10 anos sem Telê Santana

Há exatos dez anos, Telê Santana da Silva, o maior técnico brasileiro da história, nos deixou. O futebol brasileiro perdeu o maior defensor do verdadeiro futebol arte, um gênio que era contra os pontapés e jogo feio. Simplesmente um artista da bola, destes que só aparece na terra de vez em quando.

Telê, nasceu em 26 julho de 1931, em Itabirito, Minas Gerais. Desde criança já gostava de futebol, e praticava o esporte sempre com muito talento. Depois de inúmeros testes, Telê vem para o Rio de Janeiro jogar no Fluminense. Pelo tricolor carioca, ganha o apelido de “Fio de Esperança”, já que era um ponta que voltava para marcar, ajudando na marcação, dentro de campo era um incansável. No tricolor carioca, ganhou títulos, fez gols e virou ídolo. Depois de 10 anos e 525 jogos, deixou o Fluminense já em fim de carreira, ainda passou por Guarani, Madureira e Vasco, até aposentar-se em 1962. Apesar de ser um grande ponta, Telê jamais jogou pela Seleção Brasileira. É até hoje um dos maiores artilheiros da história do Fluminense, e o terceiro que mais jogou pelo clube.

Após o fim de sua carreira, Telê percebeu que poderia ser treinador de futebol, e em 1968, assumiu a equipe de juniores do Fluminense, depois de muito destaque nas categorias de base, foi chamado para treinar o time principal do clube das Laranjeiras. Nascia ali o Telê Santana, técnico de futebol, o Mestre Telê. Fez sucesso pela Flu, mas saiu brigado com os dirigentes do clube. De lá Telê assumiu o Atlético Mineiro, onde fez história, conquistou um campeonato mineiro e ainda foi campeão brasileiro de 1971, até hoje o único conquistado pelo time mineiro. No ano seguinte passou sem sucesso pelo São Paulo. Voltou para o galo mineiro, onde não conseguiu repetir o sucesso da primeira passagem, saiu depois de um ano. Em 1976, trabalhou no Botafogo, sem sucesso. Fez um grande trabalho no Grêmio, onde ficou quase dois anos, conquistando um título gaúcho. Em 1979, assumiu o Palmeiras, onde não conquistou títulos, porém, fez um time desacreditado, virar uma grande equipe. Em 1980, assumiu a Seleção brasileira.

Aqui um parágrafo a parte, já que a passagem de Telê pela seleção canarinho foi especial. O trabalho começou mal, mas aos poucos a seleção começou a jogar bonito e a pintar como grande favorita para conquistar a Copa do Mundo que se aproximava. Apesar de jogar bonita, a seleção de Telê sofria críticas, por jogar sem pontas. Jô Soares, imortalizou a frase “Bota ponto, Telê”, onde o humorista pedia por telefone, para que o técnico do Brasil, colocasse jogadores que jogassem pelos flancos do campo. Mas mesmo sem pontas, o Brasil pintava como campeão. Até o jogo contra a Itália, onde Paolo Rossi, fez 3 gols, e o Brasil deu adeus à Copa do Mundo, o mundo inteiro sentiu o golpe, o jogo dicou conhecido como: “A Tragédia do Sarriá”, o Brasil não venceu a Copa, mas encantou o mundo e é até hoje considerada a maior seleção de todos os tempos.

Após a tragédia em 1982, Telê Santana, decidiu deixar o Brasil e foi treinar o Al Ahli da Arábia Saudita. Ficou nas Arábias até 1985, quando retornou para a Seleção brasileira, com ele veio a esperança de que o Brasil entraria nos eixos e seria campeão mundial. Porém com os jogadores mais velhos e um futebol não tão vistoso, o Brasil foi derrotado nos pênaltis para a França, e saiu da Copa do Mundo. Com isso Telê ficou com a fama de “Pé Frio”.

Depois da Seleção, Telê voltou para o Atlético Mineiro, onde ganhou um campeonato mineiro. Mas deixou o time mineiro em outubro de 1988, para ir treinar o Flamengo. No time carioca montou um ótimo time, mas perdeu a final do campeonato carioca para o Botafogo, que estava sem ganhar um título há 21 anos, reforçando ainda mais sua fama de “Pé Frio”. Saiu do Flamengo e voltou para o Palmeiras no início de 1990, passou 9 meses pelo Parque Antártica, sem fazer um bom trabalho. Comentou com brilhantismo a Copa do Mundo de 1990, pelo SBT. Em outubro do mesmo ano aceitou o convite para treinar o São Paulo.

Outro parágrafo à parte para contar a segunda passagem de Telê pelo São Paulo. Pegou o tricolor paulista em frangalhos, depois de um campeonato paulista pífio, Telê levou o São Paulo para a final do campeonato brasileiro, perdendo para o Corinthians, mais uma vez a fama de “Pé Frio” rondava o treinador. Em 1991, com o time mais entrosado, Raí jogando o fino da bola, o São Paulo passou por cima do Corinthians e foi campeão paulista. Sendo Telê o único técnico que venceu os quatro principais estaduais do país (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo). No mesmo ano o São Paulo ainda foi campeão brasileiro, vencendo o Bragantino na final. Veio 1992, e o São Paulo de Telê era o melhor time do país, além de jogar um futebol muito bonito. O técnico são-paulino, não gostava de jogar Libertadores, por achar a competição muito violenta, mas o presidente do São Paulo na época, Pimenta Bastos, convenceu Telê que seria muito importante ganhar a competição. E assim, o tricolor, começou a priorizar a competição, e venceu pela primeira vez a competição Intercontinental. No fim do ano foi jogar o Mundial contra o grande Barcelona de Stoichkov. Porém o São Paulo de Telê era um time cascudo, começou perdendo, com gol do craque búlgaro, mas o São Paulo não se abateu, jogou muito bem, de igual para igual com o time catalão, e virou o jogo com dois gols de Raí, na comemoração do segundo gol, o capitão são-paulino, sai correndo para abraçar o técnico do tricolor, numa imagem emblemática. Depois do Mundial, ainda deu tempo do São Paulo ser campeão paulista sobre o Palmeiras. Em 1993, o São Paulo conseguiu um feito inédito na história do futebol, foi o primeiro time sul-americano a vencer uma Quadrupla Coroa Internacional, já que venceu, a Libertadores, o Munidal, a Recopa e a Supercopa da Libertadores. O time de Telê passou a se dedicar para competições internacionais, e venceu a Recopa sul-americana, sobre o Cruzeiro nos pênaltis, venceu o Flamengo na decisão da Supercopa da Libertadores jogando com o expressinho (como ficou conhecido o time reserva do São Paulo que jogava algumas competições), venceu a Libertadores, e  no Mundial venceu o Milan, por 3 a 2, com um gol “sem querer” de Muller. A “Era Telê Santana” foi a época mais vencedora da história do São Paulo, vencendo muitos títulos, após este período, a torcida tricolor passou a chamar Telê de Mestre e ele virou o “Mestre Telê”. Em 1994, o tricolor, chegou novamente na final da Libertadores, mas foi garfado e perdeu o título para o Vélez Sarsfield da Argentina. Mesmo assim ainda ganhou a Recopa. Em 1995, com o time mais envelhecido o São Paulo entrou num período de baixa. No começo de 1996, Telê sofreu uma isquemia cerebral e teve que deixar precocemente o futebol. Sua saúde ficou muito debilitada, e passou os últimos dez anos da vida morando em Belo Horizonte, afastado dos holofotes. Após sua vitoriosa passagem pelo São Paulo, Telê acabou com a fama de “Pé Frio”, e colocou seu nome entre os maiores técnicos de futebol do planeta.

Em 21 de Abril de 2006, Telê Santana morreu e deixou milhares de fãs tristes, além do mundo do futebol menos belo. Vários jogadores que trabalharam com o Mestre, sentem saudades até hoje, e levam seus ensinamentos adiante.

Telê foi muito mais do que apenas um simples treinador, ele foi um formador de cidadãos, já que exigia muito de seus comandados e ajudava os jogadores a enxergar além da profissão, dando sempre ótimos conselhos.

Até hoje, a torcida do São Paulo não esquece Telê, sempre que o time joga em Libertadores a torcida grita “olê, olê, olê olê, Telê, Telê!”. E com certeza, lá de cima ele abre aquele sorriso, como na final no Mundial de 1992, abençoando os torcedores que jamais o esquecerão.



Sou um estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu,amo futebol porém adoro todos os esportes,adoro escrever sobre o mercado da bola e fazer análise de jogos,espero que os leitores gostem.