PAPO TÁTICO: Afinal, o Brasil facilitou para a França em 1998?

8. Zinédine Zidane (França) – Juventus para Real Madrid - € 73,50 M (R$ 275 milhões). Foto: Reprodução / Facebook

No dia 12 de julho de 1998, a Seleção Brasileira era derrotada pela França de Deschamps, Zidane e Barthez por três a zero, na final da Copa do Mundo. O jogo ficou marcado pelos questionamentos acerca do estado de saúde de Ronaldo e por uma teoria que apontava uma suposta “facilitação” do escrete canarinho em troca de favorecimentos em contrato com patrocinadores. Só que os defensores dessas teorias ganharam um aliado de peso. Emmanuel Petit, autor do terceiro gol da França e titular absoluto do time na decisão, colocou em dúvida a lisura do futebol e a legitimidade da conquista de 1998. Tudo o que os teóricos da conspiração queriam…

Leia mais: Em entrevista, Dunga dispara contra Sampaoli e reclama de “ética” entre treinadores

Em depoimento para o documentário “Horsjeu” (impedimento, em francês), produzido para a internet, o ex-jogador de Monaco, Arsenal, Barcelona e Chelsea, afirma que pode ter sido usado junto com toda a Seleção Francesa para manter a ordem econômica no país naquela época. A declaração polêmica do ex-volante Emmanuel Petit. Caso você queira ver com seus próprios olhos e ouvir com seus próprios ouvidos, é só clicar aqui (o vídeo está em francês). Mas pode ficar tranquilo que a gente traduziu um trecho desse depoimento para o português pra você entender essa questão. Olha aí…

“Nós realmente ganhamos a Copa do Mundo? Não é um pouco de arranjo, é? Eu não sei… No campo, você realmente tenta ganhar. Fizemos de tudo quando enfrentamos nossos adversários. Mas, com tudo o que está acontecendo agora, eu tenho que me perguntar. Isso me assusta às vezes, estou me tornando paranoico. Fui marionete para manter a economia. Será que nós realmente ganhamos essa Copa do Mundo? Sim. Nós, os jogadores, fizemos tudo para isso. Além disso, não sei se teve arranjos.”

É difícil dizer com clareza se houve qualquer tipo de manipulação de resultado ou facilitação da Seleção Brasileira. Fato é que o técnico francês Aimé Jacquet conhecia bem os pontos fracos dos comandados de Zagallo. A opção pelo 4-3-1-2 (que se transformava num 4-3-2-1 conforme a movimentação do excelente Djorkaeff e da dinâmica de passes certos do monstro Zinedine Zidane) era justificada pelos avanços dos laterais Cafu e Roberto Carlos, principais válvulas de escape do escrete canarinho. Karembeu e Petit (olha ele de novo!) eram os encarregados de negar os espaços pelos lados e ainda explorar as costas dos nossos laterais. A estratégia era simples, mas Jacquet soube como anular as principais armas do 4-2-2-2 de Zagallo na decisão da Copa do Mundo. Melhor para a França e pior para o Brasil.

O técnico Aimé Jacquet conhecia os pontos fracos da Seleção Brasileira e escalou Karembeu e Petit para anular as subidas de Cafu e Roberto Carlos. O escrete canarinho sucumbiu ainda no primeiro tempo. Campinho feito no Tactical Pad.
O técnico Aimé Jacquet conhecia os pontos fracos da Seleção Brasileira e escalou Karembeu e Petit para anular as subidas de Cafu e Roberto Carlos. O escrete canarinho sucumbiu ainda no primeiro tempo. Campinho feito no Tactical Pad.

Leia mais ~> OPINIÃO: Marco Polo Del Nero e o regresso dos que não foram

Relembrando aquele dia 12 de julho de 1998, não é difícil lembrar do clima daquele jogo. Enquanto a França havia sofrido para superar Paraguai, Itália e Croácia (numa atuação brilhante do lateral Lilian Thuran), o Brasil também vinha aos trancos e barrancos. O time comandado por Zagallo perdeu para a Noruega na primeira fase, fez um jogo razoável contra o Chile e sofreu horrores contra a Dinamarca e a Holanda. E mais: sete horas antes da decisão, o camisa nove Ronaldo, então melhor jogador do mundo, sofria uma convulsão e abalava os nervos da equipe brasileira. Se o escrete canarinho já tinha problemas técnicos e táticos, os nervos em frangalhos foram determinantes na derrota por três a zero.

Como falamos lá em cima, é complicado dizer se houve qualquer tipo de manipulação de resultados ou facilitação da Seleção Brasileira. Taticamente e até mesmo tecnicamente, a França era superior e vinha se superando na Copa do Mundo. E o Brasil vinha se segurando nos lampejos de Ronaldo e Rivaldo. Ao mesmo tempo em que é difícil não citar o problema de saúde do Fenômeno, também é igualmente complicado não perceber e aceitar que os comandados de Aimé Jacquet fizeram um jogo quase perfeito contra o Brasil, aproveitando as falhas no esquema tático de Zagallo e os nervos em frangalhos dos jogadores brasileiros, principalmente após o primeiro gol de Zidane, em cobrança de escanteio.

A conquista da Copa do Mundo pode sim ter ajudado a acalmar as coisas na França naquela época. Do mesmo jeito que a vitória brasileira em 2002 ajudou a acalmar as coisas por aqui. É um processe natural. E em casos como esses, é mais do que óbvio que os jogadores envolvidos serão utilizados como propaganda dos governos nacionais. Voltando ao depoimento do ex-volante Petit, é bem provável que ele tenha sido um dos atletas campeões em 1998 que foram usados para manter a situação do país no controle. Mas a maneira com a qual ele se refere aos “arranjos” deixa a dúvida no ar. Ou seja: nunca saberemos com clareza o que realmente aconteceu naquele dia 12 de julho de 1998.

Na opinião deste que vos escreve, não houve facilitação do Brasil na final daquela Copa do Mundo. O que vimos foi uma amostra da superioridade tática e técnica da França. E o que você acha? Teve arranjo? Teve facilitação? Deixe a sua opinião nos comentários.



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.