Opinião: Aguirre vaiado e os males da “torcida de sofá”

Aguirre vaiado
Crédito da foto: Bruno Cantini/CAM

Aguirre vaiado em um jogo de festa. Estreia de Robinho, time vindo de vitória fora de casa na estreia da Libertadores e vencendo novamente. Ainda que o jogo pudesse ter sido mais fácil se a equipe não pensasse que poderia resolver tudo quando quisesse, o resultado estava lá: 1 a 0.

LEIA MAIS:
Atlético-MG 1 x 0 Independiente Del Valle: confira o gol de Pratto que deu a vitória ao Galo
Torcida do Atlético-MG ‘arrepia’ em chegada do time ao Horto; assista

Quem não acompanha nada de futebol e viu a vaia a Diego Aguirre deve ter pensado que o Atlético-MG está em uma de suas piores fases. Não parece que a torcida que xingou o treinador de burro foi vice-campeã nacional em 2012, campeã continental em 2013, campeã da Copa do Brasil em 2014, vice-campeã nacional em 2015 e, nesse tempo, ainda recolheu três títulos estaduais só para poder esculachar o rival. Não parece a torcida do time que conseguiu se reforçar e segurar a saída dos principais jogadores, do clube que está em vias de construir um estádio próprio.

O mais grave: não parece a torcida do Galo, conhecida por chegar à beira da demência e cegueira futebolística para apoiar o clube, sua maior qualidade, que fazia o Mineirão balançar e fez adversários do continente inteiro temerem jogar no caldeirão do Independência.

Cazares era o melhor em campo. Sua atuação tinha um sabor especial pela novela digna de Conmebol que ele viveu para poder, enfim, pisar no gramado com a camisa alvinegra em uma partida oficial. Tirá-lo aos 10 minutos do segundo tempo pode até ter sido precipitado, mas vamos imaginar uma situação.

Robinho não jogava desde o início de dezembro. Cazares ainda não havia atuado este ano (apenas na Florida Cup). Os dois, obviamente, estavam fora do ritmo de jogo, que dirá o ritmo de jogo de uma Libertadores. Aguirre viu seus comandados prometerem uma goleada contra o Independiente Del Valle, um time inferior, quando Pratto marcou logo aos 3 minutos do primeiro tempo.

No entanto, como bom time brasileiro que é, o Galo conseguiu complicar uma partida fácil. Promover a estreia de Robinho, sem ritmo, ao lado de um Cazares também sem condições ideais poderia neutralizar o ataque de vez e dar sopa para o azar. E se o Del Valle empata o jogo?

Alguém poderá dizer “então não deveria colocar o Robinho”. Mas foi para isso que 20 mil pessoas compraram ingresso, era o cenário ideal para a estreia da estrela da equipe. Casa cheia, TV transmitindo, Libertadores. Se não pusesse Robinho, Aguirre seria ainda mais crucificado.

A temporada mal começou, o time tem duas vitórias em dois jogos na Libertadores e é o líder do Campeonato Mineiro. Saiu da Primeira Liga com um elenco que ainda não havia sido reforçado. Ver Aguirre vaiado (digo o mesmo dos torcedores que pegam exageradamente no pé de Patric) é ver o grande mal da elitização do futebol para a construção de grandes times: a “torcida de sofá” ocupando todo o espaço daquele torcedor da geral, que cantava o jogo inteiro. É a presença cada vez maior, em todos os estádios brasileiros, do torcedor que grita ‘SENTA’ para quem está em pé na frente dele e que vaia a equipe ainda no primeiro tempo porque o time não está jogando igual ao Barcelona.

Ou esse povo aprende a torcer para time de futebol, ou que faça o favor de ficar em casa e vaiar o técnico sem que ninguém mais veja. Aguirre (e os jogadores) ainda não merece o que aconteceu ontem no Independência.



Mineiro. Nasci vendo futebol, cresci jogando basquete no videogame, handebol na quadra e nadando. Cultivei a barba acompanhando a NFL e a NBA. Quando possível, ia a Belo Horizonte ver de perto o Galo. Um sonho: Olimpíadas. Aos 46 do segundo tempo da Faculdade e querendo ralar que nem um cão nesse nosso Jornalismo de cada dia.