Mulheres estão no mundo do futebol e devem ser respeitadas como torcedoras e consumidoras

Arte: Janaína Santista

As mulheres estão no mundo do futebol e articuladas para angariarem espaço e exigirem respeito. O episódio machista envolvendo o evento de divulgação da camisa do Atlético-MG causou reboliço nas redes sociais. De todas as manifestações despertou-me interesse o posicionamento de um grupo de mulheres atleticanas que entenderam o momento e emitiram uma nota de repúdio com relação ao posicionamento do clube mineiro no ocorrido. Mas elas fizeram ainda mais. Leiam e reflitam.

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Não é fácil ser uma mulher que gosta de futebol, contudo as mulheres tem cada vez mais conquistado um espaço historicamente tido como masculino, enfrentando o machismo expresso de forma explícita ou velada. O que há de novo é que com a massificação dos meios tecnológicos e de comunicação, há um maior alcance e uma maior amplificação das reivindicações. A nota de repúdio publicada no blog CAMikaze  é oportuna ao  criticar a maneira como o Atlético-MG “tem se mostrado excludente com as mulheres torcedoras – e consumidoras – de futebol, além de passivo em relação às atitudes machistas dentro e fora do estádio.”. O que não é um comportamento restrito ao clube mineiro, é importante destacar. Com a exposição desse descontentamento, as torcedoras atleticanas representam todas as torcedoras do Brasil que querem o seu espaço no futebol, ou seja, querem ser respeitadas como torcedoras e como consumidoras.

Esperamos que essa manifestação inspire outras mulheres torcedoras a se manifestarem perante atos machistas explícitos como esse ou velados como percebemos nos nossos cotidianos, e mais, que esse tipo de posicionamento se torne um ponto de partida para a formatação de plataformas reivindicatórias. Os clubes precisam estar atentos, não há mais espaço para esse tipo de ação, as mulheres não são mais invisíveis nesse universo. E sim, representam um contingente importante e, para o qual, os clubes brasileiros parecem despreparados em entender também como consumidoras.

O discurso veiculado pelas redes sociais e vociferado por um jornalista (sim, um jornalista) de que o público do futebol é masculino é uma representação preconceituosa que deve ser desconstruída. Já na educação, os planos pedagógicos modernos tem se preocupado em construir uma visão do futebol na qual ele pode ser vivenciado por homens e mulheres enquanto prática educativa e de sociabilidade. O discurso que compreende que o futebol possa ser apropriado apenas por um determinado sexo será cada vez mais apagado ao longo do anos.

As mulheres estão presentes nesse universo mais do que foram em qualquer momento. Vamos aos estádios, escrevemos sobre futebol, falamos sobre o futebol,  jogamos futebol, em suma: vivemos o futebol e o cotidiano dos nossos clubes. Não somos mais invisíveis no mundo do futebol e exigimos respeito, como torcedoras e como consumidoras. Mulheres atleticanas, estamos com vocês!

Crédito da foto: Arte Janaína Santista