Conheça a relação entre o Atlético de Madrid e a ditadura espanhola

Vicente Calderón - Foto: Reprodução/ Facebook oficial/ Atlético de Madrid

No próximo sábado, Atlético de Madrid e Real Madrid disputarão, no estádio San Siro, em Milão, o título da Liga dos Campeões – torneio de clubes mais importante do mundo. Pela segunda vez em três anos, o clássico madrilenho decidirá o campeão europeu. Na história dos dois clubes, existem passagens marcantes da interferência do general Francisco Franco, ditador que governou a Espanha durante 37 anos. Mas foi o Atlético de Madrid o primeiro time do regime franquista.

LEIA MAIS:
15 melhores finais da Liga dos Campeões: Atlético de Madrid x Real Madrid – 2013/14

Em 1936, após um fracasso diante do Sevilla, o Atlético de Madrid foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Espanhol. Mas o pior dissabor ainda estava por vir. Algumas semanas depois, estourou a Guerra Civil Espanhola, que perduraria por quase três anos. Liderados pelo general Franco, os militares saíram vitoriosos e, em 1º de Abril de 1939, instaurou-se no país um regime totalitarista simpatizante do fascismo italiano.

Após instalar-se em Madrid, o regime franquista decidiu profissionalizar um time formado por aviadores do exército que, no período de guerra, havia se destacado em partidas e campeonatos amadores. Surgia então, o Club Aviacion, na qualidade de instituição esportiva oficial do governo e, portanto, a fim de promover os ideários do fascismo franquista através do futebol.

Mas, a criação do clube não garantiria uma vaga na primeira divisão do campeonato profissional. Impor, por decreto oficial, a entrada de um novo time, não causaria uma boa impressão. A saída, então, foi se aproximar dos clubes já existentes. A primeira escolha dos líderes militares foi o Real Madrid que, na época, chamava-se apenas Madrid (o pronome, Real, havia sido suprimido durante o regime republicano da década de 30). Mas, os dirigentes blancos – em sua maioria – não concordavam com a associação do clube com o exército. Todavia, os franquistas não encontraram a mesma resistência na direção dos colchoneros. E, em 4 de Outubro de 1939, a união entre os clubes foi oficializada, e o time passou a se chamar Club Atletico Aviacion.

O emblema do Atletico ganhou asas e o clube recebeu todo incentivo governamental para reerguer seu estádio que fora destruído pela guerra. Além de financiamento para montagem do elenco e custeio de todas as despesas. Mas, e como ascender, imediatamente, para a primeira divisão? Foi necessária a interferência do, então Ministro dos Esportes, general Moscardó. Ele decretou a realização de uma partida preliminar entre o Osasuna e o Atletico Aviacion, que definiria a vaga na elite do campeonato espanhol de 1939. A partida foi realizada em Valencia e o Atletico venceu por 3-1.

Alçados à disputa principal, o Club Atletico Aviacion foi bicampeão espanhol (1940 e 1941) – os primeiros títulos do clube, segundo o site oficial do Atlético de Madrid.

Entretanto, nos anos que seguiram, enquanto o regime franquista se consolidava na Espanha, o Atletico Aviacion acumulava fracassos. Já não fazia mais sentido para o governo associar-se, diretamente, com o futebol. O crescimento do Real Madrid, no cenário internacional, e a posição política e estratégica do Barcelona nas ambições de Franco, eram mais vantajosas para os interesses do regime. E em 1947, o Atlético de Madrid separou-se do esbirro governista ao qual se associou por oito anos. Recuperou seu nome e seu escudo. E, três anos depois, conquistou sua primeira taça – campeão espanhol de 1950 – com o nome que conhecemos hoje: Club Atlético de Madrid.