América pela primeira vez em 2003, algo inédito para o clube.

O sucesso nesta posição lhe rendeu o apelido de “Rei do acesso”. Foram sete no total, contando a última dirigindo o América-MG, levando a equipe de Belo Horizonte novamente a série principal do futebol brasileiro. Talvez exista um certo preconceito de alguns dirigentes do Rio, São Paulo e Porto Alegre, e até parte da mídia nacional que, ao meu ver, não lhe dão o merecido respeito e reconhecimento que outros com trabalhos menores, muitas vezes lhe sobram emprego em times destes Estados.

Givanildo conquistou hoje o seu primeiro Campeonato Mineiro, o 14º estadual como treinador. Apesar da belíssima campanha no Brasileirão do ano passado, o técnico esteve por muito pouco de ser demitido do Coelho, em razão de uma fase não muito boa no início do torneio. Cultura do nosso futebol onde tudo se esquece muito rápido em tão pouco tempo. Felizmente para o “mequinha”, ele ficou.

Este título é gigante para o “baixinho” Givanildo. Tem que ser destacado sim. O “caneco” hoje levantado, me permite fazer uma breve comparação com o mais badalado no momento e que, sempre é cotado para assumir a amarelinha na vaga de Dunga. Tite.

Longe de querer entrar no mérito de quem é melhor. Não é o intuito.

Pois bem, Tite perdeu para o mercado estrangeiro algo em torno de 6 ou 7 jogadores. Givanildo perdeu 17, não todos para fora do país, mas o fato é que deixaram a equipe americana. E convenhamos, há uma diferença gritante entre um cenário e outro. Até porque, o Corinthians é um clube que tem poder financeiro e pode perfeitamente repor suas peças. E assim o fez. A realidade é diferente para o América. É justamente neste ponto em que quero chegar. E ninguém destaca isso.

Todo elenco foi reformulado com 13 contratações, alguns chegaram até no meio da competição, como por exemplo, o atacante Borges. Em pouco tempo de trabalho, Givanildo com toda sua competência, fez um time capaz de bater de frente com os poderosos Atlético e Cruzeiro. Não é pouca coisa, não. Se fosse o técnico corintiano, minha nossa, a mídia o colocaria até no Barcelona.

E outra, Givanildo não perdeu um clássico sequer durante todo o Mineiro. Na gíria da bola, pode-se dizer que ele deu um verdadeiro nó tático em Deivid e também em Aguirre.

Parabéns, Giva! Este título não tem apenas o seu dedo, mas as duas mãos.

Parabéns, América-MG! Campeão Mineiro de 2016!