Opinião: Alguns pensamentos sobre o empate do Palmeiras na estreia da Libertadores

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Até que ponto um empate numa estreia da Libertadores pode ser comemorado ou criticado. Nesta madrugada, após o jogo de estreia do Palmeiras na competição Sul-americana, li algumas queixas de que o resultado não foi bom, que o fato jogar contra o pior time do grupo merecia uma goleada, etc. vou tentar em alguns tópicos expor meu pensamento.

Ponto fora é um mau resultado?

O verdão foi ao Uruguai, na cidade de Maldonado jogar com River Plate-URU e claro que o time de maior nome entre os dois é o brasileiro, pois já fez finais e até campeão da competição foi. Logo, roubar um ponto fora de casa é infinitamente melhor do que deixar três onde foi o jogo. Esse ponto somado fora de casa pode sim fazer a diferença no final da fase de classificação. Situação inversa ao que o São Paulo terá nesta noite. Sua estreia será em casa, contra o The Strongest (BOL) e aqui na capital paulista é vital que o Tricolor some três pontos. Por isso, não satanizemos esse ponto somado pelo alviverde.

Excesso de ligação direta

O segundo aspecto que destaco é que o Palmeiras teve mais posse de bola, só que na maior parte do tempo, o time jogava na ligação direta defesa-ataque. Era comum ver lançamentos da zaga para a parte ofensiva e restava ao meio campo aparecer na frente para arriscar chutes e até marcar gol, como aconteceu com Jean. A dupla de volantes que começou o jogo, formada por Arouca e Jean é boa, mas julgo errada a decisão de Marcelo Oliveira em começar com Robinho no banco. Querendo ou não, ele é o meia de ligação, o homem que abastece o ataque.

Dudu não é meia!

Quanto a Dudu, uma coisa precisa ficar clara: ele é segundo atacante! O camisa 7 não tem cacoete para voltar para o meio de campo e armar jogadas. O lugar dele é na frente, colocando correria para cima da zaga adversária. Essa foi uma “invenção” de Marcelo Oliveira que reprovo. Dudu na meia é uma peça sem função, quase que inutilizável.

Uma chance para Natan

Sobre a zaga, há um jogador no elenco, que está inscrito na Libertadores e que poderia muito bem ter jogado e não sei porque Marcelo não dá uma chance a ele: Natan. O jovem defensor comeu o pão que o diabo amassou em 2014, ajudando e muito o time a sair da degola para a Série B e merecia ter atuado mais em 2015, mas raramente era relacionado e até chegou a ser emprestado. Está novamente no clube e, se o Palmeiras já aposta em Mateus Sales, Thiago Santos e Gabriel Jesus, oriundos da base, porque não dar essa oportunidade a Natan? Ele foi um dos destaques de 2014, jogando num time que correu risco de rebaixamento e não merece uma chance agora?

O 33, que é 12 e tem nome bendito

Por fim, cabe um elogio a um garoto de 18 anos, que normalmente usa a 33, na Libertadores é 12 e mostra ter raça, além da desenvoltura de quem joga uma partida entre amigos. Gabriel Jesus entrou no segundo tempo e mostrou que não tem medo de cara feia, pancada e que tem tesão de jogar futebol. Logo em sua estreia na Libertadores marcou gol, arriscou chutes e ainda foi garçom em alguns momentos. Posso não ser Mauro Beting, mas digo que Gabriel Fernando, o 33 normal, que usa na Libertadores a 12 do Santo, tem a Divina vontade, mostra a raça de Jair e tem sangue frio como o Matador. Esse cada dia mais mostra ter futuro e ser um motivo de alegria para os palmeirenses.

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação