Opinião: Peñarol, um gigante em ruínas na América

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A sala de troféus do Peñarol é extensa. Dentre os títulos presentes lá estão suas cinco Taças Libertadores da América e seus 49 Campeonatos Uruguaios, além de outros canecos de menor expressão também faturados. Ninguém nega a tradição dos aurinegros e seu peso no cenário do futebol sul-americano e até mesmo mundial. Porém, atualmente, as coisas não andam bem e o clube não é mais o “bicho-papão” de tempos atrás.

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Na última terça-feira, em pleno estádio Centenário de Montevidéu, na capital do Uruguai, o Peñarol acabou levando um verdadeiro passeio do Atlético Nacional da Colômbia e foi goleado pelo placar de 4×0, mantendo-se na lanterna do grupo 4 da Taça Libertadores, com um único ponto somado em quatro partidas, tendo sofrido oito gols e marcado apenas um.

Presença constante no torneio continental, nos últimos dez anos o Peñarol esteve ausente em cinco anos da competição, uma marca bastante negativa se levarmos em conta a tradição dos aurinegros e também o nível de competitividade do futebol uruguaio, que não é dos mais altos. Nas edições nas quais esteve presente, sua participação não foi das melhores.

Em 2009, após ficar cinco anos longe do torneio, decepcionou a seus torcedores ao ser eliminado ainda na pré-Libertadores. quando foi derrotado pelo Independiente de Medellin por 4×0 na ida e empatou sem gols na volta, frustrando a todos que aguardavam ansiosamente pela sua volta à competição.

No ano seguinte da fatídica eliminação para os colombianos, o Peñarol esteve ausente, retornou em 2011, desta vez em grande estilo. Sob o comando do treinador Diego Aguirre e com Martinuccio em grande fase, os uruguaios foram até a grande decisão demonstrando um futebol inovador, que não ficava preso à tradição de apenas “raça charrua”, mas acabaram derrotados pelo talentoso Santos de Neymar e Ganso.

Após ser vice-campeões, os Carboneros chegaram para a disputa da competição em 2012 com a moral revigorada. O elenco havia sido desmanchado, mas o espírito para levantar o caneco após 25 anos parecia estar de volta. Só parecia…Nessa edição, o Peñarol teve sua pior campanha na história da fase de grupos do torneio, somando míseros 4 pontos e sendo eliminado. Os anos de 2013 e 2014 foram igualmente pífios, eliminações na fase de grupos e campanhas horrendas, que nem de perto lembravam o tão temido bicho papão do Uruguai.

Essa crise no Peñarol teve origem ainda em 2005, quando o presidente aurinegro, José Pedro Damiani, rompeu com um importante dirigente do futebol uruguaio, Paco Casal, responsável por “roubar” três atletas dos Carboneros com propostas tentadoras da Europa. Isso foi apenas o início de denúncias de corrupção envolvendo vários cartolas, que instauraram uma crise sem precedentes na agremiação charrua.

Aliado a esses fatores de corrupção envolvendo dirigentes, está o fato de a emissora detentora dos direitos televisivos do futebol uruguaio repassar para os clubes um valor muito pequeno. Em 2014, o Peñarol recebia algo em torno de 70 mil dólares, com isso, o clube foi ficando cada vez mais endividado e não conseguindo montar bons elencos. Em 2016, nem mesmo a volta do astro Diego Forlán parece ser o suficiente para tirar o clube dessa seca de títulos importantes, principalmente a Taça Libertadores da América. Com isso, o futebol dos Carboneros vai seguindo, com a incerteza de um futuro melhor.