Opinião: Rio 2016 é uma vitória que pertence à todos da América do Sul

Crédito da foto: Érica Ramalho/Governo do Rio de Janeiro

Por volta de 2500 a.C. para homenagear Zeus, o maior de todos os deuses de acordo com a mitologia, os gregos de várias cidades se reuniam no Santuário de Olímpia (veio daí o termo “Olimpíadas”) para disputar competições esportivas. O evento era tão importante naquela época que eram selados acordos de cessar-fogo e tréguas entre cidades inimigas antes e durante a realização dos jogos.

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No dia 2 de outubro de 2009, com a economia brasileira a todo vapor, milhões de brasileiros festejaram a confirmação da cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Uma conquista comemorada não só por nós, mas também por todos os hermanos da América do Sul. Pela primeira vez na história seremos cenário para os jogos.

Em 2014 sediamos nossa segunda Copa do Mundo e só fizemos feio no campo. Pesquisas do setor hoteleiro apontam como sucesso e superação das expectativas, a princípio eram esperados cerca de 600 mil turistas e segundo dados do Ministério do Turismo mais de um milhão de turistas de 200 países visitaram o Brasil durante o evento e o melhor 95% dos turistas que nos visitaram aprovaram nossa hospitalidade, de acordo com o Datafolha.

Com todos nossos problemas e gastos que já foram direcionados para a realização do evento (só em Bolsa Atleta nesses últimos 4 anos foram gastos mais de 400 milhões de reais), ameaça de boicote por parte de delegações, zika vírus e todo o atual panorama político brasileiro, acreditamos que mesmo assim não seremos deselegantes com os visitantes.

O Brasil passa por uma fase de coleta de roupas sujas, são bilhões de toneladas de roupas para lavar, a lavanderia trabalha 24 horas por dia e a esperança de retorno ao caminho da ordem e progresso, aquele mesmo que estávamos em 2009, aflora a necessidade de comunhão. Neste período não vamos esquecer das roupas, apenas deixá-las de molho para receber melhor atletas e turistas de todo o mundo.

Foto Alex Ferro/ Rio 2016
Foto Alex Ferro/ Rio 2016

Nos dias de hoje não podemos esquecer do nosso turismo, fazer bonito novamente é consolidar o nome Brasil para os próximos pacotes de viagens de férias. Turismo gera receita, que gera riqueza e ser sede de uma Olimpíadas grifa nosso nome na História do Esporte. Uma história que começou com os gregos e o próximo capítulo é aqui, no Rio de Janeiro.

A crise política influencia e afeta a todos e já não é de hoje, muitas incertezas e descasos, mas a única coisa concreta que sabemos é que ninguém irá lavar nossas roupas se não nós mesmos. O processo é demorado mas temos que agradecer porque ao menos teremos um bom motivo para tentar um sorriso tímido de recepção aos nossos convidados e a cada premiação uma salva de palmas aos atletas que se empenharam para estarem aqui e nos contemplaram numa disputa que transpira passado e fortalece o futuro das crianças, que sonham um dia brilharem, subirem ao pódio com a bandeira e cantarem “um povo heroico o brado retumbante”.



90% poeira estelar e 10% de X Y. Escritora de literatura fantástica, roteirista e amante de esportes americanos.