Opinião: Profissionais da comunicação perdem a titularidade

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“Talvez não haja área do jornalismo tão sujeita a tempo ruim quanto à cobertura de esportes”, definiu o jornalista esportivo Paulo Vinicius Coelho, no seu livro intitulado “Jornalismo Esportivo”.

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Para o autor, o profissional enfrenta o preconceito dos próprios colegas, que a consideram uma editoria menos importante, e também do público, que costuma tratar o comentarista ou repórter esportivo como mero “palpiteiro”. É verdade que muitos jornalistas têm se tratado como. Mas o que este ensaio visa mostrar é a necessidade de uma atuação mais profissional, baseada nos princípios consagrados do bom jornalismo – esforço, independência, imparcialidade e criatividade.

Buscando esta necessidade de uma atuação mais profissional, o texto abordará a seguinte questão: “Com tantos profissionais da área do jornalismo com especialização na área esportiva, por que os canais de televisão insistem em colocar nas transmissões de esportes de diversas modalidades ex-atletas de tais modalidades?”.

É certo que estes ex-atletas tenham seus respectivos nomes marcados na sua modalidade. Porém, o que os faz melhores comentadores que pessoas que estudaram e se especializaram para tal finalidade?

Há alguns anos, os telespectadores estão acostumados a ver ex-craques trocarem o fardamento de jogo pelo traje social de comentador. Porém, de uns dois anos para cá, essa cena viralizou. Exemplo disso foi na última Copa do Mundo, realizada no Brasil, onde mais de 40 ex-jogadores de futebol trabalharam como comentaristas em emissoras que transmitiram os jogos da Copa, segundo a Folha na Copa – página do jornal Folha de São Paulo hospedado no site do UOL.

Um momento que se torna glorioso na vida de todo jornalista esportivo, focado no futebol, é cobrir uma Copa do Mundo. Quando se tem a oportunidade de cobrir tamanho evento, chegam pessoas, que muitas vezes não possuem estudo (realidade do futebol atual), e tomam o lugar que tanto o profissional esperou e lutou.

Coisas como esta, fazem o futuro jornalista e o jornalista já formado, pensar duas vezes antes de seguir na profissão, no sonho e na paixão. “Será que vale a pena? O salário vai compensar tanto estresse?”. Perguntas como essas são frequentes nas rodas de conversa do pessoal da comunicação nas universidades.

As emissoras de TV optam pela audiência e pelo prestígio de ter um atleta conhecido mundialmente. Por vezes, acabam pagando fortunas para ter a imagem deles exclusiva para aquele canal. É certo que ex-atletas entendem sobre o assunto, mas lhes falta à técnica, a criatividade. Em uma transmissão de jogo de futebol, é evidente que a maior parte dos comentários do ex-jogador, vai ir para aquele clube que o sagrou ídolo, perdendo a total imparcialidade da comunicação com o telespectador. O futuro jornalista e o jornalista já formado, não consegue engolir aquilo. Pois eles tiveram toda a técnica de se tornarem imparciais.

A conclusão e finalidade do texto, em momento algum é represar a imagem de ex-atletas como comentaristas. E sim, chamar a atenção de veículos, principalmente a TV, que assim como há ex-jogadores disponíveis no mercado de trabalho, também há profissionais que estudaram, se especializaram e estão no aguardo de uma chance para mostrar todo o conhecimento adquirido nesse tempo. Além de menor custo para o veículo (Ronaldo, por exemplo, jamais aceitaria ganhar o salário de um comentador formado para comentar jogos da Seleção Brasileira), telespectadores desfrutarão de uma linguagem técnica, imparcial e criativa, princípios comentados no início do texto.