Declaração machista de Prass explica porque precisamos de um Dia Internacional da Mulher

(Foto: Reprodução/TV ESPN Brasil)

O atleta Fernando Prass foi o protagonista de uma declaração machista durante o Programa Bola da Vez, leia a seguir a nossa opinião e manifestação de repúdio.

LEIA MAIS 

#SerMulhernoEsporte: “Ser mulher no esporte exige esforços e demonstração de competência”

Débora Gares, da ESPN: “Precisamos participar de uma forma que não seja para deleite dos olhos masculinos”

Clara Albuquerque, do Esporte Interativo: “Podemos entender, curtir e viver o futebol da forma que quisermos”

Capitã do Santos declara: “Estamos conquistando nosso espaço por pura competência”

Nesta semana, o goleiro Fernando Prass foi o entrevistado do Programa Bola da Vez. Durante o programa exibido na terça-feira (15/03), o jogador do Palmeiras fez uma declaração infeliz ao ser questionado sobre a valorização dos goleiros: “Eu brinco com o Barrios, o Barrios falou esses dias: ‘Prass, na próxima vida eu vou querer vir de goleiro.’. Eu falei: ‘Tá certo, o cara tem que que experimentar de tudo, eu brinquei com ele. Tu veio sexo masculino, centroavante e ficou rico. Vai querer vir de certo mulher, ser goleiro e pobre’ “. A resposta imediata dos componentes da mesa foram risadas, mas obviamente não havia nenhuma mulher entre os presentes. Certamente em meio a risos, nenhum deles, aparentemente, se preocupou com o impacto desse comentário infeliz ou com a repercussão perante às telespectadoras que, como eu, assistiam ao programa. Nenhuma intervenção foi realizada.

No mês de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher, rememoramos as conquistas das lutas femininas, reconhecemos a importância e contribuição da mulher e refletimos sobre as reivindicações e projetos que devemos apoiar para alcançar mudanças estruturais na sociedade, de forma que superemos a desigualdade de gênero. Comentários infelizes como o protagonizado pelo jogador Fernando Prass, que, certamente, provocaram desconforto nas telespectadoras, precisam ser desnaturalizados. Não há mais espaço para esse tipo de comportamento, que reproduz preconceitos cristalizados. Esse tipo de episódio também abre a discussão para uma outra questão urgente. Será que se a mesa do programa fosse composta por mulheres, o jogador teria proferido tais comentários?

Para que possamos transformar a nossa realidade, precisamos combater o machismo presente em nosso dia a dia, inclusive desnaturalizando a perspectiva machista dos papeis de gênero que, por meio de piadas, reforçam estereótipos e preconceitos. Esperamos que o jogador, enquanto figura pública, a entidade a qual está vinculado e mesmo o canal de TV que lhe deu um importante espaço, com grande repercussão pública, para a disseminação da cultura machista, venham a público responsabilizar-se pelo ocorrido, de modo que comentários como esse não sejam mais tratados como corriqueiros.

Que combatamos esses episódios e saibamos utilizar esses momentos como ponto para novas discussões, que não devem desaquecer após o mês de março, mas, antes disso, precisamos aprofundar o questionamento sobre como as mulheres podem ter mais oportunidades em espaços historicamente tidos como ambientes masculinos, como as mesas de debate sobre futebol. Como podemos ter evidência, também nesses espaços, em todos os dias do ano, de janeiro a dezembro? Nós, mulheres, não podemos adotar o silêncio perante os episódios do dia dia que reforçam o machismo. Precisamos reverter essa lógica, por meio do enfrentamento e da reivindicação por espaços, nos quais possamos expressar a nossa voz em um movimento coletivo. Precisamos de um Dia Internacional da Mulher, todos os dias. Deixo aqui a minha manifestação de repúdio.

Crédito da foto: Reprodução/TV ESPN Brasil 

Veja outras postagens por Janaína Santista.

Twitter: @Jana_Santista

Perfil Facebook: Janaína Santista  – Página Facebook: Janaína Santista