O dia em que Telê Santana ensinou à Cruyff a arte de jogar bola

Crédito da foto: Reprodução Facebook Oficial do São Paulo

Estádio Nacional de Tóquio, Japão. Dia 13 de dezembro de 1992. Diante de um público de 60 mil pessoas, dois mestres se encontravam: de um lado Johann Cruyff, um gênio da bola com a camisa da Laranja Mecânica (como era conhecida a seleção holandesa), e que agora era o técnico do Barcelona, um dos maiores clubes do mundo. Do outro lado, Telê Santana, que havia sido técnico da seleção brasileira em 82 e 86, lutando contra o rótulo de pé frio, no comando do São Paulo. Após 90 minutos, tudo mudou.

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“Se for para ser atropelado, que seja por uma Ferrari.” Essa foi a frase de Johann Cruyff após o término do Mundial Interclubes de 1992. Diferente da véspera da partida, onde até então, poucos tinham dúvidas de que o Barcelona derrotaria o São Paulo. A equipe catalã tinha conquistado seu primeiro titulo continental naquele ano, tinha jogadores talentosos como o búlgaro Stoitchkov e o dinamarquês Michael Laudrup. Do outro lado, o São Paulo era um desconhecido, que havia ganhado sua primeira Libertadores da América. Mas desconhecido pela imprensa local, porque o Barcelona já havia enfrentado o Tricolor naquele mesmo ano: em um torneio disputado na Espanha (Troféu Tereza Herrera), ambas as equipes se enfrentaram na final e o troféu ficou com o São Paulo, que venceu a final por 4 a 1.

Em campo, o favoritismo do time do Barcelona ganharia força aos doze minutos da primeira etapa, quando Stoitchkov abriu o placar. Mas quem achou que o São Paulo recuaria, se enganou. Esse não era o estilo do time de Telê Santana. O tricolor se impôs e ainda no primeiro tempo, chegou ao empate com Raí. No segundo tempo, uma falta aos 34 minutos mudaria tudo: Raí foi para a cobrança e acertou um belo chute, sem chance de defesa para o goleiro Zubizarreta. Terminava ali o favoritismo do Barcelona, e o São Paulo conquistava o mundo pela primeira vez.

Chegava ao fim o rótulo de pé frio do Mestre Telê Santana, e se iniciava um domínio do São Paulo, que no ano seguinte voltaria ao Estádio Nacional e derrotaria o Milan, com o Mestre Telê no comando da equipe. Era a fase mais vitoriosa da história do clube do Morumbi, na qual muitos diziam que “torcer para o São Paulo era uma grande moleza.” E o mais incrível nessa relação entre os são paulinos e o grande Telê Santana, é que quando ele chegou para dirigir o Tricolor em 1990 (logo após o pífio Campeonato Paulista de 90), ele foi claro nas suas intenções: ficaria três meses apenas. Nem alugou apartamento na capital paulista, preferiu ficar morando no CT do clube, porque não iria ficar nenhum dia a mais. Ele se enganou: foram cinco anos inesquecíveis, que marcaram a história do São Paulo Futebol Clube para sempre, a ponto de mesmo dez anos depois da sua morte, e mais de vinte anos de sua última partida no comando do clube, a torcida são paulina mantém enorme carinho e respeito, por aquele que chamam de Mestre, e sempre grita seu nome antes dos jogos do clube. Não tem respeito maior do que esse. O Mestre Telê merece.

Confira abaixo os melhores momentos daquela partida: