Opinião: Kobe fica um muito obrigado de um torcedor do Boston Celtics

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Não, este não é mais um texto clichê que fala sobre o Kobe Bryant e sua despedida da NBA, a maior liga de basquete do mundo. A diferença desse texto para os outros é que eu sempre odiei Kobe e sua personalidade forte, e suas provocações e seu jeito de ser. Mas como você só odeia as pessoas quando elas fazem algo para lhe incomodar, posso dizer sobre Kobe que sim, ele incomodava não só a mim como vários torcedores de quaisquer times da NBA, incomodava pois era talentosíssimo e sabia usar isso a seu favor.

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A qualidade que Kobe tem é indiscutível. É um excelente jogador, sabendo criar jogadas, marcar pontos e defender com uma qualidade além do comum, completo, como se diz no linguajar do futebol. Mas por mim Kobe me fez algo maior: me alimentou a paixão pelo Celtics e pelo basquete.

A época em que comecei a acompanhar o basquete foi um pouco antes da grande troca do time de Boston para criar um Big Three composto por Ray Allen, Kevin Garnett e Paul Pierce, que eram jogadores dominantes. A primeira temporada foi um sucesso, uma campanha dominante demais, com apenas 16 derrotas na temporada, isso na temporada 2007-2008. Na final de conferência, foi Boston x Lakers, onde o time de Boston ganhou.

Já começou por aí uma relação de ódio com Kobe. O título foi comemorado com direito a diversas gozações típicas do esporte. Mas Kobe não deixaria isso barato, ele tem uma veia competitiva rara de se ver. Quem já ganhou um título não aceitaria a derrota.

Na temporada seguinte o Lakers já seria novamente campeão, em cima do Orlando Magic. Mas o melhor ficou para a temporada 2009-2010, na virada da década. O time do Celtics ainda era tão bom quanto o de 2007-2008, quando havia conquistado o título, porém ficava mais velho e a chance de um outro título apenas diminuía, Garnett não era mais explosivo, era um time mais velho no sentido ruim da palavra. O Lakers também não era mais novo, mas Kobe, ah o Kobe, ele não dava sinais de idade – na verdade, ainda não dá – e continuava jogando basquete de uma maneira Kobe de se jogar.

A final foi o esperado: Celtics x Lakers, os dois maiores times da NBA, com mais títulos e com elencos históricos, era o time do Big Three contra o time de Kobe e Pau Gasol. A final foi inesquecível, mas teve um fim melancólico para mim. Não havia mais como tirar sarro de Kobe ou dos Lakers. Foram campeões no último jogo da temporada, em uma série que Boston chegou a abrir 3×2. Kobe fez o que sabia fazer: vencer, e essa mania de querer vencer, e principalmente, frustrar o Celtics e me frustrar junto me fez amar o esporte cada vez mais. Kobe me deu paixão por um esporte não tão tradicional no Brasil, e me deu amor pelo time de Boston e a cidade consigo.

Obrigado por ter me feito lhe odiar Kobe.