Opinião: São Paulo valente e com fôlego

Calleri comemora seu gol em La Paz. Mais uma vez, o argentino foi o personagem da partida. Crédito da Foto: Reprodução/Twitter Oficial São Paulo FC

Caros torcedores, na noite de quinta-feira 21 de Abril, o São Paulo decidiu seu futuro na Copa Libertadores da América jogando contra o boliviano The Strongest e a temível altitude de 3.600m de La Paz. Depois de mais de 90 minutos “angustiantes” e com uma confusão lamentável, o Tricolor Paulista voltou com uma classificação heroica. Um jogo (mais um) para dar esperanças à sua torcida, graças a valentia que os jogadores mostraram, uma determinação digna de final de campeonato, uma emoção recompensada com a classificação para as oitavas-de-final e a afirmação da tradição: desde 1987 o time não cai na primeira fase. Fôlego novo para uma equipe que foi mais contestada do que aplaudida nesse semestre mas que nessa partida, no feriado da Inconfidência, mostrou a bravura e a força do nome São Paulo Futebol Clube.

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Ao escalar o time, o técnico Bauza mostrou sua experiência e estratégia surpreendente, ao colocar três volantes e deixar Paulo Henrique Ganso na reserva, uma cartada ousada mas que fazia sentido. Colocar um meia descansado para cadenciar ou acelerar o jogo dependendo da situação de momento. Pois no primeiro tempo da partida, o que se viu foi um The Strongest tentando pressionar desde o início e apostando muito nos chutes de longa distância mas que não puderam ser muito utilizados devido a forte marcação da equipe brasileira. Com Hudson protegendo a zaga, Thiago Mendes e a surpresa Wesley mais a frente, Michel Bastos aberto pela esquerda e Kelvin na direita, o São Paulo deixou o meio campo bastante povoado e se apresentava compacto e sem afobação. Na frente Calleri soube dosar bem e não corria para marcar a saída de bola dos mandantes, a estratégia era deixar o adversário tocar na defesa mas não chegar ao ataque. Pra isso, o Tricolor abdicou de atacar nos primeiros momentos. Depois do primeiro chute distante da equipe boliviana, o São Paulo na base das trocas de passe e com calma, finalizou já perto da área com Wesley. A bola passou perto. O São Paulo fazia o certo para ter fôlego e o controle do jogo, não era tão ameaçado pela equipe do The Strongest e procurava não errar passes. Mas a boa estratégia não duraria muito mais tempo.Com mais uma falha de Denis, o esquema estava indo “por água abaixo”.

Aos 28 minutos de partida, o goleiro saiu errado após cobrança de falta lateral e deixou Cristaldo na boa para fazer o gol. Um balde de água gelada. Logo depois, após cobrança de escanteio, o mesmo Denis soltou a bola na pequena área mas se recuperou e fez a defesa em dois tempos. Precisando do resultado, o São Paulo partiu para o ataque e o empate salvador veio aos 43 minutos após Calleri completar uma cobrança de escanteio feita por Kelvin para as redes. O argentino é o artilheiro isolado da Libertadores com oito gols marcados e fez o 12º gol na temporada. O gol deu alívio para a equipe e fez “renascer” a aposta estratégica de Bauza, de marcar e controlar o jogo para não se cansar e evitar uma pressão desenfreada dos mandantes. Momentos após o gol, o São Paulo quase consegue a virada. Kelvin recebeu passe e partiu para jogada individual, tirou dois marcadores dentro da área e chutou buscando o canto superior do gol. A bola saiu por cima evitando um golaço que traria a classificação mais perto.

O segundo tempo começou sem alterações e Ganso continuou no banco de reservas observando a equipe boliviana ir ao ataque já com certo nervosismo, o que abria espaços para contra-ataques da equipe são paulina. Houves oportunidades no começo da etapa complementar mas também sustos na defesa. Aos sete minutos, o atacante Alonso recebeu livre no centro da área, mas escorregou e chutou nas mãos de Denis.

Foi então que Bauza lançou Ganso ao jogo no lugar de Michel Bastos na segunda alteração da equipe, Caramelo havia entrado em substituição a Bruno que sentiu os efeitos da altitude e ainda entraria Kardec no lugar de Calleri, para efetuar a missão de segurar a bola e cadenciar o jogo. Aberto pelo setor esquerdo, Ganso marcou junto com Mena e saiu para o ataque sempre fazendo triangulações com Wesley e Mena, jogadores que mostraram muito fôlego na partida. Depois da entrada de Alan Kardec, Ganso ficou mais solto no meio e o camisa 14 passou a fazer o lado esquerdo. O cansaço aparecia e tudo se resumiu a defender e defender. A zaga rebatia para longe qualquer tentativa de ataque e cruzamento dos bolivianos e quando tinha a chance de ter a posse de bola, Ganso coordenava bons ataques e criava chances de gol para o São Paulo. Kelvin e o próprio Ganso em chute por cobertura tiveram oportunidades de sacramentar a classificação sem sofrimento. Mas sem sofrimento não é libertadores.

Depois do juiz chileno determinar 5 minutos de acréscimo, o The Strongest foi para o desespero e tentava de todas as maneiras o gol da vitória mas sem sucesso. Todas as tentativas eram rechaçadas pela defesa ou iam pra fora e num tiro de meta a favor do São Paulo, já aos 48 minutos de jogo, o goleiro Denis que já tinha cartão amarelo por “cera”, retardou a cobrança mudando a bola de posição bem na frente do árbitro Roberto Tobar. Não deu outra. Goleiro expulso de forma infantil, time com dez jogadores e as três alterações já feitas. Princípio de confusão entre os jogadores das duas equipes e muitas reclamações além de mais tempo acrescido. Tudo que os mandantes queriam. No São Paulo, o zagueiro Maicon que não perdia nenhuma dividida, assumiu a missão de ser o goleiro e não foi mal. Segurou dois cruzamentos e conseguiu ganhar tempo precioso até o apito final definitivo do juiz. Depois do fim de jogo, com os jogadores do time boliviano nervosos, se iniciou uma confusão generalizada em que o personagem central era Calleri. O mesmo recebeu beliscão no pescoço, chute por trás e um soco no rosto mas o juiz de maneira inexplicável expulsou o camisa 12 Tricolor. Enquanto toda a delegação são paulina tentava ir para o vestiário, jogadores do The Strongest e policiais iam atrás dos atletas e comissão técnica. Uma atitude lamentável mas até típica da competição sul americana.

Mas o que importava mesmo era a classificação “suada” para a fase eliminatória em 2º lugar do grupo 1. Agora o São Paulo terá uma missão muito dura contra o Toluca do México e que se inicia já na próxima quinta-feira dia 28 no Morumbi e será definida na altitude da cidade de Toluca no México. Para encarar esse desafio, será preciso o mesmo espírito dos jogos contra River Plate no Morumbi e The Strongest na Bolívia. A estratégia é ATITUDE e VALENTIA.

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