Opinião: Marcelo Oliveira tem que sair do Palmeiras

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César Greco/Ag. Palmeiras

Ser bicampeão do Campeonato Brasileiro e campeão da Copa do Brasil em três anos mostram ser ótimos resultados tanto para jogador quanto para treinadores e é o caso do técnico da Sociedade Esportiva Palmeiras. Marcelo Oliveira chegou para substituir Oswaldo de Oliveira no meio de 2015 e parecia a solução de todos os problemas (principalmente depois da sequência de sete vitórias seguidas no Brasileirão), mas nada melhorou. Pelo contrário, piorou.

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Desde meados de agosto, o time não joga o bom futebol que era esperado pelo plantel que havia sido montado em 2015. Após a derrota para o Atlético Paranaense por 1 a 0 no começo de agosto, na partida em que o volante Gabriel se machucou, o Palmeiras apresentou alguns bons jogos (meia dúzia no máximo) e vários jogos ruins com derrotas e empates, ou vitórias nada convincentes, como o 2 a 0 sobre o Figueirense no Allianz Parque.

O time não tem jogadas ensaiadas, aproximação dos jogadores, entrosamento, infiltrações de laterais ou atacantes, nem tabela entre os jogadores. Muitas vezes é envolvido pelo adversário, que fica tocando a bola e deixando os palmeirenses “na roda”, como foi na partida diante a Ferroviária, que chegou a  passar dos 60% de posse de bola.

O time pouco consegue envolver o adversário. Alias, em boa parte das partidas, quem domina a maioria dos 90 minutos é o time adversário. Poucas jogadas ensaiadas acontecem, não há infiltração nem tabelas, muito menos movimentações entre jogadores para dar opção de passe para quem está com a bola. Não há infiltrações de laterais e atacantes pelos flancos também. Isto tudo é coisa que o treinador deveria organizar desde o ano passado e até agora não acertou.

Marcelo Oliveira insiste em um esquema tático e praticamente não mudou mesmo sendo evidente que algo estava errado na tática. Derrotas e mais derrotas no 4-2-3-1 aconteciam com más atuações. O esquema que Oliveira gosta necessita de jogadores específicos para que dê certo e algumas peças não tinham no elenco.

Por exemplo, os volantes. É evidente que dos dois, pelo menos um volante tem de ter uma boa saída de bola. No contrário, é melhor mudar o esquema porque com dois volantes que não tem saída de jogo bom, tecnicamente o time irá ficar mais fraco num dos setores mais importantes do campo, onde a bola passa o tempo todo.

Marcelo perdeu Gabriel e Arouca, contundidos, e usou várias vezes Amaral e Girotto, jogadores de mais pegada, mais lentos e menos técnicos,  para desempenharem a mesma função. O resultado foi uma queda de rendimento nítida e muitos chutões durante a partida, sem jogadas bem trabalhadas.

Outros esquemas poderiam ser testados, como o 4-4-2, deixando apenas um volante fixo e usar dois meias para melhorar o toque de bola do time, mas Marcelo insistiu demais no 4-2-3-1, o que o desgastou muito, pois a maneira de jogar era sempre a mesma e sempre com muito sofrimento os jogos. O máximo que chegou a mudar foi para o 4-3-2-1, sacando um meia e colocando um volante. Ou seja, quase nada mudou e o time ficou mais defensivo, sendo o problema a criação de jogadas. Nada mudou taticamente.

Erros que estão claros da maneira da equipe jogar está pela escalação, também. Voltanto a questão do esquema tático, do que adianta escalar Thiago Santos para um jogo em casa contra um time pequeno/médio se o volante tem mais características defensivas que ofensivas e outros volantes no banco são mais completos?

Thiago é bom volante, mas não sabe propor o jogo e em casa contra um adversário que joga fechado, ele não acaba sendo muito útil pois não tem que marcar tanto. Ou então, por que usar Thiago e mais dois volantes contra o Santos, que só tem um meia?

O certo seria adequar o time a cada adversário. Mas os jogadores titulares do Palmeiras são os mesmos todos os jogos, sem variação nenhuma, independente se estão jogando bem ou mal, se estão em fase boa ou ruim. Marcelo sempre deixa os mesmos jogando, como Dudu e Robinho e não dá chances para quem está no banco, louco para ser titular, como Allione e Régis.

O estilo de comando de Marcelo nunca foi de ser muito vibrante, o que difere ele e o Palmeiras. Historicamente, o Palestra é um time de vibração, raça e Oliveira nunca foi de impor isto em nenhum clube. Não é culpa dele, é o jeito dele, mas no Palmeiras não dá certo, assim como Oswaldo não deu.

Marcelo Oliveira foi campeão, foi muito bem em outros clubes, mas no Palestra Italia não deu certo. Chegou no meio do ano passado, teve mais de meio ano para treinar o time e não deu padrão. Chegou a pré temporada, passou, começou o Paulista e Libertadores e continua a mesma coisa. É hora dele sair do Verdão.



Jornalista formado pela FIAM FAAM. Apaixonado por futebol independente do país ou divisão. Setorista do Inter e esportes olímpicos. Contato: mohamed.nassif12@hotmail.com