Da democracia corintiana de Vicente Matheus a ditadura de Roberto de Andrade

Símbolo da Democracia corintiana

Em tempos que a democracia é colocada em xeque, com os supostos golpes ou articulações políticas, que tampouco ajudam no desenvolvimento do país, se contextualiza também em outras áreas, cujos mandatários, se consideram mais importante que a própria instituição, jogadores e comissão técnica.

No futebol, um assunto chegou as principais manchetes na semana passada; o poderio das torcidas organizadas no acesso aos seus respectivos clubes, em especial, os clubes mais populares do país, Flamengo e Corinthians.

As torcidas fizeram o famoso ‘tete a tete’ com os jogadores, como forma de intimidação. Tudo isso com o consentimento de seus presidentes.
No caso do Corinthians, foi algo mais atenuante, sendo que o ‘chefe’ Roberto de Andrade, não só permitiu como os convocou para uma espécie de conversa, ‘um enfrentamento’, em que ele na ocasião, de alguma forma, pensou no reflexo que isso poderia causar ao grupo de atletas.

"Poderoso Chefão" do parque São jorge
“Poderoso Chefão” do parque São jorge

 

Com os dizeres: “Conversa cabe sempre, em qualquer lugar. Chamei quatro pessoas da torcida para conversar. Não é a primeira vez que faço isso. Achei necessário. A comissão não tem que dar aval nenhum. O presidente sou eu. Se eu chamei para conversar, não chamei a comissão técnica. Chamei a torcida para conversar com jogadores. A comissão não precisa falar se pode ou não. Eu sei o que pode”. Sem rodeios, afirma Andrade.

O saudosismo se sucinta quando se olha para trás e percebe-se que o poder de outrora se sucumbiu a um idealismo puramente altruísta, organizado e de liderança.

Assim foi o presidente Vicente Matheus.. Quem viveu a ‘era’ Sócrates, Casa Grande, Wladimir, Zenon, entre vários outros, sabe do movimento e tão famigerada “Democracia corintiana”, que virou referência também para o país, em tempos do tão aguardado término da Ditadura.

A voz que vinha dos estádios, arquibancadas, gramados, eram ouvidas, como uma espécie de grito por liberdade. Vicente Matheus revolucionou o clube, muito mais que títulos, conquistou a nação corintiana, com um ato ecumênico, uniu torcedores e jogadores, os dando autonomia, liberdade e principalmente, os inserindo a um sistema, de fato, democrático, em que as vozes do um grupo, faziam parte de uma liderança informal, mas bastante acessível.

Assim caminha o esporte.. Como as vias políticas, o poder da democracia se sucumbe. Os direitos civis, sociais, em troca da arbitrariedade de pessoas, que usam um cargo, como forma de opressão.

Símbolo da Democracia corintiana
Símbolo da Democracia corintiana

A sensibilidade, o senso humano é colocado de lado a troco de resultados. O sistema presidencialista em que os sócios, de forma democrática, escolhem os seus candidatos, não prevê que as escolhas de um presidente eleito, passe pelo os trâmites democráticos, em uma decisão, que seja comum, igual e conjunta. Esse é o idealismo e conceito de democracia, que tanto se sonha, se almeja. Como uma espécie de arena de gladiadores, o futebol segue os preceitos e reflexos de uma sociedade, com representantes de poder, mas que de alguma forma, respeita e regulamenta o valor democrático.

As torcidas Organizadas continuam ‘imperando’ nos estádios, deixando os torcedores comuns em suas casas. Afugentados pelo medo, pela violência, não tem o seu devido respeito, com uma espécie de supremacia, como crime Organizado, as mesmas torcidas de grupos específicos, se posicionam, e regulam cada partida, outros torcedores, jogadores, etc.. Financiadas pelo o autoritarismo (presidentes).

A máfia de Don Corleone, Al Capone, se tornam visíveis em figuras carimbadas do futebol, em forma de presidentes, cujo poder é o maior trunfo de soberania.

Corleone é o personagem fictício de um mafioso, interpretado por Marlon Brando, no filme “Poderoso Chefão”. Al Capone, interpretado por Robert De Niro no Filme, “Os Intocáveis” também era um mafioso, que manteve um cartel na década de 20 e 30 nos Estados Unidos, com a venda ilegal de bebidas, no auge da Lei Seca.