Opinião: Diretoria do Palmeiras é a grande culpada pelos resultados na Libertadores

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Foto: Divulgação/Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Já foi tarde. Esta popular expressão veio a cabeça de milhares de torcedores do Palmeiras quando o técnico Marcelo Oliveira foi demitido, no último dia 10, após a derrota do alviverde em casa para o Nacional do Paraguai, válida pela terceira rodada da Taça Libertadores.

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Fato é que essa demissão tardia foi a grande responsável pelo desempenho pífio do clube no campeonato mais importante do ano. A dupla Paulo Nobre e Alexandre Mattos acertou em muitos aspectos da gestão, é verdade. Mas as fracas apresentações do Palmeiras estão diretamente atreladas à omissão dos dirigentes, que erraram feio ao manter Marcelo Oliveira para 2016.

Vamos aos acontecimentos, cronologicamente: desde a saída de Oswaldo de Oliveira, para muitos demitido injustamente, o Palmeiras não conseguiu emplacar um bom futebol. Algumas vitórias no Campeonato Brasileiro no início do trabalho de Marcelo Oliveira deram uma esperança ao torcedor, que almejou um clube realmente grande e que disputaria todos os campeonatos competitivamente.

A onda de vitórias acabou, e com isso vieram resultados muito ruins, até alarmantes em alguns casos, como na goleada sofrida pela Chapecoense em outubro do ano passado. O time não tinha nenhum posicionamento concretizado em campo, as chamadas ligações diretas e os chuveirinhos eram a grande “tática” de Marcelo Oliveira. Os resultados refletiram na posição do Palmeiras na tabela, que acabou o campeonato em um triste nono lugar.

O que deu uma (grande) sobrevida a Marcelo Oliveira foram seus resultados na Copa do Brasil, mesmo sem conseguir fazer o time jogar bem. Na raça, e com uma dedicação acima da média dos jogadores, o alviverde conseguiu levantar a taça, muito mais pela determinação do que pela organização do time. Ficou explícito que a equipe não tinha qualquer variação tática ou jogada ensaiada, artifícios básicos de um clube competitivo. É aí que entra, ou não entra, o papel de Mattos e Nobre, que tinham na mão o poder de demitir Oliveira e começar 2016 com um novo técnico e, mas ainda, um novo projeto de equipe.

A dupla, extasiada com o título da Copa do Brasil, deixou o coração se sobressair á razão e manteve o treinador, mesmo com a torcida ressabiada. Veículos de imprensa de todos os tamanhos questionaram a decisão, blogueiros, jornalistas e comentaristas colocaram em dúvida a capacidade de Marcelo a frente do Palmeiras. Nada disso foi ouvido ou debatido, e a decisão mostrou-se equivocada na última semana, quando, em pouco mais de 3 meses de trabalho no ano, o técnico foi demitido.

Essa foi a grande prova da negligência de Nobre, que em outra ocasião, tão periclitante quanto, repetiu o mesmo erro e manteve Gilson Kleina no comando do Palmeiras em 2014 após um ano de Série B. Assim como Marcelo, Kleina também ganhou algumas sobrevidas, mas seu trabalho se mostrou ruim durante todo tempo que dirigiu a equipe. Naquele ano, vale lembrar, Nobre contratou outros dois técnicos que se mostraram inoperantes mediante um time medíocre: Ricardo Gareca e Dorival Júnior.

Marcelo Oliveira deveria ter sido demitido, se não após o título (crueldade, sim, porém uma atitude necessária para um bem maior), no máximo após a vitória injusta perante o muito bem postado Rosario Central. Naquele jogo ficou clara a falta de pulso de Oliveira, que não conseguiu colocar seu time para jogar um simples futebol. O Verdão foi pressionado como se estivesse jogando fora de casa, envergonhando os mais de 36 mil torcedores presentes no Allianz Parque.

Além disso, algumas outras posições de Paulo Nobre também influenciaram para a derrocada do alviverde na Libertadores. O excesso de contratações, promulgado por Mattos e reiterado por Nobre, foi claramente um fator prejudicial ao Palmeiras, que acabou colocando recém-contratados em campo em detrimento de jogadores que já vinham fazendo boas temporadas pelo time. São casos de Victor Luís e Nathan, jogadores da base que, literalmente, seguraram a permanência do time na Série A em 2014 e logo depois foram desprezados por Nobre e Mattos.

Sendo assim a responsabilidade de Nobre e do diretor de futebol Alexandre Mattos sobre a atual situação do Palmeiras na Libertadores é muito grande. Com as atuais duas derrotas, a classificação ficou praticamente impossível, e somente uma combinação tresloucada de derrotas de Nacional e Rosario Central podem dar ao Palmeiras uma vaga na segunda fase.



Jornalista