Candidato a melhor jogador do Alemão já fez Neuer passar vergonha e quer jogar no São Paulo

Hertha Berlin x Borussia Mönchengladbach
Divulgação/Borussia Monchengladbach

O brasileiro Raffael está há três anos se destacando pelo Borussia Monchengladbach, da Alemanha. Mas nessa temporada, o atacante faz seu melhor ano onde é o oitavo artilheiro do Campeonato Alemão com 15 gols. Em 37 jogos o meia-atacante também deu 13 assistências. Tanto trabalho pode lhe render um prêmio inédito em sua carreira: o de melhor jogador da Bundesliga, em votação pelo jornal Bild. 

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Ao lado de jogadores como Lewandowski, Aubameyang, Thomas Muller, Chicharito Hernandez entre outros, Raffael enfatiza seu forte empenho, ao ser escolhido como um dos candidatos. “Fiquei feliz de ter sido indicado! Eu me dedico muito a cada temporada, e ser indicado pra um prêmio como esse, num campeonato tão forte, sem dúvida é uma honra“, contou ao Torcedores.com.  

Foto: Divulgação/Borussia Monchengladbach
Foto: Divulgação/Borussia Monchengladbach

Apesar de estar há 13 anos na Europa e ter virado ídolo na Suíça, onde atuou por Chiasso e Zurich, Raffael considera que esta temporada é sua melhor por tudo o que tem feito pelo Borussia Monchengladbach, onde a equipe é a quarta colocada no Alemão e briga pelos playoffs da Liga dos Campeões ao lado de Hertha Berlin, Schalke 04 e Mainz 05.

Acho que sempre fui muito feliz na Alemanha. Considero excelente as minhas três temporadas no Borussia. Mas, se for para escolher (uma temporada), eu acho que escolheria a atual, porque estou ajudando ainda mais a equipe com uma boa quantidade de gols e assistências”, afirma Raffael.

Ano passado Raffael ganhou destaque no mundo inteiro ao fazer dois gols e ajudar o Borussia a derrotar o ‘invencível’ Bayern de Munique (que em 26 rodadas do Alemão a equipe estava invicta na Allianz Arena), sendo que um dos tentos contou com um frango de Manuel Neuer, considerado um dos melhores goleiros do mundo. (assista abaixo)

“(Os dois gols) Foi algo que ficou marcado pra mim e pra uma parte da história do Borussia, pois foi uma vitória contra uma equipe que vêm ganhando de quase todos os times nas últimas temporadas”, explicou. “Considero aqueles dois gols um dos momentos mais importantes da minha vida. O Neuer não falou comigo depois da partida. A repercussão depois da vitória, foi muito grande. Foi a semana inteira de entrevistas. Foi uma verdadeira loucura (risos)”, completou.

Raffael saiu cedo do Brasil. Não jogou profissionalmente no país e com 18 anos atuando nas categorias de base do Juventus, da Mooca, foi para a Suíça onde ficou por cinco temporadas. Jogou no Hertha Berlin por quatro épocas e em 2012 foi contratado pelo Dínamo de Kiev para substituir um dos ídolos da equipe Andriy Shevchenko, que estava deixando o futebol. Ficou uma temporada no clube ucraniano, mas tempo suficiente para passar por uma situação embaraçosa.

Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

“Certo dia quando eu jogava na Ucrânia, o meu motorista chegou embriagado para buscar eu e minha família em casa. Ele logo de cara me contou sobre isso e disse que tinha provido uma solução: o filho dele para dirigir no lugar dele. Só que ao que tudo indica, o filho dele nem carteira de habilitação tinha, pois aparentava ser muito novo e inexperiente. No final deu tudo certo, mas foi uma sequência de irresponsabilidades da parte do motorista”, contou.

Há mais de uma década atuando, na maioria das vezes, sob frio e longe do calor do Brasil, Raffael, aos 31 anos, ainda quer vir ao país para quem sabe realizar o sonho de jogar em seus clubes de coração, onde se pudesse escolher ficaria entre o São Paulo e Ceará.

“Sim, é verdade, eu saí muito cedo do Brasil. Estou muito bem adaptado aqui na Europa, em especial na Alemanha. Mas, naturalmente eu guardo um carinho muito grande pelo Brasil. Se um dia eu tiver a oportunidade de jogar no Brasil, gostaria que fosse no São Paulo ou no Ceará.

– Seleção brasileira e alemã

Raffael, mesmo se destacando na Alemanha, garante que nunca recebeu nenhum contato da seleção alemã assim como já aconteceu com seus compatriotas Kevin Kuranyi e Cacau, que disputou a Copa de 2010. “Não recebi nenhuma sondagem“, admite. E o atacante também não coloca a seleção brasileira como carta fora do baralho. “Acho que a lista de convocação não é fácil pra nenhum técnico que já passou pela seleção brasileira, pois nós temos uma quantidade grande de atletas com qualidade, mesmo com o atual momento difícil da seleção. Eu vou continuar fazendo o meu trabalho, tentando fazer o meu melhor pelo meu clube. Caso eu seja convocado em alguma lista futura, irei encarar como uma grande honra“, afirma.

– Raffael reencontrou seu irmão no Hertha Berlin, o ex-corintiano Ronny

Os corintianos bons de memória vão se recordar de Ronny. O lateral foi bi-campeão da Copinha em 2004 e 2005 e neste mesmo ano esteve no elenco pentacampeão brasileiro onde marcou um gol contra o Brasiliense. Com poucas oportunidades no Corinthians, partiu rumo à Europa onde jogou durante quatro anos no Sporting, de Portugal. Distante de seu irmão Raffael há longos anos, tudo mudou em 2010 quando o ex-corintiano foi contratado pelo Hertha Berlin (onde atua até hoje) para a alegria da família Araújo. Raffael se recorda de um momento curioso e emocionante que envolveu os dois nos tempos do time da capital alemã.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images – Raffael emocionado após o gol abraça seu irmão, Ronny

Estávamos prestes a jogar uma partida muito importante, lutando pelo primeiro lugar na tabela. A minha esposa estava gravida e o meu filho ia nascer na semana do jogo. Eu não sabia se ia jogar em razão do nascimento dele. No entanto, a minha esposa disse que eu podia ir pro jogo, pois segundo ela o nosso filho não ia nascer ainda. Então eu fui pra partida! O meu rmão Ronny começou no banco e eu comecei jogando. O jogo estava duro. No decorrer do jogo o Ronny entrou. Não demorou muito e ele me deixou na cara do gol, e eu terminei assim fazendo o gol da vitória. Emocionado, eu abracei o meu irmão. No dia seguinte, o meu filho nasceu. Foi tudo perfeito! Deu tempo pra eu jogar, meu irmão deu o passe decisivo, eu fiz o gol da vitória e ainda cheguei a tempo para ver o nascimento do meu filho”, relembra

– A convivência com os companheiros após o 7 a 1

Já no Borussia Monchengladbach no fatídico 7 a 1, Raffael foi zoado pelos companheiros no dia pós vexame. Mas ele afirma que depois nem tocaram mais no assunto. “Foi só um dia depois do ocorrido, quando eu estava com os meus companheiros de clube, que eles me zoaram. Mas não foi nada demais assim. Depois desse dia nunca mais falaram nada a respeito. A brincadeira aconteceu só no momento que tinha que acontecer”, conta.

– Propostas de gigantes europeus

Raffael nem se preocupa e pouco quer saber de sondagens de outros clubes. Talvez este seja o sucesso para ser um dos destaques do Borussia há três temporadas. “Eu sinceramente não me envolvo nessa questão (de negociação). Eu deixo para o meu empresário, Dino Lamberti, cuidar da minha carreira. Eu me preocupo somente com a temporada cheia que tenho com os meus companheiros, ano após ano”, completou.



Jornalista. Como todo torcedor também gosto de dar meus pitacos. Fã da seleção italiana, do Milan e do Arsenal.