Aquela noite foi o sonho da torcida do Rangers. Por quatro duros anos

Crédito da foto: Reprodução/Site Rangers FC

O futebol escocês tem como sua principal referência o “Old Firm”, o clássico entre Rangers e Celtic. Este sempre figura nas listas de maiores rivalidades do mundo.


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Um encontro que não envolve apenas o futebol, mas também a religião, política, nacionalismo e separatismo. Oriundos da estremecida relação entre Grã-Bretanha e Irlanda.

Há quatro anos, o Rangers declarou falência e acabou rebaixado à quarta divisão do futebol escocês. (Se acha duro um rebaixamento à segunda divisão, imagine à quarta!)

Aos poucos o clube foi recuperando sua posição. Claro, sempre acompanhado de constantes deboches da torcida do Celtic, que já traçava planos de como usar o estádio de Ibrox. O comércio foi a ideia mais aceita. Além disso, adaptaram uma frase usada na época de Margareth Thatcher. “Jelly and Ice Cream when Rangers die”. Um prazer mórbido sobre a desgraça alheia.

Mas os fãs, que tanto sofreram por quatro anos, viveram um abril de redenção, glória e máxima superação. No dia 05, o Rangers venceu o Dumbarton por 1 x 0 sacramentando assim o título da segunda divisão. E a cereja do bolo veio no dia 17, quando os “Gers” bateram o Celtic nas semifinais da Copa da Escócia por 2 x 2 (5 x 4 nos pênaltis). Dramático e sofrido, como tinha de ser.

O Torcedores conversou com alguns dos mais leais seguidores do Rangers. Uns tentaram colocar em palavras o que sentiram após o jogo. Outros discorreram mais sobre o triunfo.

“Fiquei quieto por horas, a emoção tomou conta de mim. Não conseguia falar, só chorava”, disse Jim Armit, que estava no estádio.

Kevin Blyth é um escocês que vive na Nova Zelândia. Ele integra o “Kiwi True Blues”, um clube de torcedores, formado majoritariamente por seus compatriotas e norte-irlandeses. “Estávamos todos assistindo a semifinal, mais de 100 pessoas aqui em Auckland. Não acreditamos quando tinha terminado. Voltamos à elite e ainda batemos o Celtic no jogo seguinte. Foi demais para todos nós”, ele conta.

“Foi uma das melhores partidas que vi”, disse Andy Stewart, referindo-se ao jogo contra o maior rival. “O time sabia o quanto aquele jogo significava para o clube e os fãs. O primeiro tempo foi o melhor que vi nos últimos três anos. Os jogadores tinham muita confiança e conduziram a bola com sabedoria. Caíram de produção na segunda etapa, quando o Celtic empatou o jogo, mas tiveram a personalidade e competência para não deixar a vitória escapar. Para cada um deles, ter participado deste jogo certamente irá marca-los para sempre”, completa.

“Não entendo por que dizem que Fenerbahçe e Galatasaray é o maior clássico do mundo. O Old Firm que é. De longe. Não há uma história como a nossa”, resumiu Ian Robertson.

O Rangers tem mais três partidas a jogar antes de se despedir da segundona. A Federação Escocesa vai anunciar a data da final diante do Hibernian.



Jornalista, formado em 2008. Após a formação, estudou na Austrália entre 2009 e 2010, acompanhando toda a cena esportiva local. Hoje, atua como correspondente nas Américas para portal norueguês de Handebol, presta assessoria de imprensa para atletas olímpicos e escreve colunas para o Torcer pelo Esporte.