Opinião: O que será do Palmeiras?

Palmeiras

Fazia algum tempo que eu não emitia uma opinião sobre o Palmeiras, talvez porque fosse cedo demais para criar qualquer expectativa – ou cravar qualquer decisão. Quando pensei em escrever esse texto, Marcelo Oliveira ainda gozava de prestígio no clube e eu poderia parecer um herege, um corneta ou um “gambá” por expressar o que eu vou dizer agora: o futuro do Palmeiras – assim como toda a gestão Paulo Nobre – irá se decidir na noite de hoje, quinta-feira, 14 de abril de 2016.

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“Mas como pode ser decidido hoje?”, perguntam alguns. Ou “Você está louco, qual é o seu parâmetro?”, questionam outros. “Você é um gambá!”, atacam dois ou três mesmo sem ler o que eu tenho a dizer, apenas com base nestas primeiras linhas. Pois o raciocínio é simples: se um presidente como Paulo Nobre, super palmeirense, que arrumou as contas do clube, que contratou o melhor diretor de futebol do Brasil, que trouxe mais de 70 reforços em pouco mais de três anos, que conseguiu aumentar as receitas do clube, não conseguiu superar em resultados dentro de campo seu antecessor Arnaldo Tirone, por exemplo, o que será do Palmeiras?

Se o Palmeiras não conseguir a classificação nesta noite para as oitavas de final da Copa Libertadores, o desempenho de Paulo Nobre como presidente estará sendo tão sofrível como o de Tirone. O ex-presidente do Verdão também conquistou uma Copa do Brasil e foi rebaixado. Paulo Nobre, por sua vez, igualou a conquista da Copa do Brasil e não foi rebaixado – ao menos não oficialmente. Palmeirenses mais saudosos com certeza encaram 2014 como um rebaixamento moral. Um dos piores times que o clube já teve; pior até que o rebaixado oficialmente em 2012.

Tá certo que Paulo Nobre arrumou a casa financeiramente, mas o que isso resultou em resultados dentro de campo? Trouxe o melhor diretor de futebol, contratou “n” técnicos – inclusive um bicampeão brasileiro, mais de 70 reforços e só conseguiu, em pouco mais de três anos, igualar o que o Tirone fez em dois. E sabe o que é mais curioso? O melhor jogador do clube, aquele que a torcida se espelha, aquele que a torcida mais vibra efetivamente, foi fruto da gestão Tirone. Fernando Prass foi fundamental na conquista da Copa do Brasil 2015, tendo chegado ao Palmeiras em 2012.

Eu quero que o Paulo Nobre tenha sucesso no Palmeiras. Torço por sua gestão desde a primeira eleição. Vejo nele um potencial incrível para fazer o Palmeiras crescer cada vez mais… Mas e aí? Fica difícil defender seus números no clube. “Ah, mas ele conseguiu o melhor patrocínio do Brasil, o melhor da história do Palmeiras”, tá bom, mas e daí? O que isso trouxe de resultados diretos ao futebol do clube? Paulo Nobre é um profissional correto, dos bons, mas não está dando certo no futebol. Ao menos não de acordo com as minhas expectativas, talvez com a de muitos palmeirenses.

Se o Palmeiras conseguir a classificação nesta noite, cravo sem medo de errar: o Verdão será um seríssimo candidato ao título da Libertadores. Caso seja eliminado, o abalo será tamanho que até mesmo o Paulistão ficará em segundo plano. A chave será girada em direção ao Brasileiro e todas as fichas da atual diretoria vão com ele. Aos poucos o discurso internamente já vem sendo mudado no clube. Ontem, a Libertadores era o projeto. Hoje, com Cuca, o planejamento já é voltado para o Brasileirão. E os torcedores como ficam nessa? O Palmeiras dos últimos anos é sempre o time do amanhã.

O que será do Palmeiras?

Espero que seja campeão. Hoje, amanhã e sempre. Não ontem e talvez amanhã.

Foto: Reprodução / Site oficial do Palmeiras