Histórias do Gre-Nal: Colorado saiu do Planeta Atlântida para ver Inter quebrar jejum

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Era um final de semana repleto de atrações no Rio Grande do Sul. Além do Gre-Nal marcado para o domingo, dia 9 de fevereiro de 2003, o litoral gaúcho se agitava com a realização de mais uma edição do Planeta Atlântida, um dos tradicionais festivais de música do país. Muitos optaram em ir apenas na festa, que entra sempre nas madrugadas de sexta e de sábado. Outros decidiram ficar na capital e ir no jogo. E alguns, como o colorado Diego Corrêa Volpato, decidiram ir em ambos.

Mas, para Diego, não foi fácil. A começar que o seu time mais uma vez precisaria lidar com o franco favoritismo do rival, que, além de jogar em casa, tinha uma equipe bem mais qualificada. Tite, técnico gremista, tinha à disposição nomes como Anderson Polga, Anderson Lima, Tinga e Luís Mario. Muricy, ainda pouco conhecido, montava o seu Inter repleto de garotos naquele início de 2003 – poucos meses depois do clube ter vivido uma epopeia em Belém do Pará e se salvo, sabe-se lá como, do rebaixamento diante do Paysandu.

Nem mesmo o contexto absolutamente desfavorável para o clássico válido pelo Gauchão daquele ano desmotivou Diego. Por mais que nada indicasse que o Inter cresceria no Olímpico, o jovem fanático torcedor de 19 anos se mantinha convicto de que o seu time enfim quebraria o jejum que já durava quatro anos, com 13 clássicos sem saber o que era vitória.

Com a confiança na vitória e já de olho no relógio, Diego e mais um amigo deixaram o complexo que recebe o Planeta Atlântida já na madrugada de domingo. A ideia era ir para a rodoviária de Capão da Canoa, praia vizinha, comprar a primeira passagem para a Porto Alegre. Mas chegando lá…

“Nossa ideia era sair do Planeta Atlântida e ir direto para a rodoviária de Capão comprar uma passagem para Porto Alegre. Só que nós chegamos lá e descobrimos que a venda de passagens só abria horas depois, por volta das 7h. Achávamos que era só chegar na rodoviária a qualquer hora e comprar… O jeito foi se ajeitar em uns bancos e dormir por lá mesmo. Eu dormi no chão com a mochila como travesseiro”, relembra Diego, hoje com 31 anos, em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

“Aí eu lembro que acordei meio no susto, com muita gente correndo para comprar passagem, eram poucos ônibus para Porto Alegre. No fim, conseguimos comprar a passagem de volta. Éramos fanáticos, íamos a todos os jogos. Na chegada em Poa, comprei um ingresso com um cambista e fui para o jogo. Quase apanhamos de uns gremistas no fim da partida, mas valeu a pena”, acrescenta.

E valeu mesmo. O Inter, que não vencia o Grêmio desde 1999, protagonizou uma grande virada dentro do estádio Olímpico. Após um primeiro tempo de amplo domínio gremista, que se transformou em um justo 1×0 dos mandantes até o intervalo, o colorado voltou melhor para o segundo tempo e trilhou o caminho da vitória com gols de Vinícius e Daniel Carvalho. A noite mal dormida de Diego foi recompensada. E o Planeta Atlântida? Bom, o Planeta segue até hoje sendo realizado todos os anos. Já uma virada como aquela não é qualquer hora que acontece em um Gre-Nal.

Relembre os gols do jogo:

 



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Fã de esportes, sobretudo tênis. Colorado por paixão, jornalista por vocação e tenista por opção.