10 a 0 “veio ao natural”, diz artilheiro de goleada no Campeonato Paulista

Luciano Santoliv/Nacional AC

Na última quarta-feira, o Campeonato Paulista da A-3 (terceira divisão) se tornou notícia graças a uma goleada de 10 a 0 aplicada pelo Nacional da capital sobre o Grêmio Barueri, time que em 2009 e 2010 disputou a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Mas, para quem estava dento do campo, o placar não pareceu tão absurdo quando aos torcedores que acharam a notícia curiosa.

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Ao menos para Piter, o artilheiro da partida – ele marcou os três primeiros do Nacional na goleada, e logo em sua estreia pelo clube. Segundo ele, o resultado surgiu tão “ao natural” que o jogadores do Naça nem perceberam que estavam fazendo história.

“A gente não sente tanto em campo porque nossa questão era, sem menosprezar o time deles, saber que precisávamos dos gols, que ajudam na tabela e que pode dar vantagem no critério de desempate”, disse. E é verdade: o Naça aparece em 6° na A-3, com 18 pontos. Outros três times têm a mesma pontuação, mas só o Osasco, que fez 8 a 0 no Barueri, está à frente: 16 a 15 no saldo. Sertãozinho e Flamengo de Guarulhos, que vêm em seguida, não jogaram com o Barueri ainda.

“Quando levamos para esse foco acabamos deixando a questão só do campeonato na mente para tentar os gols, o que o campeonato significa pra nós. Sem a ideia de que estávamos fazendo história ou algo assim.”, completou Piter – ele marcou aos 35 segundos de jogo, o gol mais rápido do torneio. Depois, fez aos 8 min. do 1° t. e no primeiro da etapa final.

Em 2010, o Santos goleou o Naviraiense-MS por 10 a 0, na Vila Belmiro, em jogo da Copa do Brasil. Lá, os jogadores sabiam que estavam fazendo história. Tanto que, além de não tirarem o pé, comemoravam cada gol com dancinhas diferentes. À época, toda a mídia elogiou a atitude do Santos, que não tirou o pé, o que seria uma humilhação maior ao rival do que tentar marcar mais. E o Nacional pensou da mesma forma.

Piter, inclusive, valoriza a atuação do Barueri. Segundo ele, nenhum jogador do Naça sentiu que o adversário facilitou a goleada.

“A gente sabia que tinha que entrar acelerado e sufocá-los no campo de defesa. fazer o gol mais rápido facilitaria os planos de ganhar. E logo no primeiro lance fiz o gol. E ai abre a vantagem contra um time com ambiente ruim. Você vê que é um time que se esforça, eles valorizam o resultado, eles se entregam e correm o tempo todo. Mas infelizmente a falta de estrutura, de respaldo extra campo, reflete dentro de campo. Não pode largar a família e não ter pagamento garantido e o suporte que necessita”, afirma.

O Barueri sofre com crise financeira e perdeu o apoio da prefeitura da cidade. Em jogo contra o Olimpia, na A-3, os jogadores sentaram em campo em protesto. já foram cinco treinadores em 10 rodadas e um WO.

Luciano Santoliv/Nacional AC
Luciano Santoliv/Nacional AC

E como um adversário entra em campo para encarar um time em crise desse nível? Com medo. Acredite: “Quando você ganha de uma equipe assim não fez mais que obrigação. Mas você sabe que se não fizer um bom jogo corre risco de perder, ou empatar, com um time desse. O risco é  que pode criar uma situação ruim no grupo.”

Por fim, ele conta que a goleada foi planejada no intervalo, quando o jogo estava 2 a 0. Não antes, mesmo sabendo da fragilidade do Barueri.

“Hoje em dia no futebol profissional grande parte do jogo envolve o psicológico. Eles já vinham abatidos psicologicamente e ficam mais. Quando eles vêm para tentar uma reabilitação e a gente consegue um gol rápido toda a carga de problemas volta a tona e prejudica. Logo depois do segundo gol a gente conversou e focamos na ideia de começar o segundo tempo de forma agressiva, marcação em cima. Você assim exige mais a parte física, pois tem que afogar o adversário”, explica.

“Depois dos dois gols recuamos a marcação para poupar o físico e tentar gols mais naturais. Aí nos perdemos no primeiro tempo e, no intervalo, conversamos sobre como eles viriam para tentar virar e deixariam espaço. E o placar mais elástico poderia nos favorecer na classificação, aí decidimos fazer 15 minutos na pressão e conseguimos três gols nisso. E depois o resto veio naturalmente”, finalizou.

Além dos três de Piter, Victor Sapo e Thiaguinho marcaram duas vezes, enquanto Anderson Gindre, Michel e Emerson Mi fizeram um gol cada.

Ao fim, já no dia seguinte, a ficha caiu: foi, sim, histórico. “Foi a maior goleada da minha carreira e deve ter sido a de 100% dos nossos jogadores”, encerrou o artillheiro da tarde..



Jornalista esportivo.