Opinião: Chama Olímpica é acesa e os deuses mandam seu recado

No dia em que a chama Olímpica é acesa na Grécia, duas pessoas morrem na recém inaugurada ciclovia da cidade sede dos Jogos Olímpicos. Infeliz coincidência ou um recado dos deuses?

No berço dos Jogos Olímpicos, no vilarejo de Olímpia na Grécia, a chama Olímpica foi acesa hoje (21). Gregas e gregos fizeram mais uma vez um belo espetáculo Olímpico, com danças e coreografias para evocar Apolo (o deus do Sol) mandar seus raios acender a mais pura das chamas, em frente ao altar de Hera – bela, vingativa e deusa rainha.

Para nós brasileiros, um momento mais do que especial. Simbolicamente, ao acender a chama e iniciar o revezamento da tocha, podemos dizer que os Jogos Olímpicos Rio 2016 começaram. Isso porque na antiguidade, antes do início dos Jogos Olímpicos, emissários saíam à percorrer as polis gregas, conclamando por um período de trégua – para que os gregos pudessem se dirigir em segurança para Olímpia.

Falando em se sentir seguro, voltamos ao Brasil, o país da não segurança. No mundo inteiro, todos os gringos que irão aportar no Rio de Janeiro já sabem o que esperar do Brasil: dengue, samba, águas poluídas, carnaval, zika, praias, promessas não cumpridas, e por aí vai.

O que ninguém esperava é uma ciclovia, recém inaugurada ao custo de R$ 44,7 milhões, desabar e matar duas pessoas no mesmo dia em que a bandeira brasileira tremulava em solo grego. Triste coincidência ou um recado dos deuses?

Para quem acredita, seria Poseidon castigando com uma onda a ciclovia, alertando de que “algo” estamos fazendo de errado por aqui. Se pensarmos assim, podemos esperar um maremoto lavando a terra brasilis. Porém para os céticos, foi só mais um capítulo da Tragédia Olímpica brasileira.

A chama Olímpica ainda tem 20 mil quilômetros e 10 mil milhas aéreas até o dia da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Esse símbolo de amizade e entendimento entre as pessoas está fazendo muito falta por aqui.

FOTO: IOC/Facebook/Reprodução



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.