Opinião: Marcão fez o simples e conseguiu vitória importante

Crédito da foto: Nelson Perez/Fluminense

Marco Aurélio de Oliveira, 43 anos, ex-volante, natural de Petrópolis/RJ. 397 jogos e 22 gols marcados com a camisa do Fluminense. Pelo Tricolor das Laranjeiras conquistou o Campeonato Brasileiro da Série C em 1999 e o Campeonato Carioca em 2002 e 2005. Foram essas marcas alcançadas entre 1999 e 2005 que o colocaram como um dos maiores ídolos da história recente do clube. Ontem voltou a campo com o clube que mais lhe deu projeção nacional. Mas não como jogador, e sim à beira do campo como treinador. E o balanço foi positivo. Vitória sobre o Friburguense e classificação quase garantida para a segunda fase da edição 2016 do estadual.

Há quem diga que Eduardo Baptista, treinador que foi demitido recentemente do Fluminense, “inventava” demais. Já Marcão optou por fazer o simples, respeitando as posições de (quase) todos os jogadores. A começar na defesa; Giovanni, lateral-esquerdo, recuperou a vaga que vinha sendo ocupada pelo improvisado Gustavo Scarpa, que voltou ao meio-campo, sua posição de origem. Cícero foi outro a voltar para o meio-campo, já que vinha atuando como volante nos últimos jogos. Apenas no setor do ataque que houve uma improvisação; Diego Souza, meio-campo de origem, atuou mais avançado, como um “falso 9”, e pouco fez durante a partida.

Muitos irão afirmar: “O Fluminense tomou sufoco o jogo inteiro”. Verdade. Mas vale lembrar que o gol do Friburguense saiu em uma falha de zaga após um cruzamento onde a bola claramente saiu e o juiz não apontou a infração. A defesa tricolor de fato deu alguns vacilos, mas é algo incorrigível em aproximadamente uma semana de treinamentos. A compactação (ou a tentativa dela) chamou a atenção – e Marcão era comumente flagrado pelas câmeras pedindo ao time para que permanecesse compactado. O Flu chegou a perder algumas jogadas de contra-ataque após chutões por conta dessa excessiva união entre os setores.

A troca de passes enquanto se mantinha posse de bola também foi algo a se exaltar. Fundamento simples, de base. Claro que houveram erros de passe, não existe perfeição, mas Marcão conseguiu mostrar ao time que é tocando a bola que se consegue fugir da marcação e criar oportunidades de gols. Algo que, provavelmente, aprendeu com Carlos Alberto Parreira em 1999, durante a conquista da terceira divisão do futebol nacional.

Ontem, durante a transmissão da TV Globo, o comentarista e ex-jogador Juninho Pernambucano foi felicíssimo ao afirmar: “Se o Fluminense tem condições de trazer o Cuca ou o Levir, ótimo. Mas se for pra apostar em outro, melhor que se mantenha o Marcão”. De fato, pode ser a melhor solução no caso da não-chegada dos outros nomes (sobretudo por conta do fator financeiro). O interino tem total conhecimento do elenco, total conhecimento do universo do clube, prestígio entre a torcida e os jogadores… Quem sabe não precisa apenas dessa oportunidade para mostrar seu talento também à margem das quatro linhas?



Lucas Nunes é um jornalista carioca apaixonado por esportes. Apesar de trabalhar em outros ramos da comunicação atualmente, planeja trilhar carreira no jornalismo esportivo, já que ama, em suma, o futebol, o automobilismo e o MMA.