Opinião: Falar de Telê Santana não é apenas falar de São Paulo, mas do Brasil

Foto: Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube

Falar de Telê Santana não é apenas falar dele no São Paulo, mas sim em vários clubes brasileiros que ele jogou e comandou. Além disso, ele não pode ser esquecido por ter sido autor de uma das mais belas páginas do futebol nacional.

Sua carreira começou no Itaberense, de sua cidade natal, a mineira Itabirito. Depois ele passou pelo América de São João Del-Rey antes de desembarcar no Rio de Janeiro, mais precisamente na Rua Álvaro Chaves, a sede do Fluminense, localizada no bairro de Laranjeiras. O ponta-direita Telê chegou indicado por Preguinho, zagueiro da Seleção Brasileira na Copa de 1930 e acabou se tornando um dos ícones do clube ao fazer 557 jogos e anotar 165 gols, tornando-se o terceiro jogador a mais vezes vestir a camisa Tricolor. Ele ainda jogou no Guarani, de Campinas e no Madureira, onde chegou a marcar um gol no seu Fluminense e chorou após este fato.

Falar de Telê é lembrar que ele começou como técnico no seu Fluminense, mas sua primeira grande glória veio no Atlético-MG, ao levar o Galo ao seu único título brasileiro, em 1971, derrotando no triangular final São Paulo e Botafogo, além de ter treinado o alvinegro em várias outras ocasiões e sempre ter o respeito da massa atleticana.

Comentar sobre Telê é recordar que ele assumiu em setembro de 1976 o Grêmio e conseguiu levar o Tricolor gaúcho a quebrar um jejum de títulos estaduais no ano seguinte, ao bater o Internacional na decisão por 1 a 0, gol de André Catimba, adquirindo o respeito da torcida gremista.

Explanar sobre o treinador é recordar que ele assumiu o Palmeiras em 1979 e embora não tenha sido campeão paulista e brasileiro no Verdão, ele montou um time que jogava bonito e encantou o país numa tarde de domingo em dezembro daquele ano, ao fazer 4 a 1 no Flamengo, jogando bonito e carimbando ali seu passaporte para um voo maior.

Falando em Seleção, entre 1980 e 1982 tivemos um dos mais bem sucedidos casamentos entre técnico, time e torcida. O Brasil foi para a Espanha jogar a Copa do Mundo e mesmo não ficando com a taça por conta da eliminação para a Itália, encantou a todos com o futebol bem jogado, com toque de bola e criatividade, colocando o time ao lado da Holanda de 1974 e da Hungria de 1954 como os times que não foram campeões e que seguem até hoje com a aura de conquistadores do mundo intacta. Após aquela competição, um caso quase impensável hoje em dia aconteceu. Ao desembarcar, o time teve recepção de vencedor, com festa e reconhecimento pelo futebol bem jogado. Telê ainda treinou o time que foi ao México em 1986 e embora muitos dos comandados já não tivessem o vigor de antes, jogou bonito e parou na França.

Contudo, uma outra torcida Tricolor acabou adotando Telê Santana para si e com inteira justiça. De 1990 a 1996, o mineiro comandou o São Paulo e ele sepultou a fama de ‘pé-frio’ com muito gosto. Títulos paulistas, brasileiros, Super Copa da Libertadores, Conmebol e duas Libertadores e Mundiais fizeram com que o Mestre conquistasse um lugar cativo no coração dos são paulinos, mas para aqueles que gostam, amam e respeitam o futebol bem jogado.

Por tudo isso, falar de Telê Santana, dez anos após seu falecimento não é caso de liga-lo apenas a um time, mas a um país, pelo legado de jogo bonito e ofensivo que ele deixou.