Opinião: Palmeiras sai MUITO fortalecido da Libertadores

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Crédito de imagem: Reprodução/ Site Oficial do Palmeiras

O Palmeiras goleou o River Plate por 4-0, mas foi eliminado da Copa Libertadores. Quando analisamos o grupo alviverde e lembramos das outras partidas, entendemos que poderíamos ter vencido o frágil River Plate no Uruguai, ter derrotado o Nacional dentro de casa e também até triunfado contra o Rosario na Argentina. Um “grupo da morte” que, na prática, não era tão difícil assim. No entanto, apesar dos vacilos, o Verdão sai da Libertadores MUITO fortalecido. Como? Eu explico.

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Tá certo que o grande projeto do Palmeiras era a Copa Libertadores, até mesmo o Mundial de Clubes. O presidente Paulo Nobre nunca escondeu isso, tanto que muitos jogadores chegaram em 2016 com o discurso de ser campeão do mundo. No entanto, os maus resultados do time sob o comando de Marcelo Oliveira e a chegada de Cuca no meio do caminho atrapalharam os planos originais do Verdão. Sem o Plano A, vamos ao Plano B: o Campeonato Brasileiro.

Desde a chegada de Cuca que o Brasileirão vem sendo colocado em primeiro plano no Palmeiras. Em entrevistas coletivas, tanto o presidente Paulo Nobre quanto o novo treinador citam o torneio nacional como prioridade, evidenciando sua característica longa de pontos corridos e, por consequência, de premiar o time mais regular durante todo o ano. Já que não podemos mais chorar o leite derramado, pensemos como eles. Com o novo foco em mente podemos constatar que o Verdão saiu muito fortalecido da Libertadores, chegando com muita força no Brasileirão. Até mesmo o Paulistão pode chegar no Palestra Itália.

O primeiro ponto forte do Palmeiras para o Brasileirão é Cuca. O treinador mostrou em nove jogos que o time estava muito ruim, mas que tem potencial. Tanto tem que começou a mostrar um futebol melhor desde a goleada sofrida contra o Água Santa, pelo Paulistão. Sempre muito ofensivo, o treinador consegue articular bem as peças disponíveis e mudar o padrão tático constantemente durante o mesmo jogo. Com alguns reforços pontuais – como talvez mais um zagueiro, um meia e um lateral direito – o time feche bem para a disputa do nacional.

Falando em jogadores, eis aqui outro ponto chave para a força do Palmeiras. O elenco é bom. Não é maravilhoso, friso, mas é bom. No mínimo 80% dos titulares jogam juntos desde 2015, o que fortalece o entrosamento. Além disso, em jogos como o da última quinta, contra o River Plate, ficou provado que o time sabe tocar a bola, consegue manter a calma e cria boas oportunidades de gol. Falta refinamento, claro, mas o Cuca dará um jeito nisso.

Especificamente sobre alguns jogadores, começo com Egídio. Sou fã de seu futebol desde os tempos de Goiás, em 2012. Depois de jogar no esmeraldino, o lateral fez sucesso no Cruzeiro. No Palmeiras, começou muito bem, mas caiu junto com o time. Sua deficiência na marcação é muito grande, mas que pode ser suprida quando o time está bem, bem postado taticamente, coisa que não acontecia com Marcelo Oliveira e voltou a acontecer com Cuca.

Outro destaque é a zaga formada por Vitor Hugo e Thiago Martins. Ambos os zagueiros mostram bom tempo de bola e não desistem fácil das jogadas. Tá certo que o Vitor Hugo às vezes comete erros e o Thiago peca pela juventude, mas é uma dupla promissora. A chegada de um terceiro nome ainda em 2016 pode fortalecer ainda mais o setor. Me desculpe Edu Dracena e Roger Carvalho, mas não dá. O argentino Tobio retorna de empréstimo no meio do ano, pode ser opção.

No ataque, Dudu, Gabriel Jesus e Alecsandro são os destaques. O primeiro é aquela garra de sempre, o segundo demonstra muita habilidade, enquanto o terceiro, apesar da forma física não ser a melhor, compensa e muito na técnica. O centroavante, com a confiança de Cuca, tem se tornado peça fundamental do time, a cabeça pensante dentro de campo. Outro que se melhorar o físico vai dar trabalho é Lucas Barrios. O gringo sabe jogar bola, foi artilheiro em todos os times que passou. Quando recebe a bola coloca pra dentro.

Receber a bola… Esse é o ponto. Falamos de zagueiros, de lateral, de atacantes, mas e de meia? Robinho desde que chegou foi para ser reserva, mas as circunstâncias o deixaram de titular. Dentro de campo mostrou que pode ser importante, fez belos gols, marca razoavelmente bem, mas infelizmente some quando o time mais precisa. Quando muito marcado, se perde em um misto de falta de técnica para se livrar e irritação. O Verdão tem também Allione, excelente válvula de escape pela ponta direita, habilidoso, mas um pouco fominha. Mas ainda falta algo… O Palmeiras precisa de um meia que pare a bola e pense o jogo, que dê passes curtos, rápidos, que fomente a triangulação…

Cleiton Xavier.

Após sete meses sem jogar, o camisa 10 voltou contra o River Plate e mudou o jeito do Palmeiras atuar. Em seus pouco mais de 20 minutos em campo, buscou o jogo o tempo todo, por vezes indo pegar a bola com os zagueiros. Articulou com calma, girou a bola quando um lado do ataque estava mais congestionado, procurou os passes rápidos, a triangulação. Evidentemente ainda precisa de ritmo de jogo, mas pode ser O CARA, de fato, que o Paulo Nobre tanto disse. Esperemos apenas que nenhuma lesão volte a atrapalhar.

Do Fernando Prass eu não preciso falar nada.

Mais um ponto importante: a torcida alviverde. Da mesma forma que abraçou o time em 2015, precisa abraçar ainda mais em 2016. O Palmeiras precisa fazer do Allianz Parque o seu triunfo no Brasileirão. Precisa deixar de perder em casa. As estatísticas mostram que um time campeão brasileiro praticamente não perde pontos como mandante. O time precisa entender isso e a torcida precisa fazer a sua parte. O torcedor tem de gerar tesão nos jogadores por atuarem no Allianz Parque. Fazer os atletas ficarem ansiosos por jogar em casa, para mostrar que ali quem manda são eles, é o Palmeiras.

O cenário se mostra bastante favorável para isso. O Palmeiras sai fortalecido da Copa Libertadores, muito também por não ter de se dividir entre ela e o Brasileirão em suas primeiras rodadas. É claro que a competição sul-americana tem o seu peso, o seu charme. Mas podemos entender a saída não como uma eliminação, mas sim como um até logo. Voltaremos melhores, muito mais fortes.

Foto: Reprodução / Site oficial do Palmeiras