“Tenho medo de voltar a trabalhar no futebol. Há muita sujeira”, diz Marcos

Crédito da Foto: Reprodução/ Facebook Oficial do Marcos

Marcos é definitivamente o maior ídolo da história do Palmeiras, que foi capaz, inclusive, de conquistar torcidas adversárias. Sempre sincero em suas declarações como atleta, o ex-goleiro mostra que continua o mesmo em entrevista ao colunista Cosme Rímoli.

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Em entrevista publicada pelo colunista Cosme Rímoli em seu espaço no portal R7, Marcos revelou o receio de voltar ao futebol por causa da ‘sujeira’ no meio.

“Não sei se quero voltar a trabalhar com futebol, não. Tenho muito medo de voltar a trabalhar no futebol. O clima é muito pesado. Há muita sujeira. E graças a Deus, eu consegui ter uma carreira limpa. Ninguém tem nada para falar de mim. Dei minha vida, empenhei tudo que podia e o que não podia pelo Palmeiras, pela Seleção. Sou bem tratado onde vou. E não só por palmeirenses. Corintianos, torcedores de todos os clubes me abraçam, beijam a minha careca. É uma coisa impressionante. E que me orgulho. Não quero arriscar tudo isso voltando ao futebol. E me queimar”, disse o ex-goleiro palmeirense.

Mas por que esse medo? Marcos explica:

“Eu não tenho vínculo nenhum hoje em dia com o Palmeiras. Se eu for bater lá e pedir para o Paulo Nobre me arrumar alguma coisa, tenho certeza que arruma. E, suponhamos, que me coloca como um elo entre os jogadores e o treinador. Parece bom, não é? Mas aí surge um jogador de um empresário importante. Eu acho que o cara tem potencial. Ele é contratado e não dá certo. Vai ter gente que pode dizer que eu ganhei alguma coisa por indicar o jogador. Se veto é porque posso estar ganhando do empresário que tem seus jogadores no clube. Sei como as coisas funcionam. Pronto. Em um mês posso ter jogado no lixo a minha imagem limpa. Não vale a pena.”

Outros cargos no futebol, além de dirigente, também não interessam a ‘São Marcos’. No perfil de treinador o ex-goleiro disse que não se encaixa, tampouco na de preparador de goleiros, muito pela questão física, que comprometeu, inclusive, sua carreira:

“A cartilagem dos meus joelhos está comprometida. Foram muitos jogos, muitas contusões. Tratamentos, infiltrações. O organismo não suportou. Não posso ficar chutando bolas para os jovens goleiros. Eu acho que até gostaria de ensinar, passar o que sei. Só que não dá.”

Comentarista de futebol seria uma boa opção. Mas não para quem não se sente à vontade falando ‘mal’ dos outros: “não está na minha índole”.

Desde que deixou os gramados, em janeiro de 2012, Marcos participou apenas de algumas ações publicitárias com o clube. Sem vínculo profissional com o Palmeiras ou com qualquer outra empresa, o eterno dono da camisa 12 alviverde, agora curte o tempo livre com a família, e não pretende mudar isso tão cedo.

“Estou vivendo muito bem. Descobrindo o prazer de ajudar meus filhos na escola. Passear para cima e para baixo com a minha mulher. Está ótimo. Quando eles se cansarem e quiserem me colocar para fora de casa, aí eu penso o que faço. Por enquanto, quero desfrutar a minha vida. Voltar ao futebol agora não atrai. Minha carreira foi linda demais. É essa imagem que quero guardar. E que as pessoas preservem…”



Jornalista | Escritora Há 10 anos dedicando-se ao meio esportivo, com enfoque em mídias sociais e produções audiovisuais. Autora do site Guia dos Esportes - Conhecendo o mundo através do esporte, especialista de conteúdo da Seconds Entretenimento Esportivo, colunista dos sites Autoracing (F1), repórter e colunista do Portal Rackets (tênis).