Mesmo depois de duas derrotas seguidas e minha fama de pé-frio, Portsmouth segue na briga pelo acesso na League Two

Crédito da Foto: Reprodução/Facebook oficial

Botham Crescent. Crédito Mauro Tavernard

Após longa viagem de seis horas partindo do Fratton Park até a cidade de York, próxima da divisa com a Escócia, cheguei ao estádio Botham Crescent com a torcida do Portsmouth, que aquela altura estava ainda esperançosa com o acesso direto para a League One (Terceira divisão) antes de enfrentar o rebaixado York City FC, restando cinco rodadas para o término da League Two inglesa. Pequeno e agradável, o local possui cadeiras em todas as áreas destinadas para torcida local, com exceção da torcida visitante, aonde acompanhei a partida com cerca de 1.200 bravos torcedores que se disponibilizaram ontem,19,  a apoiar mais uma vez o clube nesta temporada – escrevi um post sobre a viagem, em breve no torcedores.com.

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Depois de várias pints (cervejas) no bar ao lado, a torcida vislumbrava que o desfecho daquela fria noite de início de primavera inglês terminasse com uma vitória tranquila, mas a realidade foi outra. Com início fulminante, os donos da casa abriram três a zero uno primeiro tempo, com gols de Fewester, Lewis Alessandra e uma pintura de fora da área de Summerfield. Atônita a torcida não conseguia acreditar no que via, pois aqueles pontos eram vitais para a terceira colocação, que garantiria vaga direta na League One na temporada seguinte. Sem praticamente um chute a gol, os visitantes começaram melhor a segunda etapa, com um gol atrapalhado de Gareth Evans na pequena área, após falha grotesca de Flinders. Enquanto o frio só fazia diminuir a temperatura, em campo os jogadores pareciam sentir os seis graus para se movimentar e espantar o frio, apagando a monotonia inicial.

Gol do York City Crédito Mauro Tavernard

Mesmo com a melhora, os donos da casa continuaram superiores e interceptavam quase todas as jogadas de ataque do Pompey, usando muitas vezes o contra-ataque para chegar ao gol de Paul Jones, em mais uma noite sem muito brilho do arqueiro. Apesar de ter quase o dobro de pontos do adversário, o Portsmouth repetiu os minutos finais do jogo passado, em que perdeu para o Plymouth dentro de casa com dois gols em 40 segundos, e mostrou novamente a zaga desorganizada, goleiro sem confiança e principais jogadores, como Kyle Bennet e Roberts sem apresentarem grande futebol.

Gol do York City. Crédito Mauro Tavernard
Questionado sobre o resultado da partida, o torcedor Paul Allen limitou-se a dizer “rubish”, ou lixo em português, sobre a “pior partida do clube no ano”. Após a derrota, os jogadores reconheceram o apoio da torcida, e foram saudá-los, ouvindo a plenos pulmões palavrões e xingamentos sobre a péssima apresentação do time naquela noite. Sinceramente não sei o motivo do “tilt” da equipe, que possui chances remotas de acesso direto, mas pode ao menos garantir vaga nos playoffs vencendo o Wycombe neste sábado no Fratton Park.

Com o time bem armado e forte para os padrões da quarta divisão, tudo leva a crer que o clube é um dos favoritos a quarta vaga do acesso, mas o técnico Paul Cook, que admitiu a superioridade do rebaixado York City na partida – “fomos dominados” – precisa arrumar com urgência os problemas do time nessa reta final, há apenas quatro jogos do início dos playoffs. Tradicional time inglês, o Portsmouth FC é grande demais para disputar apenas a quarta divisão do futebol inglês, e merece o acesso por sua história e investimentos na temporada. Mas como diria Muricy Ramalho, “a bola pune”, e erros como esses podem ter consequências desastrosas para o projeto de reestruturacão do clube para pode voltar a disputar campeonatos importantes nos próximos anos.
Mauro Tavernard