Resposta do “Basquete” à carta de Kobe Bryant

Foto: Reprodução/ Facebook oficial

“Querido Kobe Bryant,

Tenho 125 anos, sou um idoso e, desde o meu nascimento, em Massachusetts, sabia que me tornaria algo especial, grandioso e praticado por muitos mundo afora. Meu pai, um canadense professor de educação física, me geriu para manter uma turma de meninos em atividade durante um dia chuvoso. Eu cresci. Eu vi pessoas se profissionalizarem, vi se aperfeiçoarem, enquanto fui crescendo. Expandi-me e ultrapassei fronteiras. Minha história foi sendo escrita.

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Muitos se apaixonaram e, diariamente, se apaixonam por mim. Graças a atletas como você, Kobe. Seu amor tão profundo, sua entrega por completo, da sua cabeça e corpo ao seu espírito e alma, fizeram crianças sonhar com algo grande; adultos voltarem a ser crianças; rivais se tornarem admiradores; e o mundo respeitar a história.

Você começou com seis anos de idade e foi amor à primeira vista por mim. Você correu, deu o sangue, treinou, treinou, treinou (…). Quando te pedi um pouco mais, você se prontificou a me dar exatamente o que queria. E meu deu mais. Me deu história, me deu fãs, me deu uma legião, me deu seu coração. Treinou. Conquistou. Errou. Doutrinou. Treinou.

Sei que você pensa que eu fiz você se sentir vivo, mas, na verdade, se eu vivo, é por causa de pessoas como você, apaixonados pela ideia de acertar um buraco com uma bola laranja. Tudo bem, tudo bem, sei que sou muito mais do que “só” isso, e seus machucados, noites viradas e cansaço exacerbado não me deixam mentir. Eu presenciei tudo isso. Sou um privilegiado. E nesses últimos 20 anos resisti e sobrevivi à uma era digital com globalização agressiva muito por sua causa.

Seu sonho era ser um Laker e lembro bem que a cada arremesso que você treinava numa cesta de lixo ou quando via seu pai jogar, sempre tinha em mente vestir o amarelo ouro de LA. Nosso amor aumentou, até que se tornou incondicional, pois você faz parte de mim e eu de você. Hoje sou gigante por causa de gigantes como você.

Essa foi sua última temporada. Vejo que fisicamente você já não responde mais. Sua cabeça, obsessão pela vitória, seu coração e mente, seguem trabalhando o suficiente pra você escrever a história. E, mais uma vez, você o fez. Suas maiores pontuações contra os seus rivais nunca foram menores que 40 pontos; seus cinco títulos, com dois troféus de MVP das finais; suas 18 aparições no All-Star Game; os 81 pontos marcados em um único jogo; as 12 bolas de três em uma única partida; sua sequência de jogos seguidos marcando mais de 50 pontos; suas vinte temporadas usando a mesma camisa; suas muitas (e muitas) horas de treino; tudo isso fez você ser o que é, de alcunha Black Mamba. Letal.

Você está pronto para ir. Eu estou pronto para que você vá. Os fãs estão conformados e sabem que não dava mais. Só que você insiste em ter olho de tigre, sangue nos olhos, obsessão pela vitória. Os deuses do basquete te abençoaram, talvez por causa do mundo, que te venera. Eu te abençoei, mas é por sua causa, e de todas as horas gastas (ou ganhas) de treinamento durante anos, que você se despede com 37 anos de idade fazendo S E S S E N T A (por extenso, em caixa alta e pausadamente mesmo) pontos, batendo o recorde de pontos de um único jogador na temporada 2015-2016; sendo o jogador mais velho a fazer mais pontos; com uma vitória de virada tendo você como o protagonista, coadjuvante, diretor e roteirista. Ironia do destino? Definitivamente não. Você estava com aquele brilho no olhar e fez marmanjos ficarem com olhar de criança, inclusive seus colegas de time, atual e do passado.

Você sempre será aquele garoto, com aquelas meias enroladas, lata de lixo no canto, com cinco segundos no relógio, bola na sua mão, 5…4…3…2…1, e eu sei que você vai acertar. Você já acertou.

Nessa noite histórica, que você foi o protagonista, um outro time, conduzido por outro craque, bateu o recorde de vitórias em uma só temporada, que era de um dos maiores time de todos os tempos, o Chicago Bulls da temporada 1995-1996. Mas quem se importou? E você é o culpado disso. Culpado! Ator principal em arrebatar corações, ofuscar outros gênios e ser reverenciado pelos mesmos. Minha história também está sendo escrita por esse magnífico time liderado por um pequeno gênio que caminha a passos largos pra se perpetuar, mas deixo isso pra outro dia.

Hoje, o dia é seu. Ontem o dia foi seu. Por vinte anos, eu fui seu. E seu, sempre serei.

Te amo pra sempre.

Att,

Basquete

ps: Mamba out”

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