Análise: Construção coletiva chama atenção no gol colorado, mas não se repete

Crédito da foto: Divulgação/Internacional.

A primeira impressão causada pelo Inter na partida diante do Aimoré foi a melhor possível. Isso porque, mesmo com time misto (e sabe-se lá a razão dessa escolha), uma jogada absolutamente coletiva resultou em um belo gol logo aos 9 minutos do primeiro tempo. Alex, como o bom meia armador que um dia foi – e que ainda precisará ser na ausência de D’Alessandro -, serviu com maestria Geferson no flanco esquerdo, que cruzou na medida para o centroavante Aylon testar para o gol.

Um gol envolvendo os três eixos de uma equipe: a participação ofensiva do lateral-esquerdo, a criação obrigatória do meia central e a conclusão do centroavante dentro da área. Defesa, meio e ataque sintonizados, como tanto se cobrou e ainda se cobra de Argel Fucks no comando do ainda desarrumado Inter. No entanto, o lance foi a exceção, e não a regra, mesmo diante de um adversário sabidamente fraco, que sequer havia feito ponto no certame até essa rodada.

Justiça seja feita, o Aimoré mostrou bravura, valentia e até momentos de bom futebol no duelo da tarde de domingo no Cristo Rei, que, de condições tão precárias, quase foi palco de um massacre de abelhas sobre os jornalistas. Coisas de Gauchão. Aos 12 minutos, em uma jogada realizada às costas do atrapalhado lateral Paulo Magalhães, o Aimoré chegou à linha de fundo e, com Diego Viana, fez a bola atravessar a pequena área de Alisson até que o bom volante Mateus jogou-a para o fundo das redes.

Mérito coletivo no gol feito, falha coletiva no gol sofrido: fora de posição, Magalhães deixou a defesa exposta e Réver, o homem da cobertura, não foi ágil o bastante para estancar o cruzamento na raiz; Geferson, desesperado, intrometeu-se no meio da área para brecar o centroavante e também ficou com as costas desguarnecidas – justamente no espaço em que se inseriu Mateus, cara a cara com o pobre Alisson.

Com o placar em igualdade faltando mais de meia hora para o fim do primeiro tempo, o Inter limitou-se a trocar passes em sua intermediária e arriscar um ou outro cruzamento infrutífero em direção à área, muito mais no sentido de se livrar da bola do que propriamente em busca de uma jogada concreta, como no gol de Aylon – a única gota aproveitável dentre o oceano de preocupações dos 90 minutos colorados.

Desfeito o losango dos primeiros jogos e o 4-2-3-1 dos últimos, Argel montou a sua equipe diante do Aimoré em um 4-2-2-2, com Jair e Fabinho posicionados à frentes da dupla de zaga. No desespero final, ainda tentou o centroavante Bruno Baio na vaga de Geferson, empurrando Alex para o lado esquerdo. Mas a previsibilidade, a falta de criação e a ausência do elemento surpresa seguem como parasitas do time colorado, incapaz de surpreender ou envolver nem os mais fracos times gaúchos. Os obstáculos já estão vistos por todos, cabe a Argel desfazê-los. Desde já, correndo contra o tempo.



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Fã de esportes, sobretudo tênis. Colorado por paixão, jornalista por vocação e tenista por opção.