Foto estourada

Simulamos como ficaria o Brasileirão dividido entre Globo e Esporte Interativo; confira

Contratos com emissoras diferentes causariam um impasse legal; Torcedores.com mostra como isso seria

Já é um fato a divisão de times entre Globo e Esporte Interativo na TV por assinatura a partir do Brasileirão 2019. O canal da Turner anunciou oficialmente acordos com o Bahia e com o Atlético-PR, e já tem contrato engatilhado com o Santos. O SporTV, da Globo, por sua vez, tem Vasco e Botafogo até 2020 garantidos, e deve fechar com Corinthians, Atlético-MG, Fluminense, Sport Recife e Vitória. Com isso, um impasse surge: pela lei brasileira, uma emissora só pode transmitir jogos de futebol dos quais tenha direitos de transmissão dos dois clubes envolvidos, a menos que haja um entendimento entre as partes.

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E se não rolar um acordo entre SporTV e Esporte Interativo? O Torcedores.com resolveu fazer uma simulação tendo como base a tabela do Campeonato Brasileiro do ano passado, além dos jogos mais importantes que aconteceram antes dela. Quem poderia transmitir qual jogo? Para tirar essa dúvida, consideramos dois grupos baseados nas especulações que surgiram com mais força até agora na mídia. São eles:

SporTV (Globo)*: Corinthians, Flamengo, São Paulo, Vasco, Botafogo, Vitória, Sport, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense, Ponte Preta, América-MG, Avaí

Esporte Interativo*: Inter, Santos, Palmeiras, Grêmio, Coritiba, Atlético-PR, Bahia, Santa Cruz, Chapecoense, Figueirense, Joinville, Goiás

* Em destaque em negrito, times já fechados. Os demais são apenas simulações/especulações

Vamos pegar a primeira rodada do Brasileirão 2015 como se ela fosse acontecer em 2019. A simulação é válida porque alguns desses times presentes no grupo acima não estavam na Série A. E é exatamente o que pode acontecer daqui a quatro temporadas. É impossível imaginar desde já quem disputará os campeonatos, e uma emissora pode fechar hoje com um time que joga a primeira divisão, mas pode estar na Série D quando o contrato estiver valendo.

Se fosse com os times do ano passado, o SporTV não teria Vitória, Botafogo e América-MG (três times que subiram na Série B), enquanto o Esporte Interativo não teria Bahia (que permanece na Série B até hoje) e Santa Cruz (que subiu). Seriam contratos “perdidos”, e se criaria um impasse quanto à validade deles na Série B, que tem seus direitos de transmissão comercializados de outra forma. No caso do Vasco, que jogará a segundona este ano, vale o contrato atual com a Globo.

Mas, voltando à primeira rodada: antes de mais nada é sempre necessário repetir que os direitos em disputa não são de TV aberta, nem PPV (pay-per-view). Eles permanecem como são hoje. A TV Globo mostra os jogos no sinal aberto, o Premiere FC vende o PPV. Tudo aqui se tratar de TV por assinatura, onde estão SporTV e Esporte Interativo (além de seus concorrentes, ESPN, Fox Sports e BandSports).

Veja como seria a primeira rodada do ano passado aplicada ao Brasileirão 2019:

Palmeiras x Atlético-MG: SEM TV
Chapecoense x Coritiba: Transmissão possível pelo Esporte Interativo
Fluminense x Joinville: SEM TV
Grêmio x Ponte Preta: SEM TV
São Paulo x Flamengo: Transmissão possível pelo SporTV
Cruzeiro x Corinthians: Transmissão possível pelo SporTV
Atlético-PR x Internacional: Transmissão possível pelo Esporte Interativo
Sport x Figueirense: SEM TV
Vasco x Goiás: SEM TV
Avaí x Santos: SEM TV

Ou seja, SporTV e Esporte Interativo poderiam transmitir apenas dois jogos na primeira rodada, cada um. Parece pouco, mas não é. No ano passado, o SporTV exibiu apenas dois jogos, um em cada dia. O assinante de TV paga poderia ver o dobro nesse cenário. O prejuízo seria ao PPV, que teria dois jogos exclusivos a menos. Na prática: menos dinheiro das vendas.

Mas, e o jogo que definiu o título brasileiro do ano passado? O Corinthians foi campeão ao empatar com o Vasco em São Januário. Nesse cenário, o SporTV poderia transmitir a conquista do troféu com exclusividade na TV por assinatura. O Brasileirão teve ainda definições importantes na última rodada. Vamos a ela.

São Paulo e Internacional chegaram brigando pela última vaga na Libertadores. Atlético-MG e Grêmio disputaram o vice-campeonato. Coritiba, Figueirense, Vasco e Avaí lutavam contra o rebaixamento.

Briga por Libertadores

Internacional x Cruzeiro: jogo sem transmissão possível em TV paga
Goiás x São Paulo: jogo sem transmissão possível em TV paga

Ou seja, a briga por uma vaga na Libertadores ficaria restrita ao PPV, a menos que interessasse à TV Globo no sinal aberto

Briga pelo vice

Atlético-MG x Chapecoense: jogo sem transmissão possível em TV paga
Joinville x Grêmio: Transmissão possível no Esporte Interativo (mostraria o Grêmio ficando sem o vice, já que o Galo venceu seu jogo)

Briga contra a Série B

Coritiba x Vasco: jogo sem transmissão possível em TV paga (rebaixamento do Vasco ficaria só na Globo ou PPV)
Figueirense x Fluminense: jogo sem transmissão possível em TV paga (idem para a salvação do Figueira)
Corinthians x Avaí: jogo com transmissão possível pelo SporTV (que mostraria a queda do time catarinense)

Como isso pode ser resolvido?

A forma mais fácil em um mundo colorido onde tudo são flores é a assinatura de um acordo entre SporTV e Esporte Interativo. As duas emissoras poderiam compartilhar os direitos de seus clubes, ou chegar a um consenso que determine um critério, como por exemplo o mandante. O canal que tiver contrato com o time da casa poderia mostrar sua partida, como acontece na Europa.

A outra maneira, muito bizarra, seria convencer a CBF a fazer a tabela da última rodada ter menos possibilidades de jogos fora dos dois canais. Isso seria desportivamente incorreto, pois mexeria com a estrutura de um calendário forçando sempre jogos entre times do mesmo canal na definição do campeonato.

E o PPV?

Não muda, mas pode ser afetado pelo aumento de jogos em TV paga. O Esporte Interativo certamente faria questão de usar seus direitos no máximo possível em cada rodada. O SporTV, ameaçado, teria que responder na mesma moeda. Com menos jogos exclusivos, vendas e assinaturas tendem a cair. E esse dinheiro é revertido aos clubes. A solução ideal sempre passa por um acordo entre os dois canais.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.